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Entrevista: Andrucha Waddington

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26 de novembro de 2012

Cinema, Ressonância

Andrucha Waddington está empolgado. O diretor de “Os Penetras” fala rápido e – muito – com alegria sobre sua primeira comédia. Depois de “Gêmeas”, “Eu, Tu, Eles”, “Casa de Areia” e “Lope”, ele agora muda de gênero de novo e falou com o Pílula sobre este ecletismo, sobre seu próximo projeto, suas referências na comédia, os improvisos do elenco e uma possível continuação do novo filme.

Ecletismo cinematográfico.

– Eu sempre quero fazer um filme diferente do outro. O primeiro foi um suspense, que é o “Gêmeas”. O segundo foi uma comédia dramática, quer dizer mais dramática do que comédia, o humor vem do drama ali (“Eu, Tu , Eles”). O terceiro é uma saga, um drama mesmo, uma saga meio metafórica sobre a fundação do Brasil (“Casa de Areia”). Depois fui fazer um filme biográfico sobre um poeta espanhol, “Lope”, um filme meio capa-espada, aventura, de um universo totalmente distante do meu. E agora eu fui fazer um filme sobre o quintal da minha casa, sobre o universo de Copacabana e a pilantragem no Rio de Janeiro. E eu espero no próximo filme fazer uma coisa totalmente diferente. Comprei os direitos do “Nação Crioula”, do Eduardo Agualusa. Procuro não me repetir, acho que se você ficar sempre fazendo o mesmo filme, como diretor iria ser um pouco chato. Acho que é um desafio fazer um novo gênero. Este filme foi muito bom de fazer, foi muito gostoso. A gente riu muito. Esse foi talvez o set mais divertido da minha vida. Foi um filme que a gente rodou 80% dele noturna, à base de água, e a gente ria pra caramba. A gente se divertia muito.Todo mundo com um mega senso de humor. Foi um processo muito colaborativo.

Elenco de Os Penetras e improvisos.

– Tinha gente de tudo que é enfermaria nesse elenco. Miele, Luis Gustavo, Stepan Nercessian, Mariana Ximenes, Andrea Beltrão, Suzana Vieira, Babu Santana… E todo mundo entrou no mesmo tom. Às vezes você vai juntando atores de enfermarias diferentes e o tom destoa. Isso acho que foi muito legal, a gente conseguiu trabalhar de maneira que todo mundo tivesse no mesmo filme. Foi muito emocionante quando a gente fez a leitura com o elenco inteiro.

Primeiro veio o Adnet e depois eu falei que tinha que escolher o segundo protagonista. Quem me recomendou e me chamou a atenção pro Edu (Eduardo Sterblitch) foi um amigo meu que é fotógrafo do filme, o Ricardo Della Rosa, meu parceiro já de 12 anos. Ele falou ‘cara dá uma olhada na entrevista do Jô, do Edu’. Aí eu vi a entrevista e falei ‘putz, sensacional’. Isso é um cara montando um personagem ali na entrevista, tanto que o cara ficou quatro blocos, né. E ali, realmente, ele deu um show naquela entrevista. Falei com o Adnet: ‘Vamos ler com o Edu’. E foi sensacional, bateu uma química genial com os dois e como os dois tem essa coisa do improviso, a gente foi trabalhando isso e trazendo isso pro roteiro. Isso não quer dizer que a gente não tenha deixado margens pra improvisar na filmagem. Mas a gente trouxe muito do improviso pra aprimorar o roteiro antes. A gente teve uns meses de trabalho só com os dois e o roteirista Marcelo Vindicato. A história é minha e colaboram no roteiro o Eduardo Sterblitch, o Adnet e a Fernanda Torres que no final me ajudou a refinar o diálogo e mexer um pouco na estrutura, e o Renê Belmonte que no princípio trabalhou na escaleta inicial do final. Porque era um roteiro que estava adormecido desde 2006.

Eu reativei o filme em dezembro de 2010 e aí chamei o Adnet em abril de 2011, quando já estava com um primeiro tratamento (do roteiro) e o Edu entrou em maio de 2011 – pra começar a filmar em dezembro de 2011. Eu começo sempre a escalar elenco pelos protagonistas e depois pela química eu vou montando. Porque tem que ter uma química que vai funcionando. Não é uma ciência exata. Por exemplo, o personagem do Stepan era um grande personagem. Existia o personagem que era o Nelson e outro que era o Cabeça. Quando o Stepan entrou pra ler o Nelson, ele matou a pau de um jeito que o Nelson e o Cabeça viraram um personagem só. Porque um era o vizinho e o outro era o trambiqueiro que alugava os carros. Ele virou o mentor do Marco Polo (personagem de Marcelo Adnet) e na verdade virou o terceiro penetra. Se tiver sequel (risos), o Stepan não sai.

Possível Os Penetras 2.

(silêncio com um sorrisinho)

– Não precisa nem responder né… (risos) Espero que tenhamos público para isso.
Porque aí seria igual ao “Meus Caros Amigos”. O Monicelli (cineasta italiano) fez o “Quinteto Irreverente” acho que seis anos depois. Não preciso fazer ano que vem “Os Penetras 2”. Isso aqui dá pra fazer daqui a três anos. Se vier a ser o caso de fazer é um filme que eu vou adorar fazer. Porque reunir essa turma de novo vai ser uma delícia. É uma turma que realmente foi e é maravilhoso trabalhar com eles. Com todos eles. Eu queria fazer uma série. Por mim eu faria igual James Bond (risos). Mas sem substituir eles. Eles iam envelhecendo… Porque eu acho legal essas séries de cinema. Ter daqui a três anos um, daqui a seis anos outro… Isso eu acho legal pra caramba.

Público.

– A gente não contratou instituto de pesquisa (para testes de audiência para o filme) mas fez salas lotadas, com diferentes públicos. E foi muito bem. A gente está apostando bastante e acha que o filme vai ter uma aceitação. Nosso público-alvo é de 13 a 30 anos, a gente sente que o filme funciona muito bem pra esse público.
Eu fui ver o “Up”, e aí tem horas que os adultos riem, tem horas que as crianças riem. Isso é uma sacada das animações… que você tem que ter ali dois roteiros, porque na verdade esses family movies tem que entreter os pais e os filhos. Então você está aos prantos e a criança não está entendo porquê você está chorando. O início do “Up” é isso. O Babenco falou ‘porra, aquele filme tinha que ganhar o prêmio de melhor filme do ano’, aquele filme é sensacional. E pra adulto. E é um filme que as crianças amaram. Então eu fui ver o filme e fiquei aos prantos, e meu filho falou ‘pai você ta chorando por quê?’. E no “Penetras” tem várias piadas que funcionam pra uma certa classe social, pra uma certa idade.Aconteceu isso de uma certa forma.

Sucesso das comédias no cinema brasileiro.

– Eu acho que o público gosta de se divertir, de rir. Comédia é um gênero que mundialmente dá certo. Acho que comédia e filme de ação – que a gente não faz, porque é muito caro. Fazer um filme de ação aqui você vai ter que investir uma grana, e um filme falado em português, ele vai se limitar a um mercado para poucos territórios. Mas as comédias faladas em português funcionam localmente e os filmes espíritas também, né, que é um nicho que tem dado bem certo. Eu acho que o nicho do filme de terror não foi explorado ainda e acho que quando ele for explorado vai dar certo, vai explodir. Acho que isso aconteceu no mercado espanhol… É um gênero que tenho certeza que é o próximo must que vai acontecer aqui. Agora, tem que ser bem feito.

E você pensa em fazer um filme de terror?

– Sim.  Depois de “Nação Crioula”.

As referências cinematográficas de humor.

– Nesse filme a gente fez questão de ser politicamente incorreto, mas não ser grosseiro. E não precisar ir pra pornochanchada, e sim pro humor, politicamente incorreto mas classudo, cinematográfico. Eu tenho grandes mestres de cinema de comédia: Billy Wilder, Mario Monicelli… Foram filmes que a gente viu: “Quinteto Irreverente”, “Meus Caros Amigos”, “O Apartamento”, “Quanto mais Quente Melhor”, “Dois velhos Rabugentos”… São os filmes que peguei o Adnet e o Edu e falei ‘galera, isso aqui é o que a gente vai ter que fazer, é o nível de humor’. Que acho que é cinema puro. É politicamente incorreto, os caras são os adoráveis bandidos e você consegue. Tem “Os Safados”! Seis filmes que a gente usou como o humor que a gente quer, com uma atualidade com uma pitada de “Se Beber Não Case” e uma pitada de “Um Parto de Viagem”. São oito filmes que a gente usou como saladão de tom de humor que a gente achou que deveria usar como zona de trabalho. E acho que a gente foi feliz nisso. Tinham dias em que ao invés de fazer leitura (do roteiro) a gente assistia a filmes. E ficava comentando filmes. Levava os filmes pra casa, aí voltava e conversava… Isso foi fazendo a gente achar o tom. Então na hora de filmar foi muito bom, porque tava todo mundo muito alinhado.

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