Show: Morrissey @ Chevrolet Hall – Belo Horizonte

A quarta quente do verão belo-horizontino tinha tudo pra não dar em nada. Normal: calor, suor, reclamar da roça. E eis que o Sr. Morrissey, indisposto a pegar mais um voo, resolveu trocar a brisa mais fresca (sem trocadilhos infames, leitores gaúchos) de Porto Alegre e agraciar os mineiros com sua melancolia britânica.

Um tantão de Morrissey... (Foto: Artur de Leos)
Um tantão de Morrissey... (Foto: Artur de Leos)

Após uma apresentação esforçada da diva-ainda-que-desconhecida Kristeen Young – recebida de maneira morna pela plateia – e uma série de clipes vintage, o inglês entra no palco com a empolgante “First of the Gang to Die”, do disco “You Are the Quarry” (2004). Com a casa cheia – para os Padrões Mineiros de Eventos Culturais – e o público na mão, Morrissey não teve muita dificuldade em empolgar. Mesmo que muitos não conhecessem a fundo sua carreira solo, vira e mexe os primeiros acordes de uma velha conhecida do The Smiths surgiam no palco e eram recebidos com gritinhos efusivos da plateia.

Esbanjando uma segurança de quem tem lá seus 30 anos de estrada, o ex-Smith soltou os obrigatórios “obrigados” em português, declarou uma felicidade esquisita que o fazia pensar em suicídio e provocou o público: “Vocês gostariam de escolher a próxima música? [pausa para o efeito] Bem, vocês não podem!”

Sacana, drama queen, diva. Seja qual for o rótulo, poucos foram os motivos para achar o show ruim. Mesmo quando a coisa ficou apelativa demais durante a música/manifesto “Meat is Murder”, em que o telão mostrava o abate dos animais preferidos na hora do almoço e muita gente tapou os olhos, na soma dos fatores, os belo-horizontinos pararam de reclamar do calor, da roça, e foram só sorrisos e êxtase por cerca de uma hora e meia.

... e um pouco de Smiths, pra quem sentiu falta.
... e um pouco de Smiths, pra quem sentiu falta.

É claro, sempre vai ter quem queria aquela específica do The Smiths e voltou pra casa sem. Cada um tem sua preferida não tocada (a minha foi Panic), mas as reclamações da falta de canções do antigo grupo de Morrissey são derrubadas quando a soma é feita. Das 19 tocadas, 6 (praticamente um terço!) eram sucessos da banda (ver setlist ao final do post) e foram as responsáveis pelos pontos altos do show. Delírio completo quando tocaram “There’s a Light That Never Goes Out” (já hit, mas eternizada pela cena do elevador no romance indie 500 Dias com Ela) e “How Soon Is Now”.

Deixada para o bis, “One Day Goodbye Will Be Farewell” encerra o espetáculo e manda todo mundo pra casa com um sorriso largo de fora a fora. Assim sendo, os porto-alegrenses que me perdoem, mas a mudança de planos do cantor foi só alegria aqui na terra das alterosas. Mas se acharem injusto e quiserem trocar a nossa sorte eventual pelo MECA Festival, estamos abertos a negociações (sem trocadilhos infames, leitores gaúchos).

 

 

Morrissey Setlist Chevrolet Hall, Belo Horizonte, Brazil 2012, 2012 South American Tour
Morrissey Setlist Chevrolet Hall, Belo Horizonte, Brazil 2012, 2012 South American Tour

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