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Pilulista HQs do ano: 2011

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4 de janeiro de 2012

Overdose, Quadrinhos

Em vez da nossa análise usual dos destaques da semana no mundo dos quadrinhos, aproveitamos o embalo das comemorações do final do ano para fazer um balanço dos principais destaques de 2011. E como todo mundo adora uma lista, vamos fazer logo de uma vez um Top 10, começando por baixo.

#10 – Amazing Spider-Man

2011 foi o ano em que Dan Slott finalmente colocou em prática os grandes planos que tinha em relação ao Aranha. Vimos Peter desenvolver novos relacionamentos pessoais e profissionais, com destaque para o novo emprego nos Laboratórios Horizon, a nova dinâmica com J. Jonah Jameson, agora prefeito de Nova York, e a ralação do aracnídeo para equilibrar tudo isso com participações nas equipes dos Vingadores e do Quarteto Fantástico. “Amazing Spider-Man” merece um lugar nesta lista não porque oferece algo particularmente espetacular, mas porque garante boas leituras com consistência e quantidade – temos sempre duas edições por mês!

#9 – Avengers Academy

O título da equipe adolescente de Vingadores em treinamento dá uma aula, com o perdão do trocadilho, nas outras dúzias de títulos da franquia. Isso porque o roteirista Christos Gage não investe na combinação insossa de falatório e explosões que parece ser a norma nas revistas estreladas pela equipe principal, mas sim em uma fusão perfeita das tramas absurdas típicas das estórias de super-heróis e temáticas reais difíceis. Seja ao retratar o modo como a equipe lida com um caso de violência contra a mulher, ou mostrando a luta de alguns personagens para assumir uma sexualidade que escapa do padrão, Gage conseguiu abordar questões polêmicas com uma delicadeza raramente vista nas HQs do gênero.

#8 – Wolverine and the X-Men

Pode ser meio cedo para julgar, já que o título acaba de chegar na sua terceira edição, mas o fato é que a reinvenção da Escola Xavier (agora chamada Escola Grey) para Jovens Superdotados surpreendeu e agradou muita gente. Parecia que colocar Wolverine no comando da escola era só mais uma tentativa de lucrar em cima da popularidade do mutante canadense, mas o fato é que acabou se mostrando uma maneira de retirar Logan de sua zona de conforto tradicional (a velha fórmula de estórias chupada do mangá do Lobo Solitário). Além disso, o título atingiu uma combinação perfeita entre os melhores elementos da “Geração X” e da fase de Grant Morrison em “Novos X-Men”, e nos fez gostar de personagens pra quem até então não dávamos a mínima.

#7 – Wonder Woman

Ao mesmo tempo em que fica difícil julgar os “Novos 52” da DC, que chegaram apenas em sua quarta edição em dezembro, também seria injusto não trazer nenhum título da reformulação do Universo DC para este Top 10. “Wonder Woman” fica com a vaga por dois motivos. Primeiro, porque era talvez o título para o qual se tinha a maior expectativa. Quem conhece o trabalho do roteirista Brian Azarello estava morrendo de curiosidade para saber o que ele faria com a amazona. Em segundo lugar, porque o título conseguiu a façanha de satisfazer essa expectativa muito bem. Fora a polêmica a respeito da indecisão dos editores em colocar ou não calças na Mulher Maravilha, “Wonder Woman” agrada porque enriquece o universo da heroína investindo naquilo que ela tem de mais legal: sua ligação com a mitologia grega. E se Diana não está tão diferente assim da sua versão “tradicional”, os deuses do panteão helênico ficaram muito mais peculiares e interessantes.

#6 – Ultimate Comics Spider-Man

Substituir um personagem querido por outro é sempre algo problemático, mas Brian Bendis conseguiu criar um sucessor à altura de Peter Parker. Muito se discutiu sobre o jovem Miles Morales ser negro e de ascendência latina, mas o que importa mesmo é que ele é um personagem com o qual o leitor simpatiza instantaneamente. Bendis pode não ser o escritor ideal para grandes grupos de personagens variados e esquisitões, como é o caso dos Vingadores, mas na hora de escrever diálogos para crianças e adolescentes, ele é melhor do que ninguém. E, é claro, uma porção enorme do crédito deve ir para a desenhista Sarah Pichelli, que faz deste um dos títulos mais belos da atualidade, e torna o mundo do novo Homem-Aranha verossímil e atual.

#5 – Fables

A revista das “Fábulas no Exílio” merece figurar em qualquer Top 10 de quadrinhos que se faça desde o ano em que primeiro foi publicado. Escrita por Bill Willingham e desenhada por Mark Buckingham, o título conseguiu em 2011 a proeza de ultrapassar as 100 edições mantendo um nível de qualidade altíssimo e muito consistente. A edição especial #100 mostrou uma das melhores batalhas já vistas em HQs – o que é uma façanha ainda mais impressionante se considerarmos que não é um título de super-heróis. Mas aí a coisa desandou um pouco quando o autor resolveu tirar onda com o gênero super-heróico, e só na segunda metade do ano “Fables” voltou à sua forma de sempre, com um arco de histórias focado nos filhotes da Branca de Neve e do Lobo Mau. Colocando as coisas assim, parece que se está falando de um título infantil, mas a verdade é que “Fables” é uma das revistas mais inteligentes sendo publicadas hoje…

#4 – Chew

Um título que promete ir pelo mesmo caminho de “Fables” é o bizarro e engraçadíssimo “Chew”, criado por John Layman e Rob Guillory. Também não é uma HQ de super-heróis, embora alguns de seus personagens tenham estranhos “super-poderes” de natureza culinária: o protagonista Tony Chu, por exemplo, consegue obter psiquicamente informações de qualquer alimento que ingere (exceto beterrabas). Em 2011 descobrimos que Chu está se afundando cada vez mais em uma conspiração que envolve traficantes de galinhas, vampiros e mensagens alienígenas escritas em grandes letras flamejantes no céu. O título mereceria esta posição só pela “brincadeira” de lançar a edição #29 entre as edições #18 e #19: focada em uma personagem cujo poder é o de “enxergar” visões do futuro, a edição nos deu um gostinho do que vai acontecer em algum ponto de 2012, e deixou muitos leitores salivando…

#3 – Nonplayer

“Nonplayer” é um fenômeno. A estória a respeito de uma garota que passa os dias imersa em um mundo virtual no qual ela é uma guerreira formidável foi criada pelo artista estreante Nate Simpson, e bastou a primeira edição ser lançada para lhe render um contrato com a Warner Bros. para transformar o título em filme. O problema é que, devido a um ferimento na mão, a revista ficou só na primeira edição em 2011. Mesmo assim “Nonplayer” é uma HQ tão bonita, tão brilhantemente executada, que mesmo com o adiamento por tempo indeterminado das próximas edições ela merece figurar perto do topo da lista, e teria certamente faturado o primeiro lugar não fosse esse infortúnio.

#2 – Flashpoint: Batman – Knight of Vengeance

A mini escrita por Brian Azarello e desenhada por Eduardo Risso parecia seguir a receita da HQ ruim: tem dois subtítulos, conta uma estória tipo “Túnel do Tempo”, e é um título secundário relacionado a um dos grandes crossovers do ano. Mas quem superou o preconceito e confiou na capacidade da equipe criativa não se arrependeu, e acabou levando para casa uma estória digna de ser comparada com clássicos do homem-morcego como “O Cavaleiro das Trevas”, “Batman – Ano Um” e “Asilo Arkham” (a graphic novel, não o game). “Knight of Vengeance” narra o drama de um Batman que, nessa realidade alternativa, não é Bruce Wayne, mas um sujeito ainda mais atormentado pela culpa do que o herói do “nosso” universo. Este Batman está preso em um círculo vicioso com uma versão do Coringa (também bem diferente daquela que conhecemos), cuja resolução foi provavelmente um dos momentos mais tocantes das HQs do ano.

#1 – Daredevil

Mark Waid assumiu uma missão ingrata: escrever uma nova revista do Demolidor que não apenas tinha a missão de reconquistar os leitores afugentados pela pavorosa saga “Shadowland”, como também tinha de fazer jus às longas e aclamadas fases de Ed Brubaker e Brian Bendis. E ele não só cumpre a missão com louvor, como ainda tem o mérito de fazê-lo invertendo completamente a “fórmula” do personagem. O Matt Murdock do novo título não é o homem amargurado que tem o mundo inteiro contra ele, mas sim um sujeito que sabe que do fundo do poço só se pode ir para cima. O Demolidor de Waid é efetivamente um homem sem medo, um herói positivo e ousado ao absurdo – e ainda assim é o Demolidor que conhecemos, já que todas as histórias são tecidas ao redor de dois aspectos particulares do personagem: sua atuação como advogado e a maneira particular como ele percebe o mundo através de seus super-sentidos. O mérito, é claro, não é só de Waid, já que Paolo Rivera e Marcos Martin complementam os roteiros com arte magistral: basta observar a capa da edição #1 ou a do #4, ou mesmo a fantástica página inicial da edição de estréia, que resume com perfeição a origem do protagonista. A equipe criativa de “Daredevil” conseguiu algo que parece até contraditório: injetando uma boa dose de nostalgia, alcançaram um resultado que só pode ser descrito como refrescante.

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8 Comments For This Post

  1. Guerrinha Says:

    Ok, não é de heróis, mas eu colocaria direto no topo o Daytripper, dos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon. Foi um dos quadrinhos mais incríveis que li nos últimos tempos.

  2. Guerrinha Says:

    P.S.: E achei legal demais ter rolado essa lista. Espero que, como a de séries, seja a primeira de muitas. Quem sabe não aparece por aí uma de livros, hein?

  3. Filipe Says:

    Guerrinha, Daytripper realmente é ótimo, mas foi originalmente publicado em 2010, por isso não entrou na lista.

    Mas é claro que tem muita coisa boa por aí, especialmente em matéria de HQs independentes, que não entrou simplesmente porque eu não tive a chance de ler…

  4. caio Says:

    vc n gosta mesmo do Remender, né?

    Uncanny X-Force é muito boa, deveria estar no top 10, sem contar o Venom.

  5. Filipe Says:

    Cara, não tenho nada contra o Remender. Até gosto bastante do Venom, se fosse um top 20 certamente entraria. Mas não entendo muito bem o que tanta gente vê em Uncanny X-Force. Até acho que o título começou bem, mas as edições publicadas em 2011 são pra mim só médias…

  6. William Alves Says:

    Porra, minha hq preferida lançada em 2011 no país foi, sem pestanejar, Ghost World (do gênio Daniel Clowes). E eu também puxaria Fables mais para perto do topo.

  7. Gustavo Martins Says:

    Eu colocaria Fábulas no topo. Gostei das dicas, vou correr atrás de Chew e Nonplayer. Valeu, Filipe! Em tempo: o Remender é ruim pra cacete!

  8. Campa Says:

    Bela lista e ótimos comentários. Boa, Filipe!

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