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Uma Noite de Crime

por

31 de outubro de 2013

Cinema, Receituário

The Purge

EUA, 2013

  • Dir: James DeMonaco
  • Elenco: Ethan Hawke, Lena Headey, Max Burkholder, Adelaide Kane, Edwin Hodge, Tony Oller, Arija Bareikis, Chris Mulkey

Avaliação: ★★★★☆ 

Filmes com um conceito interessante e execução competente costumam se tornar irresistíveis para o público e surpreendem na bilheteria. A premissa inusitada já cria uma curiosidade natural que, aliada ao fato da produção se revelar realmente divertida, faz sucessos de bilheteria inesperados, como o primeiro “Jogos Mortais”, por exemplo. Este é o caso de “Uma Noite de Crime”.

Em 2022, após uma crise que nunca é bem explicada (e nem precisa ser), os Estados Unidos passam por um período de extrema prosperidade em que a taxa de crimes caiu para 1%. Isso se deve ao “Expurgo”, evento criado pelo governo que permite que, durante 12 horas de uma determinada noite do ano, todos os crimes são permitidos. Sem polícia, sem julgamento, sem bombeiros. Uma vale-tudo nacional em que parte da população sai à caça para matar desconhecidos ou desafetos (como o chefe, por exemplo), enquanto outros se escondem em casas com grandes sistemas de segurança.

Apesar de toda a ideia não fazer muito sentido se pensarmos seriamente em sua implantação, no filme funciona muito bem e, uma vez que aceitamos a premissa, o universo de “Uma Noite de Crime” revela-se extremamente complexo, abrindo inclusive curiosas possibilidades que podem ser exploradas nas possíveis continuações.

Isso porque aqui não acompanhamos o caos nas ruas, mas ficamos presos na residência de uma família, em que um vendedor de artigos de segurança (Hawke), sua esposa (Headey) e o casal de filhos acredita estar seguro dentro da casa equipada. Mas então o caçula deixa entrar um sem-teto desesperado e… Melhor ver com seus próprios olhos o espetáculo de tensão construído por James DeMonaco. O suspense é crescente e apela para os clichês tradicionais, mas se mantém firme até o fim.

Há problemas, como a previsibilidade de várias situações e o fato de determinados personagens mudarem ao final (tudo bem que estão passando por uma situação traumática, mas as transformações não são suficientemente convincentes).  E se do diretor tem o timing do suspense, por outro lado não é muito eficaz nas cenas de ação, quando lutas, correrias e tiros invadem a projeção. O que deveria ser catártico nas mãos de alguém mais competente, acaba soando apenas como um alívio para a tensão.

Mas o mais interessante de “Uma Noite de Crime” é o seu comentário social. A paz alcançada pela violência extrema, a bonança econômica pela eliminação dos mais pobres e a própria noção do sacrifício de inocentes são dilemas morais que se colocam o tempo todo para os personagens. O poder dos eventos narrados na tela tem a capacidade de desestabilizar o espectador, colocando-nos naquela situação e nos fazendo questionar sobre quais decisões tomaríamos no lugar daquelas pessoas. Um thriller que se estrutura tal qual um filme de terror de casa mal-assombrada. A diferença é que, em “Uma Noite de Crime”, os monstros somos nós.

 

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