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HQs da semana: 11 de julho

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20 de julho de 2012

Quadrinhos, Receituário

“Batman #11” marca o fim daquele que é provavelmente o melhor arco de histórias do primeiro ano dos “Novos 52”. Intitulado “Court of Owls”, a saga colocou o homem morcego em conflito com uma sociedade secreta lendária que supostamente vem manipulando a cidade de Gotham desde a sua fundação. Já que é difícil discutir os méritos da edição sem tocar em alguns pontos da trama, fique avisado que há spoilers a seguir! Mas não se preocupe, tentaremos não estragar o final da estória, pelo menos.

A trama de “A Corte das Corujas” é brilhantemente construída pelo roteirista Scott Snyder para se encaixar na continuidade das histórias do Batman, e traz mais de uma surpresa. Determinado a ajudar a sua cidade não só como super-herói, mas também como filantropo, Bruce Wayne inicia um programa polêmico de revitalização urbana com o apoio do novo candidato a prefeito, Lincoln March. Isso coloca os dois sob a mira dessa sociedade secreta cuja existência o próprio Batman jamais conseguiu comprovar.

A tal “Corte” é supostamente composta por membros da alta-sociedade Gothamita, e emprega órfãos e outros jovens treinados e programados desde crianças como os assassinos conhecidos como “Talons” (o termo é a palavra em inglês para a garra de um pássaro). Ficamos sabendo, no decorrer da saga, que Dick Grayson – o Asa Noturna e o primeiro Robin – havia estado na mira da Corte para se tornar um de seus capangas, até ser adotado por Bruce.

Mas essa nem é a maior surpresa da saga, e é aqui que começam os spoilers, que dizem respeito à identidade do vilão por trás da conspiração.

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Após atrapalhar os planos da Corte das Corujas, Batman descobre que seus líderes foram mortos por um traidor: o próprio Lincoln March, que era membro da sociedade secreta. Durante o confronto final com March, agora com um traje tecnológico de “Homem-Coruja”, este revela a Bruce que ele é seu irmão perdido, Thomas Wayne Jr. Aqui ocorre uma importante sacada do roteirista, já que existiam pelo menos duas versões desse personagem nas histórias antigas do cavaleiro das trevas. A primeira aparição data de 1974, na edição #227 da revista “World’s Finest”, onde ele é o filho mais novo da família Wayne, que foi internado em um asilo após um acidente de carro que lhe causou danos cerebrais, e por isso Bruce nunca soube da sua existência. A segunda aparição já é mais recente: na graphic novel “Liga da Justiça – Terra 2”, o autor Grant Morrison recria a versão “maligna” da Liga conhecida como Sindicato do Crime, e coloca Thomas Wayne Jr. Como um de seus integrantes, o “Homem-Coruja”. Essa versão habita uma realidade paralela na qual foi Bruce, e não seus pais, quem morreu durante aquele fatídico assalto no beco. Tomado pelo pesar, Thomas Wayne pai torna-se comissário de polícia de Gotham, mas seu filho mais novo rebela-se e resolve tornar-se um supervilão.

A versão de Snyder combina um pouco das duas: Lincoln March diz ser Thomas Wayne Jr., filho mais novo de Thomas e Martha Wayne, que nasceu com a saúde debilitada e mentalmente incapaz devido a um acidente de carro sofrido por Martha ainda na gravidez – acidente que foi causado pela Corte das Corujas, que queria intimidar os Waynes. Ele teria, então, crescido no Asilo Willowood, onde sua existência foi mantida em segredo de Bruce e até do mordomo Alfred, que acreditava que sua patroa havia perdido o bebê. Thomas teria sido então “adotado” pela Corte, que usou tecnologia avançada e ilícita para curá-lo, e convenceu-o de que Bruce o havia abandonado no sanatório para ter a cidade só para si.

“Batman #11” marca então o tenso confronto entre o homem morcego o novo “Homem-Coruja”, uma luta violenta não só fisicamente como psicologicamente. É nas cenas de ação que o desenhista Greg Capullo brilha, trazendo um dinamismo que mostra que seus anos como artista em “Spawn” o prepararam muito bem para desenhar Gotham e o cavaleiro das trevas.

O crédito para os diálogos, no entanto, é todo de Scott Snyder, e o roteirista arrasa tanto no monólogo do vilão (que faz diversas referências às “versões clássicas” do personagem) e também nas respostas curtas e grossas do herói. A resolução do conflito gerado pela revelação dramática da identidade do Homem-Coruja é a melhor possível, mostrando que Snyder é mais corajoso e mais competente do que outros autores que tentaram feitos similares, como Jeph Loeb em “Sussurro”. Esta é uma saga que vai ser lembrada por muitos como parte crucial da trajetória do herói e como leitura obrigatória para os fãs.

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2 Comments For This Post

  1. Gustavo Martins Says:

    Destes novos 52 eu só estava acompanhando a linha Dark. Mas depois desta resenha fiquei empolgado, e vou baixar as do Batman também. Valeu! Só uma correção, a obra do Loeb foi chamada aqui de “Silêncio”.

  2. Filipe Says:

    Tem razão, Gustavo! Falha minha.

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