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Corações sujos

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17 de agosto de 2012

Cinema, Receituário

Corações sujos

Brasil, 2011

  • Dir.: Vicente Amorim
  • Elenco: Tsuyoshi Ihara, Takako Tokiwa, Eiji Okuda, Shun Sugata, Kimiko Yo, Eduardo Moscovis, Celine Fukumoto

Avaliação: ★★★☆☆ 

É algo bem simples: uma das primeiras coisas que você tem que saber antes de começar um filme é qual história você quer contar – e pelos olhos de quem ela será narrada. “Corações sujos” peca exatamente por um início confuso que não deixa claro quem é o protagonista nem qual história nós estamos seguindo ali. E quando define, lá pela metade do segundo ato, o personagem que seguimos é um dos menos carismáticos, e interpretado por um dos atores mais fracos do elenco.

Adaptado da obra de Fernando Morais, o longa romantiza a história real dos japoneses que imigraram para o Brasil nos anos quarenta. Impedidos pelo governo de ter acesso a meios de comunicação, escolas ou se organizarem, a maioria deles não sabia que o Japão perdeu a guerra e quem dizia isso era considerado traidor – o “coração sujo” do título. Takahashi (Ihara), um fotógrafo lambe-lambe, é o protagonista que se recusa a acreditar na derrota e, influenciado pelo Coronel Watanabe (Okuda), inicia o banho de sangue que dizima sua colônia.

Sim, ela lembra muito a moça do "Lady Vingança". Mas não é a mesma. Eu olhei no IMDb.
Sim, ela lembra muito a moça do "Lady Vingança". Mas não é a mesma. Eu olhei no IMDb.

Parte do problema enfrentado pelo diretor Vicente Amorim (Um homem bom) está no exotismo da cultura que ele quer retratar. O código de honra, importantíssimo para os japoneses e essencial para a história contada, é algo com que a maioria do público não está familiarizada. Sobra para os personagens masculinos esclarecê-lo em diálogos expositivos que explicam a trama em vez de avançá-la. Isso faz com que eles, protagonistas da história, tornem-se bem menos interessantes que as mulheres. Em seu sofrimento e submissão silenciosos impostos pelo patriarcalismo e tradição, elas entregam os melhores momentos do longa. O papel mais ingrato, porém, é o do subdelegado vivido por Eduardo Moscovis, obrigado a fazer as perguntas cujas respostas o público já sabe.

Amorim tenta tornar a história o mais visualmente interessante possível, abusando de um efeito desfocado em determinados planos para representar a miopia da recusa da derrota. Outra imagem recorrente é a poça de sangue circular que remete ao sol nascente da bandeira nipônica. Todo o apuro, contudo, não impede que as sequências de luta empalideçam diante dos clássicos e belos filmes de samurai japoneses que tentam emular.

A edição busca dinamizar o longa com montagens paralelas que saltam de um personagem para outro, mas isso acaba sintomático da ausência de foco. Especialmente quando a trilha sofre com entradas e saídas bruscas que a impedem de costurar e dar a unicidade que falta ao filme. Nos minutos finais, quando “Corações sujos” finalmente deixa claro o filme que queria ser, do amor perdido da personagem mais silenciosa e mal aproveitada do elenco, você quase se sente culpado por não ter gostado mais dele. Mas é porque, nos seus saltos entre tantos e mal desenvolvidos personagens, essa história ficou perdida em algum lugar.

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