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Bombay Bicycle Club – A Different Kind of Fix

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24 de fevereiro de 2012

Música, Receituário

Avaliação: ★★★☆☆ 

Após o hype da estreia, com “I Had the Blues But I Shook Them Loose”, o Bombay Bicycle Club parece ter tentado escapar do desafio da “maldição do segundo disco”, refugiando-se num álbum acústico. “Flaws” desligou as guitarras vibrantes do debut e apostou em canções delicadas e intimistas. A responsabilidade por mostrar a que o grupo inglês realmente veio acabou caindo no colo do terceiro lançamento. “A Different Kind of Fix” une as guitarras do primeiro disco, agora bem mais contidas, ao clima intimista do segundo, tudo envolto em camadas sonoras mais densas.

No novo álbum, talvez mais do que nos outros, o clube da bicicleta de Bombay fica no meio do caminho de suas pretensões. É notável o esforço por envolver e arrebatar o ouvinte, em faixas como “How Can You Swallow So Much Sleep” e o primeiro single “Shuffle”. Mas as boas ideias (e há muitas delas ao longo do disco) se perdem em meio a músicas que repetem uma fórmula composta por vocais etéreos, bateria comportada e leveza meio forçada, num equilíbrio tedioso que cresce na medida em que tudo parece dar voltas sobre o mesmo ponto, sem chegar a lugar nenhum.

Não à toa, as melhores músicas do álbum são as que abandonam esse círculo vicioso. “Bad Timing”, por exemplo, é um rock certeiro e sem firulas. “Leave It”, o maior acerto do disco, se deixa guiar pelo baixo vibrante e pelos incisivos vocais femininos do refrão. Já “Lights Out, Words Gone” possui uma tristeza insinuante e tropical, embalada por uma guitarra dançante, enquanto a beleza singela de “Beggars” supera os melhores momentos de “Flaws”.

Em outras faixas, no entanto, o Bombay soa perdido, imerso em tentativas de evocar bandas como Arcade Fire e Sigur Rós. As camadas sonoras de músicas como “Favourite Day” parecem estar lá apenas para preencher um espaço vazio de ideias. Já “What You Want” e “Fracture” são interessantes a princípio, mas se perdem em incursões infelizes, que se prolongam além do necessário e tornam a audição arrastada.

Não que o problema do Bombay seja grave. Assim como a arte da capa de “A Different Kind of Fix” (na qual é possível enxergar dois rostos ou um castiçal) sugere, é possível haver olhares bastante distintos sobre algo, dependendo do modo como se observa. Talvez, para que o grupo finalmente lance um grande disco, falte apenas acertar o foco.

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