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Turbo

por

18 de julho de 2013

Cinema, Receituário

Turbo

EUA, 2013

  • Dir: David Soren
  • Elenco: Ryan Reynolds, Paul Giamatti, Samuel L. Jackson, Michael Peña, Luis Guzmán, Snoop Dogg, Bill Hader, Maya Rudolph, Richard Jenkins, Ken Jeong, Michelle Rodriguez

Avaliação: ★★★☆☆ 

“Mas isso é mesmo necessário?” pergunta em certo momento o caracol Chet, referindo-se ao fato de estar montado em um corvo em pleno voo. “Não, mas é muito legal!” é a resposta que recebe. A cena representa bem o principal problema de “Turbo”: excesso de coisas “legais” que em nada agregam à história, colocadas ali só para encher a linguiça de uma premissa que funciona como piada, mas não tem fôlego para ser um longa de cinema.

A animação imagina uma situação curiosa e por si só atraente: um caracol apaixonado por velocidade e que, fã de Fórmula Indy, acaba ganhando superpoderes e se transformando em um verdadeiro carro de corrida. O filme se divide em duas partes bem claras: a primeira trata do sonho de Theo em superar a lentidão própria de sua natureza em mais uma atualização do patinho feio que não se encaixa na organização da sociedade em que vive. E então vem o ponto de virada quando adquire sua supervelocidade e a partir daí “Turbo” se deixa levar pelo delírio, indo da comédia do início para o filme de ação com pitadas de “Ratatouille”. A mudança de ritmo é marcante e funciona: as imagens claras e com um tempo mais “vagaroso” são substituídas por uma ambientação mais escura com neons e cortes frenéticos.

A ação é empolgante e em alguns momentos chega a parecer uma espécie de “Velozes e Furiosos” com lesmas, por mais estranho que o conceito pareça. Muitas piadas funcionam, os personagens são carismáticos e o filme se deixa levar pelo absurdo em seus melhores momentos, como a corrida suspensa entre caracóis e as 500 Milhas de Indianápolis (mas mesmo com toda a suspensão da descrença, as coincidências envolvendo o personagem principal incomodam por não se encaixarem direito na estrutura narrativa). Além disso, como não há muita história para ser contada, o roteiro investe nos “ecos” (a relação entre os irmãos caracóis espelhada nos irmãos mexicanos, por exemplo), criando uma redundância que chega a cansar em determinados momentos.

Contando com a obrigatória moral da história em produções infantis, e servindo de mensagem otimista para uma América desempregada e em crise de identidade, “Turbo” é um suspiro em meio às continuações de animações, ao mesmo tempo em que acaba por trazer mais do mesmo em uma roupagem diferente. Vai empolgar os pequenos que curtem velocidade, mas não tem gás para segurar quem espera uma história bem contada. Sua estrutura por fases e as surtações a la “Mario Kart” levam a crer que dará origem a um videogame mais interessante do que o filme.

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