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Arrow 01×01 – Pilot

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30 de outubro de 2012

Receituário, TV

Eu estava morrendo de medo de Ver “Arrow”,  série que adapta o personagem Arqueiro Verde, da DC Comics, para as telas,. Gosto muito de super-heróis e sou fascinado pelas suas adaptações em live action (desde as da década de 1940 até hoje) e saber que esta era a substituta de “Smallville” (a grande decepção de que durou 10 anos) me deixava intrigado.

Ainda tinha a imagem do Arqueiro Verde engomadinho que fez parte da série do jovem Superman a partir da Sexta Temporada, quando liguei a TV no episódio piloto de “Arrow”. Mas essa imagem foi logo embora, quando foram mostrados os últimos momentos de Oliver Queen (Stephen Amell) na ilha em que ele ficou como naufrago durante cinco anos.

E é assim que “Arrow” começa, sem início, sem explicações maçantes. O que você precisa saber sobre o herói que está nascendo é isso: ele é rico, foi mesquinho, ficou cinco anos confinado numa ilha e sabe atirar com arco e flecha. E por quê? Bem, a explicação será devidamente esmiuçada em flashbacks durante os episódios que irão compor a primeira temporada.

O piloto é focado no drama de um homem que não só ficou preso em uma ilha, mas que, considerado como morto, tenta se readequar a um mundo que ele não conhece mais, que não se encaixa mais. Muitos podem comparar essa visão do Arqueiro Verde com o Batman – a ambientação densa e obscura presente na trilogia “O Cavaleiro das Trevas” está muito presente em “Arrow” (parece que, finalmente, a Warner achou um clima perfeito para suas adaptações, fugindo da claridade e explosão de cores dos filmes da Marvel) – mas o arqueiro é diferente. Bruce Wayne, o Homem Morcego, teve seus traumas e quis sair do “mundinho” em que vive para modificá-lo; já Oliver Queen foi arrancado e teve que aprender, espancado pelo destino, o significado da vida.

Durante o naufrágio Oliver vê a amante, Sarah Lance (JacQueline Macinnes Wood), morrer diante de seus olhos, e ele se culpa amargamente por isso: o fardo aumenta quando lembra que ela era era irmã de sua namorada, Dinah “Laurel” Lance (Katie Cassidy). O herói é resgatado parcialmente por seu pai, o empresário Robert Queen (Jamey Sheridan) e o capitão da nau. Os três ficam dentro do bote salva vidas aguardando o fim até que Robert explica para o filho que ele não é o pai exemplar, que Oliver sempre se enganou. Robert decide, então, fazer algo de bom, e para dar a chance de seu filho sobreviver tira a própria vida, com um tiro na cabeça, logo após matar o capitão no navio.

Com a mente em frangalhos, pouco importa o que Oliver passou na ilha. Aquele garoto mimado morreu durante o acidente. Morreu quando viu sua amante sendo sugada pela água. Morreu quando viu seu pai sendo assassino de outro e de si mesmo. Os cinco anos na ilha só serviram para fortalecer mais o novo homem que havia nascido pós o trauma.

O maior fardo do retorno pode estar na própria casa. O que um dia foi aconchego pode ser um lugar estranho após cinco anos de mudança. Ver a mãe (Susanna Thompson) casada com o ex-sócio de seu pai (Colin Salmon) pode ser um baque. Até quando as pessoas conseguem continuar com a vida quando elas acham que seus entes queridos morreram? E como seria a reabilitação desse parente com sua volta?  Essa é a principal questão abordada em “Arrow”. O herói Arqueiro Verde se torna um pano de fundo, uma sombra que paira pela trama.

Voltar para o mundo, se estabelecer novamente como um cidadão que voltou dos mortos, perdoar-se e pedir perdão para àqueles que Oliver achava ser justo, foi a primeira missão do herói que estava para nascer. Encarar sua ex-namorada, Dinah, não foi fácil. Ainda mais com o peso da morte da irmã dela em suas costas.

Ele tem o apoio de seu melhor amigo, Tommy Merlyn (Colin Donnel), que parece que terá um papel de equilíbrio psicológico para o personagem principal da série, um cara divertido e desencanado ao lado de alguém que se tornou frio e sério. No meio da história, Tommy e Oliver são sequestrados, e as consequências de ser filho de um grande empresário que deve muitos favores começam a ser apresentadas, mostrando que realmente o pai do rapaz não era quem o filho pensava.

Oliver escapa dos seus três sequestradores mascarados matando-os (sim, este Arqueiro Verde mata! E isso é muito legal! A moralidade de alguns heróis cansa quando colocamos eles no ambiente da segunda década do século XXI) e para despistar a atenção da policia, diz que alguém de capuz o salvou. Esse homem de capuz ainda não existia, mas Oliver já havia definido o uniforme do vigilante que viraria. E por quê? A cidade de Starling City estava pobre, sugada por vampiros de terno e gravata, grupo do qual seu pai fazia parte, e Oliver, na imagem de um Robin Hood moderno, iria atrás desses empresários e faria eles distribuírem seu dinheiro para cofres públicos (nota-se aí também uma leve relação com a atual realidade econômica dos estados Unidos).E o primeiro a conhecer o Arqueiro Verde é Adam Hunt (Brian Markinson), empresário corrupto que estava sendo perseguido pela advogada e ex-namorada de Oliver.

“Arrow” tem suas liberdades criativas necessárias em uma adaptação, ainda mais para um seriado, mas não abre mão das referências dos quadrinhos. Thea Queen, a irmã de Oliver (Willa Holland), tem o apelido de Speedy, e está lá o parceiro do Arqueiro nos quadrinhos (se você tem seus 25 anos ou mais vai se lembrar dele com o nome de Ricardito. Sim… Ricardito, essa foi a tradução de Speedy nos anos 80 e 90).

Dinah “Lauren” Lance é a Canário Negro nas revistas, então, temos grandes chances de Speedy e Canário Negro aparecerem em suas versões para “Arrow”. Sem dizer que a Caçadora já está confirmada (só espero que a Warner não pise na jaca e faça uma nova versão da Liga da Justiça). Outra referência é a máscara do vilão Exterminador. Ela parece no início do episódio, fincada no chão com uma estaca e atravessada por uma flecha.

“Arrow” promete redimir o grande erro que desandou “Smallville”. Ele não é apenas um substituto para a série do jovem Superman, mas também um novo começo para o herói Arqueiro Verde, estabelecido em um novo universo DC, que espero, seja o mesmo universo vivido pelo Superman que estreará no cinema no ano que vem, e o mesmo universo da Liga da Justiça de 2015 e do novo Batman de 2016. Uma coesão em que as histórias possam se costurar, as cidades se desenharem em um mapa fictício e os heróis e vilões se encontrarem e desencontrarem, mesmo por referências, em histórias maiores do que um filme e uma ou outra temporada.

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