O Ditador

Nossa avaliação

[xrr rating=3/5]

“O Ditador” reforça aquela impressão de que Sacha Baron Cohen é um homem de uma ideia só. Depois de “Borat” e “Bruno”, o ator e seu diretor Larry Charles continuam insistindo no estrangeiro fora de lugar nos Estados Unidos e que pela sua atitude deslocada revela os preconceitos que os americanos escondem.

A diferença é que a história do Almirante-general Aladeen não é um falso documentário com mistura de ficção e realidade (uma ou outra cena tenta manter a proposta, que logo é abandonada), mas uma comédia tradicionalmente encenada. Vindo da República de Wadiya para participar de uma reunião da ONU em Nova York, ele é traído pelo tio, perde a barba e precisa se virar como cidadão comum na Big Apple. A premissa simples e clichê é o que vai servir de pano de fundo para o humor de Cohen, que está mais eficiente do que em “Bruno”, mas não traz a originalidade de “Borat” (apesar do personagem lembrar muito o segundo melhor repórter do Cazaquistão).

A história não faz muito sentido, servindo mais como forma de ligar os vários esquetes cômicos estrelados por Aladeen. Aliás, tirando o personagem principal, os outros não possuem motivações que façam muito sentido, aparecendo e desaparecendo de acordo com a necessidade das piadas aparecerem.

Pegador.

O trunfo do filme é mais uma vez a utilização do politicamente incorreto ao extremo que, pelo humor, consegue através do exagero mostrar aquilo que a sociedade esconde para debaixo do tapete da moralidade. O problema é que Cohen atira tanto para todos os lados que é provável que de alguma forma você acabe sendo atingido também. Algumas brincadeiras podem ofender e o excesso de alvos não parece ter um sentido claro, deixando a estrutura da produção um pouco confusa.

Mas “O Ditador” não deixa de ser uma ótima comédia, com momentos engraçados que acabam dependendo de suas referências políticas e culturais da história recente. Se os governantes árabes como Muammar Kadafi são o alvo principal (apesar de Aladeen ser africano), sobra também para a própria Hollywood, com participações especiais hilariantes e inusitadas. Ok, é engraçado. Mas já está na hora de Cohen partir pra outra. Talento para isso ele tem.

2 Comentários

  • Clara Campoli
    Em 24 de agosto de 2012 16:57 0Likes

    “Se os governantes árabes como Muammar Kadafi são o alvo principal (apesar de Aladeen ser africano)”

    Gente, não é querendo ser chata mas já sendo, a Líbia de Khaddafi é um país sim, muçulmano, que fica no continente africano.

  • Renné França
    Em 24 de agosto de 2012 17:58 0Likes

    Ei Clara, você está certa sim. É que a minha frase foi uma referência à piada que está no próprio filme (umas das melhores, aliás), em um diálogo com o John C. Reilly em que o Aladeen diz que não é árabe, mas africano. Bom, não vou contar mais para não estragar a graça de quem não viu, mas faltou mesmo eu explicar isso melhor, como você faz em seu comentário. Acabei fazendo uma “piada interna” muito mal feita 🙂

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