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Meu Namorado é um Zumbi

por

7 de fevereiro de 2013

Cinema, Receituário

Warm Bodies

EUA, 2013

  • Dir: Jonathan Levine
  • Elenco: Nicholas Hoult, Teresa Palmer, John Malkovich, Analeigh Tipton, Rob Corddry, Dave Franco, Cory Hardrict

Avaliação: ★★★☆☆ 

Por trás de toda a pegada moderninha, “Meu Namorado é um Zumbi” traz em seu romance (e crítica social típica de filmes de zumbis) o mesmo discurso conservador hollywoodiano de sempre. É aquela velha história de amor em que pessoas diferentes só podem ficar juntas se uma delas “entrar” para o grupo da outra. É basicamente uma versão de “A Bela e a Fera” com cérebros devorados.

Bebendo obviamente nas fontes de George A. Romero, o filme (inspirado no livro “Sangue Quente” de Isaac Marion) propõe uma nova mitologia para zumbis a la o que “Crepúsculo” fez com vampiros e lobisomens. A diferença é que aqui as coisas acontecem sem muita enrolação e trama consegue ser interessante, além de contar com um diretor que, apesar de não estar em sua melhor forma (“50%” é infinitamente melhor) sabe o que faz. Trazendo Nicholas Hoult como o namorado do título, o filme apresenta seus zumbis vagando em um aeroporto abandonado, em uma nada sutil crítica à sociedade atual (escutar vinil ao invés da “frieza” do digital é outra). Apesar de comerem pessoas, entretanto, eles são até bonzinhos comparado aos esqueletos ambulantes, estes sim seres destituídos de qualquer humanidade.

Apostando no romance juvenil, o filme acompanha a paixão de R (Hoult) por uma menina que, por coincidência, é filha do líder dos humanos (Malkovich pagando mais contas) neste futuro pós-apocalíptico. Não é spoiler adiantar que o sogro não vai gostar muito dessa história e enquanto luta por sobrevivência, a bela Julie (Palmer, quase uma Kristen Stewart) vai lutar também por um amor impossível.

Zumbi. Apaixonado. Na chuva. Não dá pra ficar mais emo do que isso.
Zumbi. Apaixonado. Na chuva. Não dá pra ficar mais emo do que isso.

Claro que dentro da proposta o zumbi de Hoult não pode ser monstruoso, e dessa forma a maquiagem é generosa para manter os traços do ator (além de ir desaparecendo aos poucos ao longo do filme). E se uma hora ele anda lento demais, em outro momento corre sem maiores explicações, sendo este apenas um dos problemas da história em estabelecer regras claras a respeito de sua mitologia. Nada é muito bem explicado e é preciso parar de questionar o que se vê na tela para conseguir aproveitar os bons momentos desta aventura tipicamente adolescente que mistura “Frankenstein” com “King Kong”.

Sem o terror de um “Madrugada dos Mortos” e também sem aquela graça de “Zumbilândia”, “Meu Namorado é um Zumbi” fica no meio do caminho, apesar de acertar ao nunca se levar a sério. O uso de músicas bacanas ajuda no processo de fazer desta produção uma experiência bobinha, mas bastante simpática. E já que estamos falando em ressurgir dos mortos, nada mais apropriado do que tocar Guns n’ Roses na trilha sonora.  Just a little patience é tudo o que o filme está te pedindo.

Sim, o diretor tem umas sacadas visuais interessantes.
Sim, o diretor tem umas sacadas visuais interessantes.

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