Girls mais mulherzinhas

“Hmmm, será que é bom? Eles estão muito deprê ultimamente…”, foi a resposta da amiga quando eu mandei o link de “Heartbreaker”, primeira faixa que os hippie-hipsters californianos Girls divulgaram do seu EP novo, Broken Dreams Club.

“Pior que é bom”, foi a reação dela após não resistir a dar o play. Os donos de uma das obras mais clássicas do NSFW contemporâneo, o clipe de “Lust for life”, do álbum Album (2009), estão com o som mais leve e o coração mais pesado. As seis músicas do novo EP lembram mais a segunda música mais conhecida do primeiro disco, “Hellhole Ratrace”.

A pouca variação das melodias deles é clara, mesmo num disco tão curto, mas isso já era evidente no trabalho anterior. Mesmo assim, Broken Dreams Club não tem cara de sobra ou trabalho só para fãs. Ele foi gravado em um estúdio caseiro e sem pretensão de ser um trabalho definitivo, como eles mesmos explicaram nessa simpática nota. Mas é um disquinho coeso, baseado em guitarras acústicas e um clima depressivo, mas menos angustiado e mais conformado com a tristeza.

“When i said that I love you honey / I knew that you would break my heart”, canta Christopher Owens em “Heartbreaker” (acima), talvez a faixa mais acessível que eles já gravaram. “Thee oh so protective one” e “Substance” também mostram o lado mais ensolarado do som da banda junto com o lado mais negro do coração de Owens.

Mas é “Broken Dreams Club” (abaixo) que dá, além do título, o brilho do disco. Ela tem o mesmo jeito de hino que “Hellhole retrace” e a vantagem de ser menos cansativa. A letra é cheia de sacadas simples e desconcertantes sobre a tristeza, como “I just want to get high / but everyone brings me down”, que, aliás, resume bem a existência do Girls.

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