Resenhas dos indicados ao Oscar 2013

Reunimos todos os nossos textos de filmes indicados a alguma categoria do Oscar 2013.

Melhor Filme

Argo

“Mas é também, e talvez principalmente, uma ode metalinguística ao cinema e    a uma Hollywood que não existe mais. Aquela dos anos 70, de filmes com personagens cujo pensar é tão importante quanto o agir, e que pretende ser algo mais que simples diversão na sexta à noite. O cinema do som de gente inteligente falando”.

 

A Hora Mais Escura

“Pois o que ‘A Hora Mais Escura’ acaba nos mostrando é que, assim como a al-Qaeda, a Agência de Espionagem dos Estados Unidos é também uma organização terrorista, que tortura e assassina civis, mulheres e crianças se isso for necessário a seus propósitos. Afinal, existem heróis naquela situação?  A morte de BinLaden vai tirar o mundo da escuridão? Bigelow parece acreditar que não, usando luz e sombras o tempo inteiro, como se o final esperado pudesse iluminar o universo ali construído. Mas a luz nunca chega por completo e a mesma dor e penumbra que abre o filme também o encerra”.

Amor

“Haneke nos força a olhar para a dureza da realidade da vida não glamourizada e pode até provocar um autoquestionamento a respeito de nossas crenças e ações. Pois, por mais estranho que pareça, existe uma beleza romântica nas pessimistas bagatelas de “Amor”. E do amor”.

 

 

As Aventuras de Pi

“Porque Deus é beleza. Deus é a Mona Lisa. O coquetel AZT. Um transplante de coração. Um filme do Chaplin. Deus é a materialização do que existe de potencial e incrivelmente bom em nós. E quando nos damos conta disso, conseguimos enxergar – respeitar, temer e amar – Deus nas outras pessoas e no mundo ao nosso redor.O protagonista-título de ‘As aventuras de Pi’ acredita nisso e é essa crença, mais que a própria vida, que ele luta para manter no filme do cineasta Ang Lee”.

Lincoln

“Eu gostava das aulas de História. E sou fã do Steven Spielberg. Mas nem isso foi suficiente para conseguir escapar do tédio que é “Lincoln”. Arrastado, com muito politiquês nos diálogos e uma trama que pouco interessa para nós brasileiros, o filme é cansativo e quase burocrático. O pior é que isso não quer dizer que ele seja ruim”.

 

O Lado Bom da Vida

“Este é um típico filme autoajuda: que vai do mantra “Excelsior” e a ideia de que reencontrar o amor é reencontrar a si mesmo até o título nacional que o obriga a dizer “eu quero ver o lado bom da vida” na bilheteria do cinema”.

Os Miseráveis

Não que você vá se maravilhar impunemente. Para conseguir alguns bons momentos de pura magia do cinema, é preciso atravessar muita – muita mesmo – cantoria enfadonha. Além disso, o esforço de adaptação é louvável, mas não dá conta de resumir satisfatoriamente a saga de Jean Valjean, o preso que se torna um homem de bem apesar de sempre caçado pelo temido inspetor Javert”.

 

Django Livre

“Trata-se de um filme que celebra o cinema e deve ser visto na tela grande da sala escura. Há uma cena pós-créditos – e muitas outras que vão ficar durante muito tempo em sua memória. E há Django. Um personagem desde já icônico. E com uma frase (“It’s me, baby”) destinada à história do cinema. Não é pouca coisa”.

 

Indomável Sonhadora

“Hushpuppy e os moradores da Banheira nos fazem sentir dor e alegria ao mesmo tempo. E nos faz perguntar: quem são os verdadeiros animais? Eles que vivem dessa maneira, ou nós que indiferentes os permitimos assim? Até chegar à resposta você terá passado por um turbilhão de emoções e estará, ao final de “Indomável Sonhadora”, com os olhos cheios de lágrimas. Ou com um belo sorriso no rosto. Uma dualidade que só mesmo a grande arte pode proporcionar”.

Melhor Ator

Daniel Day-Lewis (“Lincoln”)

Denzel Washington (“Voo”)

“Mas os acertos são muito maiores do que os erros, e é bom prestar atenção como toda a narrativa da jornada do personagem de Washington vai se estruturar a partir da forma como o voo que abre o filme evoluiu: turbulência, calmaria e queda (há até uma referência ao automático substituído pelo manual). Já a “manobra impossível” parecia ser um diretor como Zemeckis junto de um ator como Washington fazerem um filme ruim. Não fizeram”.

Hugh Jackman (“Os Miseráveis”)

Bradley Cooper (“O Lado Bom da Vida”)

Joaquin Phoenix (“O Mestre”)

Roteiro Original

Michael Haneke (“Amor”)

Quentin Tarantino (“Django Livre”)

John Gatins (“Voo”)

Wes Anderson e Roman Coppola (“Moonrise Kingdom”)

“A metáfora da orquestra, insistentemente lembrada durante todo o longa, é perfeita neste sentido: cada músico e cada instrumento possui seu papel bem definido e organizado, algo extremamente importante para o andamento correto da música. Mas esta estrutura bem definida (e que exemplo melhor de hierarquia e organização do que os escoteiros?) é ameaçada por dois quase adolescentes que resolvem fugir: um pintor/desenhista e uma fã de literatura fantástica. Os personagens racionais e coordenados de ‘Moonrise Kingdom’ são confrontados com a emoção de dois jovens, a pulsão criativa do traço do desenho artístico que não segue regras, mas sim o instinto. É a vida pulsante que desestabiliza o sistema e traz o caos à ordem”.

Mark Boal (“A Hora Mais Escura”)

Animação

Valente

“Apesar dos problemas, a excelência técnica continua a mesma, com designs bem elaborados, ação fluida e belíssimas imagens. Revelando-se como uma espécie de ‘Game of Thrones’ para crianças (ou seja, sem tudo aquilo que faz ‘Game of Thrones’ tão legal), “Valente” diverte como uma típica produção Disney. E este é o problema. Sobrou o estúdio do Mickey e faltou Pixar”.

 

ParaNorman“Um filme de terror para crianças. É isso que “ParaNorman” pretende ser. O problema é que é muito sombrio para os pequenos, usa referências difíceis para os que são um pouco mais velhos e é bobinho demais para os adultos. Mas tirando sua indefinição de um público específico, é um bem vindo respiro nas formulaicas animações do ano”.

 

Piratas pirados!

Frankenweenie

“Mas a escorregadela não tira o brilho dessa espécie de ‘Os Goonies’ góticos. Quer dizer, isso se o Mikey dos Goonies fosse um garoto introspectivo, sem amigos e que preferisse ficar sozinho no sótão fazendo filmes em Super 8 do que sair em alguma caça ao tesouro. Ok, quem eu estou querendo enganar. “Frankenweenie” não é sobre um garotinho vivendo uma aventura no subúrbio. É sobre Tim Burton. E sobre como a magia do cinema pode trazer os mortos de volta à vida. Principalmente quando se trata dos grandes astros do terror do passado”.

Detona Ralph

“A comparação com ‘Uma Cilada Para Roger Rabbit’ é inevitável: assim como a produção de Robert Zemeckis era uma aventura que homenageava os desenhos animados dos anos 40 e 50 (e promovendo divertidos crossovers entre clássicos personagens), ‘Detona Ralph’ promete fazer o mesmo com os jogos de videogame. O problema é que a interessante ideia inicial se perde em uma subtrama que faz o filme cair bastante a partir da metade”.

Canção Original

“Before my time”, de “Chasing Ice” – J. Ralph (música e letra)

“Everybody needs a best friend”, de “Ted” – Walter Murphy (música) e Seth MacFarlane (letra)

“Pi’s lullaby”, de “As Aventuras de Pi” – Mychael Danna (música) e Bombay Jayashri (letra)“E aí pode estar o maior problema do filme: ‘Ted’ depende demais de suas referências para ser engraçado, e quem não for “iniciado” nas obras citadas pode ficar meio perdido no meio de tanta cultura midiática. Mas se você conhece de Susan Boyle ao ‘Flash Gordon’ cult trash dos anos 80, esta é possivelmente a melhor comédia do ano”.

“Skyfall”, de “007 – Operação Skyfall” – Adele (música e letra)

“O passado do personagem é então a grande estrela de “Operação Skyfall”. Não apenas com relação à biografia do Bond que vemos na tela, mas também do ícone que completa 50 anos de idade. O filme busca ao mesmo tempo trazer 007 para o mundo moderno e também fazer a ponte com as obras clássicas. Nesse sentido, trata-se de uma espécie de ‘A Vingança dos Sith’ em sua preocupação em trazer novidades ao mesmo tempo em que nos prepara para um futuro que já conhecemos”.

“Suddenly”, de “Os Miseráveis” – Claude-Michel Schönberg (música), Herbert Kretzmer (letra) e Alain Boublil (letra)

Efeitos Visuais

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

“Mas como de costume, é o Gollum de Andy Serkis quem rouba o filme. A cena do encontro entre Bilbo e a criatura talvez seja o melhor momento de ‘Uma Jornada Inesperada’: é tenso, engraçado, assustador e tocante. É em momentos como este que nos lembramos de que, apesar dos pesares, sempre vale a pena uma visita à Terra-Média. Ainda mais na companhia de alguns velhos – e queridos – conhecidos”.

As Aventuras de Pi

Os Vingadores

“É sobre pessoas que carregam sozinhas o peso de salvar o mundo nas costas, mas que agora encontraram outras para dividir o fardo. A compreensão disso é o que torna possível a formação de uma das mais fantástica equipes que o cinema já mostrou. ‘Os Vingadores’ não é apenas um filme. É o sonho de todo fã de quadrinhos realizado”.

 

Prometheus

“‘Prometheus’ vai seguir a cartilha de ‘Alien’ e se apresentar como um filme para depois se tornar outro: neste caso aqui, de “2001 – Uma Odisseia no Espaço” vamos para ‘O Planeta Proibido’. Ou seja, de uma ficção científica filosófica religiosa vamos a um sci-fi de terror B”.

 

Branca de Neve e o Caçador

“‘Branca de Neve e o Caçador’ não consegue imprimir um ritmo de aventura decente, apresentando uma ação que se estabelece de encontro em encontro, sem nunca engatar. Alguns personagens simplesmente se transformam (como Branca se tornou uma líder guerreira?) e a história possui alguns furos. Mas com um visual interessante, clima épico bem construído e um ou outro momento inspirado, o filme acaba sendo uma diversão pretensiosa, mas que funciona em alguma medida”.

Curta Metragem de Animação

Adam and Dog

Fresh Guacamole

Head over heels

Maggie Simpson in ‘The Longest Daycare

Paperman

 

 

 

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