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Entrevista: Marcelo Adnet

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14 de outubro de 2011

Cinema, Ressonância

Marcelo Adnet é um cara engraçado. Para a entrevista de divulgação do filme “O Zelador Animal” (em que dubla cinco personagens), a nova revelação do humor brasileiro já chega brincando, dizendo um “Brazil??” cheio de sotaque norte-americano. E ele não para. Conversa usando as vozes dos animais que faz no filme, imita o carioquês da jornalista Leilane Neubarth, conta como seria a voz verdadeira de um elefante e até arrisca uma explicação para as formas como o sotaque pode compor um personagem: “Um discurso com o ‘s’ chiado impõe uma informalidade maior. Discurso sem o ‘s’ chiado já é mais formal”. Sempre simpático, ele falou sobre o trabalho de substituir as vozes de Sylvester Stallone, Adam Sandler e Nick Nolte (o filme só foi lançado no Brasil em cópias dubladas). E se revelou muito mais divertido do que o filme que dubla.

O filme

A primeira vez em que vi O Zelador Animal foi de manhã, sem legendas, em inglês. E eu ri muito com a primeira cena! Não é um filme só para o pai levar o filho pra ver animal falando. Acho que é um filme que tem uma força de adulto e infanto-juvenil também, então pode ir a família toda.

Sobre a dublagem, o ponto de partida do original foi preservado e a partir daí foi só brincar. Os ursos foram onde eu consegui imprimir um pouco mais de marca, que mudou mais em relação ao original. O elefante foi muito divertido, porque ele tem medo, é tímido e inseguro. O mais difícil acho que foi o gorila, porque ele tem uma curva no filme, vai da depressão até a euforia. Sua voz era difícil porque vem do peito. Cheguei ao final do dia com a garganta doendo.

Dublagem

Dublar não é só fazer a voz, é muito mais do que isso. É compreender o personagem. Tem uma coisa de teatro mesmo, compreender de onde ele veio e quem ele é. É cheio de sutilezas.

Este foi o meu primeiro trabalho de dublagem de verdade. E fiquei muito feliz com isso, uma nova modalidade de trabalho que gostei de fazer e me diverti muito. Mas pensei: ‘será que dou conta do recado?’. Tive muita ajuda, é um trabalho muito em equipe, com muitas regras. Então você não pode pirar e improvisar direto. Sou novato nisso, não sabia se o resultado estava bom ou não. Mas tem coisas que eu me surpreendi, não me ouvi: ‘Caramba, fui eu mesmo que fiz isso?’. De repente, se não contassem, não dava pra perceber que sou eu quem dubla todos os animais.

Humor

Hoje o humor contaminou tudo. Quer vender um produto? Tem que ter humor. O professor para fazer o aluno entender a matéria precisa ser engraçadinho também.

Notei que podia ganhar a vida com isso na primeira vez em que subi num palco. Eu via horário político aos sete anos de idade e gostava de imitar os políticos. Eu era um menino até tímido, que gostava de imitar os outros, mas nunca pensei que fosse seguir o caminho profissional.

Vou fazer mais trabalhos com cinema daqui pra frente. Quando você abre as oportunidades e o campo de ação, você fica mais seguro. Mas também é preciso saber parar e fazer escolhas. Você tem que ter um pouco de saúde familiar, tempo livre. Descobri que sou viciado em sol. É preciso pensar a dimensão da vida pessoal com o trabalho.

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