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Sombras da Noite

por

21 de junho de 2012

Cinema, Receituário

Dark Shadows

EUA, 2012

  • Dir: Tim Burton
  • Elenco: Johnny Depp, Eva Green, Helena Bonham Carter, Michelle Pfeiffer, Chloe Moretz

Avaliação: ★★★½☆ 

“Sombras da Noite” não é uma comédia, apesar de ter sido vendido como tal. O filme é, como o seriado inglês setentista que o inspirou, um melodrama sobre uma aristocrática família interiorana. Em resumo, um novelão, uma espécie de “Dallas” com vampiros e bruxas. O problema é que seu diretor, Tim Burton, foi com sede demais ao pote (ou pescoço).

A série tinha muitos personagens e inúmeras subtramas com tempo de sobra para desenvolver.  Mas aquilo que funciona a conta gotas semanais vira uma verdadeira bagunça quando compactado em duas horas de filme. A história segue Barnabas Collins (Depp), um vampiro amaldiçoado (e não são todos eles?) que após 200 anos aprisionado consegue se libertar em plena década de 70, quando vai em busca de sua família e da vingança contra a bruxa que o condenou (Green). O arco dramático do vampiro se adaptando aos anos 70 é hilário (e foi bastante explorado nos trailers) e podia muito bem ser o carro-chefe da trama. Mas tentando explorar todo o potencial de sua história, Burton se perde nas relações de Barnabas com seus familiares, e em situações dispensáveis envolvendo lobisomens e uma mãe fantasma.

A tentativa de emular o clima da série rende um filme que é uma mistura de gêneros. O estúdio optou por vender como comédia, mas poderia ser terror, suspense ou dramalhão. Está tudo lá, não exatamente bem equilibrado, mas muito bem produzido. Burton faz um filme B que mistura Ed Wood e Jess Franco com referências a “Nosferatu”, “O Exorcista” e “Dr. Gogol”. Como de costume, o diretor usa as cores do cenário e dos figurinos para demonstrar o estado de espírito de seus personagens, embalado por uma trilha rock n’ roll que é uma atração à parte. Pena que tudo desande no final, quando “Sombras da Noite” assume um tom que não tem a ver com o restante do filme.

Apesar de Depp continuar no estilo Jack Sparrow de atuação, seu Barnabas é carismático o suficiente para carregar o filme como uma espécie de Michael Jackson pré-vitoriano (e é uma pena que as legendas ignorem o formalismo no jeito de falar do personagem, algo que provavelmente também ocorrerá na dublagem). O resto do elenco acompanha o tipo de atuação não-realista, apesar dos outros personagens serem mal desenvolvidos e com personalidades flutuantes. É esta mistura irregular que origina uma produção curiosa, divertida, mas hermética.

Tim Burton fez seu filme mais pop e o menos popular. Explico: seu humor negro continua afiado, mas todas as referências necessárias para a apreciação da obra são um sintoma de que “Sombras da Noite” tem dificuldades de se sustentar por si só. A compreensão do contexto sócio-cultural do início dos anos 70 é fundamental para boa parte do arco de Barnabás funcionar, assim como algum conhecimento da série que o inspirou. A mistura de gêneros, apesar de interessante, pode ser confusa para quem espera uma diversão tradicional e o tom farsesco pode impedir a imersão na história. Mas para quem gosta de catar referências pop e está preparado para um estranhamento constante, “Sombras da Noite” é o possível-futuro-cult do ano.

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