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HQs da semana: 19 de outubro

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25 de outubro de 2011

Quadrinhos, Receituário

Na coluna de hoje vou falar da edição final de “Fear Itself”, o grande crossover do ano que envolve os principais personagens do universo Marvel. Fiquem avisados que a crítica da edição contém spoilers, então se não quiser saber detalhes da saga, pare de ler depois deste parágrafo. Por outro lado, todos os spoilers que vou citar aqui são surpresas que já foram estragadas pela Marvel semanas ou meses atrás em sua péssima campanha de teasers, e esse é outro assunto que vou abordar hoje.

É impossível falar de “Fear Itself #7” sem analisar a saga como um todo. Agora, após a conclusão, podemos olhar para trás e perguntar: será que foi uma boa história? Se olharmos pelo quesito técnico, a resposta é “sim”. Matt Fraction é um ótimo roteirista, e se não é um dos melhores da atualidade, é porque ele é um daqueles caras que tem uma “voz” muito particular, o que às vezes faz com que alguns personagens soem “OOC” (Out of Character, que é o que dizem quando alguém “sai do personagem”). Embora Fraction brilhe quando escreve personagens criados por ele, na hora de mexer com as franquias Marvel ele às vezes tropeça. Seu Tony Stark é divertidíssimo, mas seu Thor é meio esquisito, e o Capitão América escrito por ele é quase bizarro.

No que diz respeito à arte não há do que reclamar. Stuart Immonen criou uma das revistas mais belas do ano, e uma grande parte do crédito vai, sem dúvida, para a experiente colorista Laura Martin. As composições de Immonen dão um caráter extremamente cinemático ao título, que parece algo como um filme do Michael Bay em quadrinhos (só que com história e personagens).

O grande problema de “Fear Itself” é que, apesar de toda a qualidade técnica, a saga não empolga. O leitor encara cada uma das sete edições com uma forte sensação de déjà vu, como se virasse cada página pensando: “eu já li isso antes…” Em parte a causa disso é a história ser muito semelhante à de “Blackest Night”, o crossover recente da Distinta Concorrência.

Temos um exército de heróis e vilões controlados por armas semelhantes à de um herói clássico (os “dignos” e seus martelos mágicos/os Lanternas Negros e seus anéis de poder) como adversários.

Temos um vilão que se liberta após milênios aprisionado (o Serpente/Nekron), abala a confiança dos heróis ao revelar podres do passado das figuras de autoridade cósmicas (Odin/os Guardiões do Universo), e ainda por cima usa uma foice e se alimenta das emoções provocadas por seus lacaios.

E temos os heróis lutando desesperadamente até que conseguem um upgrade na forma de armas semelhantes às do inimigo, com direito a uma mudança no visual que com certeza serve principalmente pra vender bonequinhos.

Nenhum desses elementos é extremamente original, mas o modo como “Fear Itself” copia a mesmíssima fórmula usada pela concorrência dá um gostinho amargo à leitura. E podemos até argumentar que “Blackest Night” era melhor, porque tinha zumbis. E sabemos que tudo fica melhor com zumbis.

E ao menos “Blackest Night” trazia surpresas a cada edição. Em “Fear Itself” cada um dos “acontecimentos marcantes” da trama foi revelado de antemão pela editora, em sua campanha de “teasers”. Só que ao invés de “teasers” eram spoilers: sem ler nenhuma edição o leitor já ficou sabendo da identidade dos “dignos”, da morte de Bucky na terceira edição, da destruição do escudo do Capitão América, da existência e identidade dos “poderosos” (os heróis armados com o equipamento mágico feito por Stark e Odin), e até da morte do Thor no final. Sobraram uma ou outra surpresas menores que não vou mencionar aqui pra não piorar as coisas, mas que não fazem valer a pena a leitura. Quando “Fear Itself” não é avacalhado pelo tiro no pé dado pela própria editora, sofre com a própria previsibilidade.

Se tudo isso não fosse o suficiente para tirar completamente a graça da edição final, ainda por cima a editora decide usar a saga como “propaganda” de novos títulos e minisséries, com epílogos criados por artistas e escritores convidados, gerando uma mistureba que tira todo o peso dramático que a revista ainda tinha, e deixa o leitor se sentindo traído. Quem assistiu a “Capitão América: O Primeiro Vingador” e ficou com a sensação de que o filme só existia pra ter aquele trailer dos “Vingadores” depois dos créditos sabe do que estou falando. A diferença era que o filme era bom e ficamos todos empolgados com “Os Vingadores”, enquanto que as novas séries anunciadas em “Fear Itself” parecem tentativas baratas de arrancar cada centavo do hype construído em cima da saga.

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