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O Legado Bourne

por

6 de setembro de 2012

Cinema, Receituário

The Bourne Legacy

EUA, 2012

  • Tony Gilroy
  • Elenco: Jeremy Renner, Rachel Weisz, Edward Norton, Zeljko Ivanek, Oscar Isaac

Avaliação: ★★★½☆ 

É de se imaginar por que não seguiram “O Legado Bond” com esse quarto capítulo da série Bourne e reescalaram Jeremy Renner como o protagonista vivido por Matt Damon. E antes que você diga que Bourne não é Bond e isso seria heresia: Bourne é exatamente Bond e os mesmos argumentos devem ter sido feitos quando Sean Connery abandonou o Agente da rainha nos anos 70.

Em vez disso, temos uma mezzo-reinvenção mezzo-ampliação do universo da trilogia anterior, com a revelação de programas semelhantes ao Treadstone de Bourne e o fantasma do antigo protagonista pairando sobre o filme. Como uma série de TV que perdeu seu protagonista-rótulo, a nostalgia é tão palpável que fica-se à espera de que ele apareça a qualquer momento.

Não que Renner não tenha cacife para substituir Damon. Mas o roteiro gasta tanto tempo explicando (ou tentando) os novos programas, que sobra pra ele um protagonista que parece costurado às pressas. No meio do filme, um flashback entre o tal protagonista, Aaron Cross, e o colarinho branco mauzão vivido por Edward Norton cai de paraquedas querendo dar uma bússola moral a Cross e estabelecer um passado entre os dois, mas é tão do nada e tão deslocado do resto que dá vergonha.

Não fique assim, por favor. Eu realmente sou casada com James Bond. Foi mal.
Não fique assim, por favor. Eu realmente sou casada com James Bond. Foi mal.

Cross é um super soldado de um tal programa Outcome, em que as cobaias precisam tomar diariamente duas pilulazinhas para manter sua “Foditude Bourne”. Mas com o escândalo causado pelo personagem de Damon no final de “O ultimato Bourne”, a CIA e o exército decidem encerrar essas iniciativas, dando início a uma queima de arquivo geral. Aaron sobrevive a caça às bruxas e, sem seus remedinhos e prestes a perder seus Poderes Bourne, acaba se aliando à Dra. Marta Shearing (Weisz), uma das cientistas responsáveis pelo programa e que também está sendo perseguida. Ela pode sintetizar um remedinho que o tornará “Para Sempre Bourne”, só que… só lá nas Filipinas. Sério.

Essa bomba-relógio criada pelo roteiro funciona e, como thriller de ação, “O Legado Bourne” não decepciona. O problema é que com a já mencionada necessidade de diálogos expositivos, mais o sistema de cotas para explosões e perseguições obrigatório do blockbuster hollywoodiano, resta unicamente a Renner e Rachel Weisz nos fazer importar com aquela história toda. E a sorte é que os dois são bons atores. Ela, especialmente, tem uma cena em um carro em que precisa explicar toda a ciência do programa para Cross (e pro público) e a emoção que Weisz confere a um texto absurdo é digna de nota.

O diretor Tony Gilroy não tem a originalidade de Paul Greengrass para sequências de ação e suas perseguições são burocráticas. A última, principalmente, é bem feita, mas tem um gosto de déjà vu que a torna cansativa. Norton sofre com um vilão que quase desaparece na segunda metade, sendo obviamente guardado para uma sequência. Que, nos moldes estabelecidos aqui, não é certa de acontecer. O bom é que ele, Renner e Weisz não são astros que precisam de franquias. São bons atores que sempre vão ter o que fazer.

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