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Malu de bicicleta

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5 de fevereiro de 2011

Cinema, Receituário

Avaliação: ★☆☆☆☆ 

Quanto dura o amor? Histórias de amor duram apenas 90 minutos”. É claro o falso ideal de relacionamento que compramos do cinema – onde tudo é mais fácil porque leva menos de duas horas. Eu prefiro pensar em quanto dura um caso de amor com um filme. Alguns são fugazes: apaixona-se durante a sessão, vai pra casa e se esquece. Outros você não percebe na hora, mas dias depois o sentimento brota e vai crescendo aos poucos. E há aqueles que são amor à primeira vista e ficam pelo resto da vida.

“Malu de bicicleta” foi um caso bastante específico. O longa não me ganhou de início. Quando parecia engrenar, dei uma chance e flertei um pouco. Para logo em seguida, perceber que ele era um canalha e sair do cinema nunca mais querendo vê-lo na minha frente.

Como lidar com um filme em que você não consegue ter nenhuma empatia pelo protagonista? “Malu” é um romance narrado todo do ponto de vista de Luiz Mário (Serrado). E se você não consegue “ficar” com ele, é como sair à noite com pessoas de quem você não gosta. O cara é um paulista mulherengo que, numa viagem ao Rio, é atropelado pela Malu (Freitas) de bicicleta e se apaixona perdidamente. Eles ficam juntos, ela se muda para São Paulo, mas Luiz começa a sofrer de um ciúme doentio. Caráter fraco e polígamo inveterado, ele passa a projetar nela suas falhas, defeitos e inseguranças, minando o relacionamento.

Malu de bicicleta.
Malu de bicicleta.

Não é uma questão de direção ou elenco. Flávio Tambellini entrega um trabalho acima do razoável e as atuações são, na maioria, convincentes. O problema está nas escolhas narrativas. Começando pela paixão fulminante que nunca se explica bem. O roteiro joga os dois protagonistas logo na cama com uma facilidade absurda e o fato é que a química entre eles nunca convence.

Além disso, Malu some no meio do filme para reforçar o distanciamento do casal e alimentar as suspeitas de Luiz. O que funciona para a história que Tambellini quer contar acaba sabotando o longa, já que ela é de longe a personagem mais interessante do roteiro. Sem ela, Luiz (e o filme) vai se transformando em um babaca machista e imaturo. Seu sentimento de posse infantil e os conselhos estúpidos dos piores “personagens-amigos” da história da comédia romântica o levam a cometer atrocidades que me deram vontade de sair do cinema várias vezes.

É difícil acreditar que Marcelo Rubens Paiva, autor do clássico “Feliz ano velho”, tenha escrito um roteiro com tantas frases-chavão e uma última cena tão ofensiva a quem (especialmente, mulheres) acompanhou o filme até ali. Depois de alguns escorregões em uma cena ou outra que perdem a oportunidade de ser geniais, esse erro final estraga tudo o que o longa pode ter desejado dizer. Por mais que seja colorido, leve, divertido e indie, “(500) dias com ela” é o retrato real de um relacionamento que “Malu de bicicleta” queria ser, só que mais maduro, satisfatório e bem resolvido.

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2 Comments For This Post

  1. Larissa Says:

    gosto demais do Rubens Paiva (além do que vc citou adoro Blecaute), por isso estava pensando em dar uma chance pro filme, mas depois desse trailer (meio feio esse Luiz Mário e a Malu lembra demais a Debora Seco – assim fica dificil dar credibilidade) e de seus comentários só se Cisne Negro ainda não estiver em cartaz na quarta ^^
    (ah, adoro essas suas reviews cheias de hiperlinks)

  2. Daniel Oliveira Says:

    Ei Larissa, minha experiência com esse filme foi tão pessoal que eu quase arrisco a dizer para você dar uma chance e me dizer depois o que achou. Talvez você goste. Enfim. Também gosto muito do Rubens Paiva. E valeu pelo “adoro” (também gosto de hiperlinkar as resenhas =). Abs.

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