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Difícil dançar, difícil parar: Massive Attack ao vivo em BH

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20 de novembro de 2010

Música, Overdose

Por William Alves

O som do Massive Attack é um negócio meio parado demais para se dançar livremente, mas conturbado em demasia para manter o ouvinte completamente imóvel. Isso se manifesta claramente na postura de um dos frontmen da banda, Daddy G (o negão): ele fica ali no centro do palco todo o tempo, jogando os braços para frente e para trás, ora um ora outro, numa coreografia hipnótica que dura todas as dezesseis músicas do (caprichado) setlist. Seu companheiro na gerência, 3D (Robert Del Naja, o caucasiano), não é tão carismático na performance, mas também sabe conduzir com propriedade uma apresentação de música eletrônica de baixa octanagem.

Os dois são os membros fixos, se valendo de colaboradores para fazer o negócio andar. Martina Topley Bird, uma das vocalistas da tour, abriu o evento no esquema banda-de-uma-mulher-só. Tocando todos os intrumentos, ela convenceu mais pela pose de gente boa do que pelo som, experimental e loucão demais para uma platéia que, claramente, não conhecia o negócio (eu inclusive). O ponto alto da breve apresentação foi quando a morena pegou a guitarra e mandou ver num riff pesadão, arrancando urros da boa parcela de metaleiros ali presentes. O público compareceu em médio número. As arquibancandas estavam fechadas, concentrando um bom volume de pessoal na pista. Mas todo mundo fez bonito, saudando até as canções menos incensadas dentre as incluídas ali.

É preciso lembrar que o Massive Attack, basicamente, inventou uma nova sonoridade. Apesar de Tricky (que passou pela banda) ter sido credenciado como “criador do trip-Hop” pela MixMag (com o disco Maxinquaye), a verdade é que ele já fazia tudo aquilo nos dois primeiros discos da banda, antes de sair em carreira solo. Por toda essa peculiaridade que circunda a banda de Bristol, não é exatamente estranho que eles abram o set logo com “United Snakes”, um b-side do disco novo, Heligoland. Ou é?

Não importa para 3D, Daddy G ou para o público ali presente. Todos os hits (“Teardrop”, “Angel”, “Unfinished Sympathy”) foram devidamente bem recepcionados, como manda o figurino. Mas bem mais que o repertório, o que conta ali é, para citar um termo típico do novo milênio, a convergência.

E o Massive Attack, tal qual a Madonna e seus três mil dançarinos coreografados, sabe armar um espetáculo. Letreiros jogados ali de forma aparentemente aleatória, que contavam problemas mundiais diversos (de espancamento de jornalistas latino-americanos até homens que saiam de casa e não voltavam mais), se misturavam sem problema com as batidas lentas e pesadonas das pick-ups manejadas pelos dois rapazes e seus asseclas. Ao invés de jogar um pano ao fundo do palco com o logo, como a maioria das bandas costuma fazer, o grupo desfilava o seu atordoante show particular de luzes LED. Dentre as logomarcas que pintaram no telão em Atlas Air, o ápice do show, consegui distinguir Facebook e General Motors. Quem lembra mais?

Enfim, sabe como é, né? Esse tal Massive Attack é fodão até fazendo jabá.

Setlist:
United Snakes
Babel
Risingson
Girl I Love You
Future Proof
Psyche
Mezzanine
Teardrop
Angel
Inertia Creeps
Safe From Harm
You Were Just Leaving
Splitting The Atom
Unfinished Sympathy
Atlas Air
Karmacoma

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