Sem Limites

Nossa avaliação

[xrr rating=2.5/5]

Eddie Morra é um escritor com bloqueio criativo. Por acaso, reencontra o ex-cunhado que, sem muita explicação, oferece uma nova droga, chamada NZT. O que ela faz? Permite que Eddie use não apenas 20% do cérebro (como todos nós), mas atinja os 100%. O que começa a partir daí é uma vida sem limites, com o escritor terminando seu livro de um dia para o outro, lembrando de tudo que já viu, leu e ouviu na vida e fazendo dinheiro nos jogos de pôquer e na bolsa de valores.

A premissa de “Sem Limites” é até interessante como fantasia despretensiosa. O problema é que o filme dirigido por Neil Burger se leva mais a sério do que devia. Ao contrário de “Quero Ser Grande”, por exemplo, em que a “mágica” responsável pela transformação não importa, focando apenas em suas consequências, “Sem Limites” dá atenção demais à causa de tudo (ou seja, a NZT), e é aí que a coisa desanda.

O absurdo da história fica cada vez mais gritante a partir do momento em que o filme opta por um clima que pende mais para o realismo, preocupado em explicar tudo o que se vê na tela e na dependência perigosa do protagonista à droga. Se tivesse se assumido como pura fantasia, os furos do roteiro de Leslie Dixon não incomodariam tanto. A luta com golpes de Bruce Lee, por exemplo, só faz sentido se concebida em um universo fantasioso, caindo no ridículo pela ambientação realista.

- Já que você é tão inteligente, me explica aí o que é que eu estou fazendo nesse filme?                        - Nada pode ser pior do que Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família                                      - Touché.

Da mesma forma, a necessidade de explicar tudo o tempo inteiro obriga no telespectador a busca por mais respostas. Afinal, quem matou o cunhado? E a garota da festa? E como aquele final é possível? São muitas questões que ficam em aberto simplesmente porque ninguém se lembrou de responder. Ou “Sem Limites” foi tão editado que muita coisa ficou no chão da sala de corte, ou possui um dos roteiros mais displicentes já escritos.

Burger até que se esforça, conseguindo efeitos interessantes para expressar a recém adquirida genialidade do protagonista, com chuva de letras, câmera em alta velocidade, edição frenética e luzes à la “Uma Mente Brilhante”. Mas a história simplesmente não se sustenta, e a mão pesada do diretor dá ao filme um tom distinto da atuação de seu ator principal.

O jeito malandro e o sorriso cínico de Bradley Cooper fazem de Eddie um personagem carismático, mas que parece pertencer a outro filme, um mais leve e menos sério. Robert De Niro no piloto automático e pagando as contas também não ajuda muito. “Sem Limites” tem boas idéias e cenas de tensão bem construídas que podem até divertir em vários momentos. Mas o roteiro picareta somado à direção indecisa obrigam à suspensão da crença para conseguir se divertir. Ironicamente, “Sem Limites” foi sabotado pelas limitações de seus próprios criadores.

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