O Turista

Nossa avaliação

[xrr rating=2/5]

A frase “abusar da boa vontade do espectador” ganha novas dimensões com o filme “O Turista”. E olha que a idéia original parecia muito boa: uma comédia de espionagem com Johnny Depp e Angelina Jolie. E passada na bela Veneza! E com um diretor cult no comando da produção! Tinha como dar errado? Deu.

O filme até começa de forma interessante, criando uma atmosfera típica dos filmes europeus de espionagem dos anos 70. Até que Elise (Jolie) começa a relembrar (em off) tudo o que estava escrito em uma determinada carta lida no início do filme. Será que o diretor Florian Henckel von Donnersmarck acha que seu público não é inteligente o suficiente para entender o que se passa na tela?

Quando mais tarde o vilão da história está em um avião e descobre que seu alvo está em Veneza e diz “mudança de curso” e ainda completa “vamos para Veneza”, a resposta é que infelizmente o filme acha que, sim, seus espectadores são todos uns idiotas.

A premissa, que poderia ser muito divertida, é basicamente um jogo de gato e rato envolvendo Elise e seu antigo namorado, procurado pela Scotland Yard e também por um perigoso gangster por roubar milhões de libras. O plano é Elise encontrar alguém que se pareça fisicamente com seu grande amor (ninguém sabe como é o rosto do sujeito) e fazer todo mundo acreditar que o tal inocente é o ladrão que tanto procuram.

É aí que entra o turista Frank, professor de Matemática que cai nas garras da femme fatale. O personagem de Depp é o principal problema do filme. Apesar do bom timing cômico do ator em determinadas cenas (especialmente aquelas em que insiste em falar espanhol acreditando que está falando em italiano) Frank está longe de ser crível, e a forma passiva como responde a tudo que acontece à sua volta incomoda bastante.

Jolie está deslumbrante como tem que ser, e aproveita o mistério de sua personagem em “Salt” para repetir aqui as mesmas caras de paisagem. “O Turista” vai se mantendo em um ritmo bastante irregular que poderia até passar sem maiores traumas em alguma Sessão da Tarde. Mas eis que chega a grande reviravolta da história e… nada mais faz sentido.

Nada, nadinha, coisa nenhuma. Você repassa todo o filme na cabeça, força determinadas situações para aceitar aquilo, tenta lembrar de algo que não percebeu… Mas não adianta. É inacreditável que tanta gente competente tenha embarcado nesta gôndola furada.

O roteirista Christopher McQuarrie é o mesmo de “Os Suspeitos”, e é clara a influência do final de uma obra na outra. A diferença é que o filme de Bryan Singer possuía uma estrutura coesa e inteligente que permitia ao espectador encaixar as peças ao final e chegar a uma conclusão junto com os personagens do filme. Já “O Turista” entende que seu espectador é burro e vai engolir qualquer explicação que eles derem. E não dá para simplesmente acreditar em tudo que se diz. Mesmo que isso saia da boca de gente como Johnny Depp e Angelina Jolie.

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