Dexter 05×12 – The Big One

A quarta temporada acabou, mas o pessoal ainda acha que é necessário lembrar o quão foda foi o seu season finale. Mas é chato quando eles fazem isso soltando um season finale tão fraquinho como foi esse último. Na mais fraca das cinco temporadas de Dexter, o último capítulo não traz nenhuma grande reviravolta ou sequer um gran finale pra jogar tudo abaixo como já aconteceu. Se há uma grande tensão nesse episódio, ela fica toda por conta da cena em que Debra chega na cena do crime e topa (ainda que separada por uma cortina opaca) com Dexter e Lumen finalizando o serviço (sem piadinhas, gente). Mas mesmo essa cena poderia ter sido conduzida melhor, talvez mostrando um traço diferente de Debra. Seria legal ver ao menos algum personagem relevante se transformando nessa temporada. Algo mais do que aprender espanhol, quero dizer.

Quinn te viu, Quinn te vê.

Infelizmente optaram por situações sem quaisquer consequências no futuro. Uma cena boa, e por isso mesmo poderia ter sido estendida, foi a de Jordan Chase se vangloriando da sua habilidade de moldar as pessoas. Funciona até a personagem de Julia Stiles, que só conseguiu se tornar alguém forte depois de ter passado pelos horrores do sequestro e estupro. É uma interessante e polêmica abordagem, mas é rapidamente interrompida pela facada da ex-vítima no coração de Chase. Atingido o objetivo a que veio, Lumen some da série da mesma forma como entrou – pela porta dos fundos. Ela não oferece perigo ao Morgan ou a seu estilo de vida, ficando fácil nunca mais os escritores tocarem nesse assunto. Talvez a ponta solta da história entre Dexter e Quinn se torne algo no futuro, mas, pela forma como até sua prisão foi evitada, fica a impressão de que tudo foi esquecido e perdoado.

Além da falta de colhões dos escritores, vale ranquear aqui as bolas foras da temporada:

1ª – O sangue no sapato de Quinn – Tá certo, então vai que ele apenas se cortou fazendo a barba. Mas isso quer dizer que ele não poderia ser o assassino de Liddy? Pô, se for assim, tá fácil: é só andar com um vidrinho com o próprio sangue por aí e invalidar qualquer outra evidência, como o aluguel dos equipamentos, todas as ligações feitas por Liddy ou até mesmo o fato de Quinn ter apagado as chamadas de seu celular. Bem, talvez uma das explicações de Masuka (a melhor cena de toda a temporada) pudesse ajudar a isso fazer sentido.

2ª – Emily Birch – Como assim a mulher entra num rodízio de carnes em que ela é refeição principal, Jordan é o churrasqueiro e seus amigos estão com o guardanapo no colo e ainda assim ela opta por se tornar o animalzinho de estimação de Chase? Mesmo a síndrome de Estocolmo tem limites, galera. Fiquei intrigado e achei que eles explorariam isso, mas virou mais uma questão polêmica silenciada com a morte da personagem.

3ª – Dexter – Lumen conhece o serial killer. Quinn sabe, mas finge que não. Para alguém treinado a não deixar nenhuma ponta solta, nessa temporada, ele foi o mais relaxado possível. Ele liga prum serviço público, dá seu nome verdadeiro pro atendente e consegue informações sobre o Acampamento River Jordan. Em seguida, um carro é roubado e capota nesse mesmo lugar. Mais tarde Debra encontra e reporta o mesmo lugar pro departamento, mas ninguém parece investigar a fundo ou fazer qualquer conexão. E Dexter também não parece se importar muito com esse risco.

4ª – Departamento de Homicídios e Debra – Ok, foi a parte mais legal do episódio, mas olhemos para a imagem geral: os policiais não conseguem encontrar Trinity, deixando o serviço pro FBI, conseguem achar os irmãos dos crimes de Santa Muerte, mas matam o culpado e perdem uma testemunha em um fiasco de operação. Não conseguem identificar o assassino de Liddy, descobrem todos os estupradores e o líder depois que estão mortos e, quando Debra está diante da única oportunidade de honrar o salário que recebe, ela deixa o casal de vigilantes ir embora. Eu não sei quanto a vocês, mas se eu pagasse os impostos em Miami me sentiria muito lesado com a inépcia da polícia.

5ª – Lumen, a garota estepe – Não é muito difícil entender a empatia que Dexter sente por Lumen quando percebe que ela se torna “danificada” por conta de um trauma. Mas eles mudam o status de “empatia” para “em um relacionamento sério” mais rápido que um botão do Facebook. Se tivesse ao menos uma música de fundo e uma bebidinha envolvida, vá lá, né? Essa relação é desnecessária na história e acaba esvaziando um pouco a importância de Rita e com isso a grandiosidade do fim da temporada anterior. Preencher o posto de “ter alguém” dessa maneira me parece uma demanda muito mundana.

3 Comments

  • Rodrigo Medeiros
    On 17 de dezembro de 2010 13:00 0Likes

    Adiciona a 6ª bola fora: Cira Manzon é promovida a detetive quando ferra a Debra, que a apoiou nos primeiros episódios. Estava aí uma boa oportunidade para mais intrigas dentro do departamento.

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