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HQs da semana: 05 e 12 de janeiro

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17 de janeiro de 2011

Quadrinhos, Receituário

Aquela que seria, tecnicamente, a nossa primeira coluna sobre HQs do ano (a primeira coluna publicada em 2011 foi sobre a última semana de 2010), acabou não saindo por motivos de ressaca maior. Sendo assim, a coluna de hoje fica valendo por duas, e aproveito o intervalo e a ocasião para propor uma leve mudança no formato, agora um pouco mais livre.

A primeira quarta-feira de 2010 (a quarta é o dia em que os quadrinhos são lançados nos EUA) foi bem paradinha, com uns poucos títulos que merecem menção, como “X-Factor #213” (o título detetivesco dos mutantes da Marvel, escrito pelo irreverente Peter David) e “Irredeemable #21” (a versão psicopata do Superman, pelo clássico autor Mark Waid).

O grande destaque da semana é, infelizmente, negativo: desde que a edição especial “Steel #1” foi anunciada como o início da saga Reign of Doomsday, os fãs já antecipavam o fim do herói metálico da DC. De fato, essas sagas sempre parecem começar com a morte sangrenta de um personagem…

O autor estreante Steve Lyons, no entanto, parecia mais disposto a assassinar o personagem metaforicamente. A edição inteira é tomada por um pessimismo tenebroso, tanto por parte do protagonista (que já na primeira página aparece de joelhos, pensando “eu sabia que ia terminar assim”), quanto por parte de cada personagem secundário, figurante e transeunte inocente que aparece em cena (“oh, seu tio Steel foi enfrentar o Doomsday*? Meus pêsames…”).

Todo esse pessimismo parece extremamente fora de propósito, afinal, mesmo quando o Apocalypse era a grande ameaça que matou Superman e ainda não tinha perdido toda a sua reputação (antes de ser morto, clonado, transformado em herói, morto de novo e, pior de tudo, escrito por Jeph Loeb), Steel, protótipo do “bad-ass” (o cara é, basicamente, o Shaquille O’Neil com uma armadura high-tech e uma marreta enorme), nunca hesitou antes de confrontá-lo. Tudo bem que, da última vez, o monstro acabou matando ele. Mas isso não seria mais um motivo para o nosso herói pensar: “Ei, esse cara me matou quando ele era um fodão e eu estou vivinho e bem, não é agora que ele está decrépito que eu vou ter medo, né?”

Tudo isso se soma ao fato de que Lyons é mais um da longa lista de autores que nunca entenderam como funcionam os poderes do Doomsday, resultando em um começo terrivelmente deprimente para o primeiro crossover do ano.

Já a semana do dia 12 de janeiro trouxe um pouco mais de diversão para o fã de HQs. Entre os destaques está “Heroes for Hire #2”, que continua trabalhando bem com a fórmula que mistura “The Brave and The Bold” (o título que sempre traz team-ups inusitados entre os heróis da DC) e “Global Frequency” (a aclamada série de Warren Ellis, o criador do Planetary).

Além da revista dos Heróis de Aluguel, a Marvel coloca nas comic-shops mais uma edição de “Amazing Spider-Man” – um título que tem merecido a nossa menção desde a estréia do roteirista Dan Slott. A grande sacada da vez é o desenvolvimento do novo Duende Macabro, que vai se tornando cada vez mais um reflexo distorcido de Peter Parker: em sua identidade civil, ele até anda vendendo fotos de seu alter-ego para o Clarim Diário, como o Aranha costumava fazer!

Os destaques negativos vão, de novo, para a DC. A saída do roteirista J. M. Stracynski (que decidiu se dedicar exclusivamente à graphic novel “Superman: Earth One”) não foi o suficiente para salvar “Superman #707” do desastre. Nessa edição, o nosso herói (ainda caminhando pela “América”, em mais uma crise de consciência) se depara com um terrível dilema moral: denunciar uma fábrica que desrespeita leis ambientais e assim proteger a natureza (e a saúde dos habitantes da região), ou abafar o caso para proteger os empregos do povo da comunidade?

Ao invés de usar seus super-poderes ou seus contatos na Liga da Justiça para bolar uma solução genial que favoreceria todos os envolvidos (como faria o Super de “All-Star Superman”), o homem de aço prefere tomar o caminho mais fácil, optando por um curso de ação que faz até sua esposa questionar sua integridade. Devia ter se casado com o Bizarro, Lois. Atualmente ele está parecendo o mais esperto dos dois.

Outra leitura pavorosa é “Justice League: Generation Lost #17”. Quando a série quinzenal da Liga da Justiça Internacional foi lançada, parecia que a DC estava tentando se redimir junto aos fãs da LJI pela perseguição que os personagens vinham sofrendo nos últimos anos (entre as “baixas” dos últimos crossovers estava metade da equipe, parte da qual acabou ressuscitando depois). Passada mais da metade da série (que terá um total de 26 edições), não é mais o que parece.

O que parece é que o autor Judd Winnick quer se vingar da DC por ter transformado Max Lord em vilão durante a Crise Infinita (decisão que foi vista por muitos como “OOC”, ou “Out Of Character”, significando que o personagem estava agindo de modo incompatível com o que haviam estabelecido para ele até então). Em “JL: Generation Lost”, todos os personagens agem “Out Of Character”. Exemplo disso é a gentil Gelo, que não apenas teve sua origem alterada (desconsiderando completamente várias histórias da década de 90), como agora parece estar em um estado de constante TPM.

Mas quem recebe o pior tratamento do autor é o Besouro Azul. Não só a sua personalidade é completamente incompatível com o personagem (todos os personagens de Generation Lost se comportam como completos babacas, sendo que Guy Gardner, o único que era originalmente um babaca, não aparece na revista), como ele não apresenta os mesmos poderes que tinha em seu título mensal, e o autor chega ao ponto de errar o nome de alguns dos seus familiares.

“Generation Lost” até que tinha uma premissa interessante: a de que o vilão Max Lord havia apagado todos os traços de sua existência da mente de todos no planeta, e os membros da sua antiga equipe eram os únicos que se lembravam dele e que podiam combatê-lo. Mas a essa altura estou torcendo para que, no final, Max use seus poderes para apagar da mente de todos os leitores a lembrança de terem lido essa porcaria.

P.S.: Apesar dos desastres, as capas da DC para o mês de janeiro são bem estilosas, não acham?

* = É, eu sei que por aqui o vilão é conhecido como “Apocalypse”, mas eu prefiro manter o nome original pra ninguém confundir com o inimigo dos X-Men, que aqui é conhecido como “Apocalipse”, mas por lá se chama “Apocalypse”, também.

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