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James Blake – James Blake

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23 de março de 2011

Homeopatia, Música, Receituário

Avaliação: ★★★★☆ 

Antes de tudo, antes mesmo de falar de todos os aqueles efeitos eletrônicos que permeiam o disco, é bom esclarecer que James Blake é um cantor. E como tal, ele ainda acredita, mesmo em tempos em que o povo acha SUPER cantar de má vontade, nas benesses de uma boa interpretação.

O exemplo mais contundente dessa percepção é “Never Learnt To Share”, em que Blake emula toda aquela vibe gospel de, ahn, “From Elvis To Memphis”, assim. Por mais que se insista em salientar o aspecto dubstep/ambient/minimal/whatever do negócio – e ele existe, no disco todo – é a voz do produtor inglês que sustenta as vigas do disco auto-intitulado.

Afinal, as letras são bem curtas. Mas não anódinas. Peguemos o segundo single do álbum, “The Wilhelm Scream”. É a melhor música do álbum, uma balada tão bonita quanto perfurante. Uma única frase perfaz quase toda a canção: “I don’t know about my dreams”. E, vamos concordar, é o tipo de coisa que você precisa se esforçar MUITO para entoar sem parecer um daqueles dubladores do Richard Gere.

E James Blake consegue. A interpretação do rapaz é extremamente convincente e suficiente para nocautear toda a sua resolução anual de otimismo, que ainda tá razoavelmente firme em março. No clipe, James Blake some e reaparece, encoberto por efeitos que recriam uma espécie de neblina, exatamente como na capa do disco. Ou seja: não é preciso muito para fazer com que seu clipe represente perfeitamente sua música, Lady Gaga.

Há uma vaga também para o soul clássico, representado em “Limit To Your Love”, o primeiro single, cover da Feist. Embora bem diferente do restante do álbum, que prioriza a música eletrônica de baixa octanagem, ela passa longe de ser uma espécie de tampão. E Blake volta novamente para espancar a sua consciência, afirmando que o amor pode durar tanto quanto uma queda d’água em slow motion, mas que sim, meu chapa, ele vai acabar. Não chega a ser um anticlímax: a música de Blake já é deprimida (ou “contemplativa”, vá lá) de nascença. As letras só seguem a coerência do forro que as reveste.

Blake, que parece ser um garoto gente fina, afirmou à revista Clash que o sucesso dos seus camaradas do xx facilitou a aceitação do seu trabalho por parte do público. Não se engane, James: seu disco dá um pau sólido em qualquer coisa do Jamie Smith.

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