Busca Implacável 2

Nossa avaliação

[xrr rating=2.5/5]

Eu poderia dizer que a montagem de “Busca implacável 2” é daquelas em que nenhum plano dura mais que cinco segundos – o que muitas vezes torna a noção espacial, especialmente nas cenas de perseguição, bastante confusa. Que as atuações são altamente canastronas e o roteiro é tão picareta que, em determinada cena, admite estar copiando e colando informações de um guia turístico sobre a Turquia. E que o confronto final do filme é praticamente uma meia arrastão de tanto buraco.

Mas quem eu quero enganar? O público que vai lotar as salas de cinema pra ver esse filme não está NEM FODENDO pra nada disso.

O que eles querem é um entretenimento simples, curto, grosso e barato. E apesar do preço do ingresso esses dias, é isso que eles vão encontrar. Pra quem esperar alguma profundidade do roteiro do produtor Luc Besson com Robert Mark Kamen, há neste uma inversão da trama do primeiro filme. Enquanto no original o Bryan Mills de Charles Bronson Liam Neeson tentava encontrar e vingar o rapto de sua filha, Kim (Grace), agora é Murad (Seberdzija) o pai do sequestrador massacrado que vai atrás do protagonista para vingar seu filho.

E como o produtor é Besson e filmar nos EUA anda muito caro, eles arrumam uma desculpa e vão todos para as belas locações da Turquia – porque, afinal, é sempre muito engraçado alimentar essa ilusão norte-americana de que a Europa é esse perigoso poço de traficantes, criminosos e assassinos.

Tinha 25 opções de foto dele com uma arma na mão, 15 correndo com cara de mau. A gente  escolheu essa porque é mais bonita.

O filme não é nada mais que o “Liam Neeson Show” nesta fase cada vez mais MacGyver da sua carreira. Ninguém no longa chega perto da inteligência, rapidez, força ou perspicácia do protagonista. Os 0800-capangas são tão burros que nem quando ele comete o mesmo erro – abandonar a esposa Lenore (Janssen) desacordada – DUAS VEZES, eles conseguem se aproveitar disso. O resultado é que você nunca tem a sensação de que Bryan ou sua família estejam realmente em perigo.

O clímax final é o exemplo máximo disso. Murad poderia simplesmente aparecer atrás do protagonista e atirar nele enquanto Bryan luta com seus 0800-capangas, mas curiosamente ele fica esperando sua vez de receber o Fatality Neeson. As cenas de ação dirigidas por Olivier Megaton (Colombiana, Carga Explosiva 3) são o feijão-com-arroz básico – não decepcionam, mas não trazem nada de novo. Chegam a dar vergonha as citações que o longa faz a “Drive” – duas canções da trilha dele são desavergonhadamente “importadas” – já que “Busca implacável 2” representa tudo que o longa de Nicolas Winding Refn se esforçou em reinventar.

Mas não vou gastar mais caracteres. Quem assistiu ao primeiro vai ver esse e não há nada que eu possa fazer. A não ser comprar outro ingresso para “Looper” e rezar pelo adiamento da morte do cinema.

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