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Dezesseis Luas

por

2 de março de 2013

Cinema, Receituário

Beautiful Creatures

EUA, 2013

  • Dir: Richard LaGravenese
  • Elenco: Alden Ehrenreich, Alice Englert, Emma Thompson, Viola Davis, Jeremy Irons, Thomas Mann

Avaliação: ★★½☆☆ 

Comparar é: humano; uma necessidade profissional; algo que artistas detestam. Não necessariamente nesta ordem. Uns detestam porque é da natureza de sua profissão buscar o destaque, a diferenciação. Outros a fazem para debater a distância ou a proximidade entre duas obras. E, para a maioria das pessoas, comparar é apenas inevitável.

Se a própria distribuidora escreve no cartaz que, segundo a imprensa, “Dezesseis Luas” é o novo “Crepúsculo”(sendo melhor, inclusive), estão todos liberados para fazer igual. Dito isto, vamos entender, então, o que significa ser “melhor que Crepúsculo”.

Livros

“Dezesseis Luas” é a versão brasileira para “Beautiful Creatures”, escrito pela dupla Kami Garcia e Margaret Stohl sobre o universo bruxo – chamados Conjuradores.  Se Stephenie Meyer escreveu seus títulos em função de sol e lua, nesta nova saga a intenção original se perde por completo nas continuações: “Beautiful Darkness”, “Chaos” e “Redemption” foram traduzidas sob os nomes de Dezessete, Dezoito e Dezenove Luas.

A obra inaugural de Garcia & Stohl data de 2009, quando os personagens de Meyer já haviam estreado no cinema. Fãs de “Crepúsculo” sempre usaram os livros como argumento de defesa dos filmes, mas vários são os casos de quem começou e desistiu de terminar a leitura. Neste quesito, tendem ao empate técnico.

Filmes

A protagonista Lena (Englert) se parece fisicamente com a Bella dos filmes, e aqui ela é o ser diferente – ao completar 16 anos, a jovem conjuradora passará por um ritual que mudará tudo. Mas o destaque do filme é seu par romântico, papel menos factível de toda a história: Ethan, o adolescente, atleta, desenhista, sensível, educado e que gosta de bons livros. Ehrenreich é um ator talentoso, e mereceu seu cachê só de acreditarmos que Ethan existe.

Não era o romance, o excesso de açúcar ou as falas ruins o pior de Bella & Edward. Era o pano de fundo da obra: um discurso moralista e conservador, que usava o vampirismo como metáfora para o sexo, e defendia a virgindade no “não se entregar, como prova de verdadeiro amor” – além de muitas escolhas machistas. No filme do casal Ethan & Lena, defende-se a importância de uma mente aberta e a leitura de bons autores.

Como produto de entretenimento, a conclusão também é fácil. “Crepúsculo” possui framboesas o suficiente para lembrar que seu sucesso não vem de atuações ou execução técnica. “Dezesseis Luas” pagou um estúdio minimamente decente pelos efeitos visuais, e ainda convenceu Jeremy Irons e Emma Thompson a participarem da nova saga – os vampiros passaram longe de conseguir atores assim.

Mercado

Só que a grande justificativa para a comparação entre ambos é econômica. São duas obras voltadas para um público adolescente, preferencialmente feminino, sobre o amor proibido no choque entre o mundo humano e um universo fantástico.

“Crepúsculo” é, talvez, o maior fracasso de crítica e sucesso de público das últimas duas ou três (ou mais) décadas do cinema. Isso quer dizer que o cachê dos atores tende a ser barato e as bilheterias altas – matemática fácil. Quando a Lionsgate comprou a Summit Entertainment, deixou pistas da intenção de continuar a saga recém-encerrada. Os direitos de adaptação dos Conjuradores foram comprados pela Warner para atrair esse público, com a proposta de ocupar o lucrativo espaço deixado pelo fim da saga Harry Potter. Mais estúdios buscaram projetos parecidos, e a tendência deve se firmar neste e no próximo ano.

Algumas conclusões

O novo Crepúsculo é melhor que o antigo? Sim, nem era difícil. Vale a pena assistir? Se você não é adolescente, não chega a tanto. E vai fazer sucesso? Provavelmente não.

“Dezesseis Luas” estreou em 2,9 mil salas nos EUA e a bilheteria ficou em US$ 7,4 milhões, muito abaixo dos 20 a 30 milhões que o estúdio esperava. Terá que fazer uma bela mágica nas bilheterias mundo afora para valer o investimento na continuação. E se a saga dos Conjuradores parar no primeiro capítulo, ao menos terá sido mais um ponto conquistado em comparação com a saga “Crepúsculo”.

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2 Comments For This Post

  1. Mich Says:

    “e ainda convenceu Jeremy Irons e Emma Thompson a participarem da nova saga – os vampiros passaram longe de conseguir atores assim.”

    Faltou mencionar a Viola Davis.

  2. Costoli Says:

    Também, Mich, mas eu mesmo cortei porque o papel dela é bem menor em comparação com os outros dois

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