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HQs da Semana: 3 de outubro

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9 de outubro de 2012

Quadrinhos, Receituário

“Avengers Versus X-Men #12” chegou às comic shops americanas na última quarta-feira, encerrando o mais ousado crossover Marvel dos últimos anos com uma edição completamente sem impacto. O único momento em que a revista consegue causar no leitor alguma emoção – além do tédio diante da trama previsível e da revolta diante da completa falta de cuidado com os personagens e a continuidade – é na pequena homenagem do artista Andy Kubert ao seu falecido pai, o desenhista veterano Joe Kubert, que morreu durante a produção da edição e cujo rosto aparece aqui como um âncora de noticiário.

Por que a saga falha de modo tão medonho? Em parte, a culpa é do sistema de distribuição de quadrinhos, que requer que os vendedores saibam com meses de antemão as sinopses das edições futuras para poderem fazer suas encomendas. Na era da internet, isso quer dizer que o leitor também já fica sabendo alguns detalhes da trama das próximas edições, o que atrapalha a surpresa. Já abrimos “AvsX #12” sabendo, por exemplo, que o crossover dará origem ao título “Uncanny Avengers”, que trará uma equipe com membros tanto dos Vingadores quanto dos X-Men. E aí, quando a trama da saga finalmente chega ao ponto em que “insinua” os rumos futuros, a vontade é de dar uma testada na mesa.

Mas parte da culpa pelo fracasso de “AvsX” como história é dos roteiristas. Ainda no começo do crossover, eles haviam prometido que haveria um vencedor e que a briga entre heróis e mutantes não teria um final anticlimático como o de “Guerra Civil”. Pois o fato de que, após a edição #12, ainda ficou em aberto quem realmente “ganhou” a disputa mostra que os roteiristas não prestaram muita atenção no que andaram escrevendo. É evidente que, para eles, os vencedores foram os Vingadores, já que o roteiro faz cambalhotas para colocar a equipe do Capitão América na posição mais “heróica” – exceto colocar os heróis agindo de modo heróico. Fica a sensação forte de que o objetivo da minissérie era fortalecer a franquia dos Vingadores em detrimento da dos mutantes (lembrando que a Marvel tem controle criativo das adaptações cinematográficas da primeira, mas a segunda está nas mãos da Fox). Para o leitor que conhece os personagens, que analisa com cuidado as motivações e olha para a trama não do ponto de vista do marketing e sim do mundo ficcional, o grande vencedor foi Ciclope, que conseguiu o que queria e estava disposto para fazer sacrifícios para consegui-lo.

Ao falar sobre a edição anterior, eu apontei as incoerências de “AvsX” comparando a mini com a Saga da Fênix original. Pois bem, pode-se até argumentar que algumas dessas incoerências se devem à passagem do tempo e às mudanças sofridas pelos personagens. Mas vamos fazer um exercício diferente agora, comparando a mini com a saga “Dinastia M”, da qual ela também é, de certo modo, uma continuação. Na primeira edição da minissérie de 2005, o Professor Xavier convocava os X-Men e os Vingadores para “resolver” de uma vez por todas o problema da Feiticeira Escarlate, que havia enlouquecido e causado várias mortes. O jeito era matá-la, insinuava o Professor, e os únicos que apoiaram essa sugestão foram Wolverine e a Rainha Branca. Ciclope e Capitão América foram os mais vociferantes opositores, e nenhum dos Vingadores queria matar uma ex-colega, mesmo que ela tivesse virado uma psicótica com o poder para destruir o mundo.

Ok, pulamos uns 6 ou 7 anos adiante: Ciclope tem o poder da Fênix, ou seja, o poder para destruir o mundo. Ele ainda não enlouqueceu, nem matou ninguém, mas há uma boa chance (se aceitarmos a nova “interpretação” a respeito da Fênix) de ele pirar de vez. A estratégia dos Vingadores: ir pra cima com tudo para tentar matá-lo. Ok, é compreensível que este seja o plano de Wolverine, afinal, quando você só tem garras de adamantium a solução para qualquer problema é esfaqueá-lo. Mas o mesmo Capitão América que resistiu a todo custo usar a sanção máxima contra a ex-amiga enlouquecida, não hesitou em bancar o Wolverine contra outro personagem, só porque este não era seu amigo?

A falta de noção dos roteiristas em relação à hipocrisia e falta de heroísmo no comportamento dos personagens da série fica evidente no diálogo final entre os líderes das duas equipes: o Capitão acusa Ciclope de ser responsável por tudo o que aconteceu por ter “começado a briga”. Ok, foi ele quem deu a primeira rajada óptica, mas foi o Capitão quem invadiu a base dos X-Men exigindo que entregassem uma adolescente inocente. Se tivessem deixado os mutantes quietos, as coisas teriam corrido do modo como Ciclope previu. Se houve mortes e destruição, a culpa é toda dos Vingadores, que provocaram a situação e “cutucaram” a Fênix até a fera reagir. O fato de os personagens não perceberem tudo isso faz com que eles pareçam idiotas, mas não mais que os roteiristas…

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