O Vingador do Futuro

Nossa avaliação

[xrr rating=3/5]

É impossível não comparar o remake de “O Vingador do Futuro” com o original de 1990. A produção de Len Wiseman empalidece frente ao olhar ousado e sacana de Paul Verhoeven e carece de personalidade, acabando por apresentar um eficiente, porém genérico, visual futurista. Mas isso não quer dizer que o filme seja ruim.

Baseado no conto “Lembramos para você a preço de atacado” de Philip K. Dick, a nova versão da aventura lima Marte da sua história trazendo um interessante conceito com relação à exploração proletária e apresentando a inventiva “Queda”, uma espécie de transporte que vai da Oceania à Inglaterra atravessando o núcleo do planeta (lembra daquela história de que se você cavasse um buraco no chão chegaria à China? Pois é). Douglas Quaid é um operário de uma fábrica de robôs, casado com uma bela mulher, mas que sente que falta algo à sua vida. Ao procurar uma empresa para o implante de memórias (onde poderia sonhar ser um agente secreto), descobre que na verdade era um alto agente do governo que teve suas lembranças apagadas.

A partir daí “O Vingador do Futuro” engata uma terceira e não para mais, com uma ação que segue até o fim em um ritmo frenético que acompanha Quaid em sua tentativa de descobrir mais sobre si mesmo. Os efeitos especiais são espetaculares, construindo um ambiente palpável em um futuro superpopuloso que traz uma direção de arte claramente inspirada nas favelas brasileiras. Colin Farrel é melhor ator do que o Schwarzenegger do original (apesar de perder em carisma) e traz um bem vindo senso de fragilidade que acrescenta dramaticidade à história. O problema é que muitas das surpresas se perdem para quem tem a produção de 1990 fresca na memória, e o roteiro com mais furos do que a mão do personagem principal não ajuda muito.

Além disso, Wiseman não consegue apresentar uma boa exposição espacial e temporal em sua direção (quanto tempo se passa entre a ida de Quaid à Rekall e a retirada da caixa no banco?) o que torna algumas partes da ação confusas. Mas se trata de uma produção muito bem feita, uma competente diversão que, entretanto, passa longe de ser tão marcante quanto o filme original. O tema da memória, tão caro à trama, acaba curiosamente sendo fundamental para sua experiência com a produção: quanto menos se lembrar do passado, melhor.

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