Meia-noite em Paris

Nossa avaliação

[xrr rating=4.5/5]

“Meia-noite em Paris” talvez arruíne aquela sua futura viagem à capital francesa. Depois dele, nem o momento mais espetacular às margens do Sena vai corresponder às expectativas criadas por este cruzamento de “Vicky Cristina Barcelona” com “A rosa púrpura do Cairo”.

O filme é uma declaração de amor turístico à Cidade das Luzes. Porém, o que Woody Allen retrata não é um cartão postal com o sex-appeal cruz-bardeniano, e sim um estado de espírito. Uma aura de nostalgia que sobrevive hoje como a alma – quase mágica – de Paris. “Meia-noite” não é sobre a história mítica da cidade, mas sim sobre como ela é vista por – e os efeitos que tem em – um visitante específico.

Ele é Gil (Wilson), um roteirista de cinema em crise existencial-alleniana, visitando Paris com a família da noiva, Inez (McAdams), ao mesmo tempo em que tenta finalizar seu primeiro romance. Enquanto ela prefere sair à noite com amigos pedantes, o protagonista descobre um portal e…

…Eu prefiro parar aqui. Para que você tenha a chance de mergulhar e experimentar esse universo pela primeira vez com Gil, da forma que o diretor imaginou. O que posso dizer é que o longa faz para a arte e a literatura do início do século XX o que “A rosa púrpura do Cairo” fez pelo cinema. Você não precisa obrigatoriamente compartilhar de todas as referências do cineasta para se apaixonar pela aventura do protagonista, pela paixão dele – e pelo filme, que mostra um Allen sonhador, leve e encantado pela mágica da ficção como há muito não víamos.

Acredite: você não quer saber quem são esses dois com ele... ou quer. Mas no cinema.

O estilo visual sóbrio e sem firulas do diretor continua o mesmo, com preferência por longas sequências em dolly para diálogos em locação e closes somente em cenas-chave, como quando Gil encontra seu ídolo literário pela primeira vez. Allen se resume a fotografar um universo mais plástico (no mau sentido) e sem vida para as cenas com Inez e seus pais, separando cores mais quentes e um amarelo-dourado para o universo fantástico desvendado pelo protagonista.

Como Gil, Owen Wilson se mostra um dos alter-egos mais confortáveis do autor, fazendo bom uso da sua expressão de cão sem dono para mostrar como o noivado é uma canoa furada que não o está fazendo feliz. Inez, aliás, é o único ponto fraco de um roteiro que possui cenas e diálogos sublimes proferidos por personagens inacreditáveis. A noiva e sua família são tão detestáveis (mas não inverossímeis) que fica difícil entender o que Gil teria visto nela. O cineasta aproveita o “núcleo” para fazer uma crítica ao conservadorismo norte-americano, que acaba desnecessária em um filme tão leve.

Mas o que importa aqui é Paris, à meia-noite, em 2010, em 1920. Não só um lugar, mas um tempo e, acima de tudo, um estado de espírito que você vai querer visitar e que vai te fazer ter coragem de sonhar de novo.

4 Comentários

  • Renné França
    Em 19 de junho de 2011 20:38 0Likes

    Ótimo filme. Excelente texto.

  • Albert
    Em 22 de abril de 2012 9:15 0Likes

    Este cineasta não tem nenhuma crítica dirigida a si mesmo.

  • Mikael
    Em 22 de abril de 2012 9:18 0Likes

    Artigo da Creative! Eu apostaria meu último dólar que você poderia falar sobre praticamente qualquer assunto de qualquer tipo de papéis paper writing ou material significativo apenas. Obrigado por tomar o tempo para publicar esta informação muito útil! Eu estive à procura de livros desta natureza para um caminho muito longo. Estou feliz que eu encontrei o seu.

  • Trackback: As Aventuras de Peabody e Sherman - Pílula Pop

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