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Show: Criolo @ Music Hall – Belo Horizonte

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28 de março de 2012

Música, Overdose

Se você acha que o RAP está na moda, acertou. Mas é quase vintage. O gênero chegou ao Brasil no começo dos anos 80. Poucos anos depois, em 1989, o paulistano Kleber Cavalcante Gomes, morador do bairro Grajaú, se interessou pelo microfone. Kleber foi Criolo Doido, o pai da Rinha de MCs. Hoje é simplesmente Criolo, dono de um dos discos mais elogiados de 2011 e tem uma das agendas mais recheadas de 2012. Criolo não facilitou nada entre “morro e asfalto” ou entre a música brasileira e o RAP. O caminho já existia, existem muitos talentos antes dele, mas a bola da vez é sim, o Criolo.

O samba, rap, jazz, funk e bolero do Criolo Doido - foto: Janaína Barbosa
O samba, rap, jazz, funk e bolero do Criolo Doido - foto: Janaína Barbosa

23:00 o Julgamento colocou seu quase time de futebol no palco. Dois DJs, um bateria, 3 MCs e muita vontade de fazer rima de qualidade. Porém, o show foi curto e com um final bizarro (melhor palavra que encontrei). A produção (do evento) deu uma de Peter Gabriel e simplesmente CORTOU o som da mesa no fim durante a última música do Julgamento. Isso mesmo. Cortaram microfone e mesa, com os caras no palco durante a letra. A minha pergunta foi “Mas, pode?” Isso no meu dicionário se chama falta de respeito (no mínimo). Ninguém deu explicação, simplesmente acabou assim, sem esperar a última música terminar. Não é só em SP que não existe amor. “Parabéns” à produção do evento.

Mandando papo reto por linhas tortas.
Mandando papo reto por linhas tortas.

Show do Criolo, um hit atrás do outro. Sim, Criolo, o RAP também tem hits, admita isso, meu caro amigo. Pelo menos temos bons exemplos na linha de frente. Pouco mais de uma hora de show (00:35 – 01:41), 15 músicas, sendo a maioria do álbum Nó na Orelha (segundo disco do rapper). Criolo cantou Mariô, Sucrilhos, Subirusdoistiozin, Samba Sambei, Para Mulato, “Freguês da Meia-Noite” (nesse momento citou a manifestação de apoio ao Zilah e exibia a faixa vermelha no braço direito), Cálice, Não existe amor em SP (momento orgasmo do público), Lion Man, Grajauex, Ainda há tempo, Linha de frente, Vasilhame, Bogotá _ e o esperado bis. Noite de casa cheia no Music Hall. Moças, rapazes, playboys, rappers de verdade, rappers de boutique, jornalistas, músicos, quem nunca ouviu falar, quem cola na MTV, quem escuta rádio, a turma do Duelo de MCs e quem foi por curiosidade. Não importa, fizeram até coro em “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci” e “é som de preto, de favelado, e quando toca ninguém fica parado” (acho que foi nessa hora que mandei uma espécie de rabisco/retrato do Criolo e seu chapéu de marinheiro (?) em meu bloquinho).

Apesar da produção do evento vacilar muito, o show foi profissional. Boa qualidade técnica, banda redondinha no palco (senti falta do Curumim na bateria) e muita energia. E pensar que o cara cogitou parar com a rima, na véspera do lançamento de Nó na Orelha. Nesse caso, a falta de amor em SP ajudou, muito.

Até a volta Criolo.

Colando sem arrastar - foto: Janaína Barbosa
Colando sem arrastar - foto: Janaína Barbosa

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