Confiar

Nossa avaliação

[xrr rating=3.5/5]

“Confiar” tem sido mais comentado como “o filme do Ross de Friends”. Mas não se trata de uma comédia. É na verdade um drama dos mais pesados, daqueles incômodos de se assistir. E ah sim, tem uma bela direção do Ross de “Friends”.

David Schwimmer teve uma tarefa complicada ao tratar de um assunto tão delicado como a pedofilia (ele faz parte da direção da Rape Foundation). Mas apoiado por um roteiro bem elaborado, fez um trabalho elegante, não fugindo da polêmica e com várias sutilezas, utilizando movimentos de câmera e efeitos sonoros para contar sua história.

Tudo começa com uma garota de 14 anos que possui um amigo pela internet com o qual nunca se encontrou. Ela se apaixona e descobre que ele tem mais do que o dobro de sua idade, e quando se encontram, acaba sendo sexualmente abusada.

Schwimmer conduz tudo de forma a nos causar um incômodo crescente, uma sensação de desconforto que vai levar a uma inevitável tragédia. Mas é aí que o filme, até então focado na garota, muda de forma, concentrando-se em seus pais, vividos por Clive Owen e Catherine Keener. O desespero dos pais é palpável e o casal é a representação da destruição que aquele acontecimento causou em sua família. O arco do personagem de Owen é muito bem construído: o pai amoroso, mas ausente, que pouco aparece na primeira metade da projeção vai ganhando aos poucos mais espaço até dominar a tela em uma explosão de ódio, desespero e obsessão em pegar o homem que atacou a sua filha.

Os momentos de intensidade são o tempo inteiro cortados por uma calma aparente que constrange ainda mais, mostrando o chamado “elefante no meio da sala” que todo mundo vê, mas não quer falar sobre. Schwimmer faz isso muito bem, especialmente na cena da refeição em família em que se percebe como o assunto é evitado por todos, apesar de claramente presente.

Entretanto, “Confiar” peca pela tentativa de ser comercial com um assunto tão delicado. Há um suspense com direito a perseguição que soa descartável, uma tentativa de inserir ação em uma história que já é por si só emocionante e assustadora. Mas o diretor segura a narrativa com habilidade, acompanhando a jornada que na verdade trata da relação entre um pai e sua filha e nos faz questionar uma série de verdades pré-concebidas. Não é um filme fácil. Mas vai te deixar pensando por um bom tempo.

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