Entrevista: Sandy Leah

Ela tem nome de personagem de cinema. Sandy era o amor de verão que John Travolta reencontra na escola em “Grease”, vivida por Olivia Newton-John.  O Leah diziam se tratar da irmã do Luke, a princesa Leia de “Star Wars”. Mas isso já foi desmentido. Conhecida como a irmã do Júnior, a Sandy cantora virou Sandy Leah depois que a dupla acabou, mas era a Sandy atriz quem estava divulgando o suspense/terror “Quando Eu Era Vivo” em São Paulo.

A sensação é que a Sandy personagem é muito maior do que a Sandy cantora e a Sandy atriz. Durante a entrevista todos os seus gestos e expressões parecem cuidadosamente pensados. O cabelo perfeito, a maquiagem correta, o sorriso sempre presente, o olhar simpático. Sandy é um personagem que conhecemos desde quando era uma criança, e sair dele pode ser mais difícil do que se supõe.

Ao longo da conversa nada pareceu improvisado: o tom de voz sempre igual, os trejeitos colocados com cuidado.  É como se não houvesse espontaneidade.

“Quando li o roteiro preferi ir mais pelo ponto de vista do drama psicológico, da loucura… do que pelo ponto de vista do sobrenatural. Mas quando vi o filme pronto, comprei a ideia do sobrenatural. A preparação foi bem curta. Eu e o Marco (Dutra, diretor do filme) nos encontramos três ou quatro vezes antes das filmagens. Foi bem pouquinho. Eu quis entrar no filme com o mesmo conhecimento de ocultismo que a personagem tinha. Ou seja, nenhum (risos)”.  Ela faz Bruna, uma estudante de música que é inquilina no apartamento de Sênior (Antônio Fagundes), um lugar que vai ficando cada vez mais sinistro com a chegada de Júnior (opa, não é aquele, mas um outro, o do Marat Descartes). “Eu li o livro (‘A Arte de Produzir Efeito Sem Causa’, de Lourenço Mutarelli) e já tinha construído alguma coisa dela na cabeça. Mas no livro ela é estudante de artes plásticas, então deu para aproveitar pouco”.

Sandy sorri. Olhos atentos, voz delicada. Aquele jeito meigo que todo mundo conhece, mas agora a serviço de um personagem diferente do que ela é. Ou melhor, do que vem fazendo até então. “Eu e a Bruna temos alguns pontos de contato, como o fato dela estar na área da música. Mas somos de personalidades diferentes. Ela é muito solitária. No começo ela é aquela coisa muito jovem de querer só estudar. Então acho bem diferente de mim. E ela é mais jovem do que eu, então tive que estudar isso, pra não passar mais maturidade do que ela tem”.

Atuar não é novidade para ela, que já esteve no seriado com mesmo nome de sua dupla, na novela “Estrela Guia”, no filme “Acquaria”, na série “As Brasileiras” e fez várias participações especiais.  Mas “Quando Eu Era Vivo” parece ter se revelado um processo diferente. “No caso desse filme, durante as filmagens eu estava com os dias livres. Então me concentrei mesmo. Meu marido e meus pais diziam que eu estava diferente (risos), mais concentrada. É divertido pra caramba, mas eu chegava em casa diferente”.

Porém a impressão que se tem é que Sandy está atuando o tempo todo. Uma persona estratégica na mise-en-scène de uma vida inteira. Talvez pessoa e imagem tenham se misturado de forma inseparável.  Ou talvez seja apenas alguém muito bem treinado para lidar com a imprensa. O que não deixa de ser um personagem.

E uma prova de que no fundo ela é uma boa atriz.

 

2 Comments

  • Thaiany
    On 29 de janeiro de 2014 12:06

    Prezado Renné, acho que seu texto buscou super valorizar características repetitivas e clichês da imagem que o público tem da Sandy. O foco aqui era para ser outro: o filme. Seus julgamentos de valor poderiam ser, ao menos, mais consistentes. Não me surpreendo com esse tipo de opinião batida, mas acredito que você poderia aproveitar melhor o espaço que tem para fins realmente relevantes. #FicaADica

  • Renné França
    On 29 de janeiro de 2014 15:09

    Prezada Thaiany, obrigado pela dica. Caso não tenha percebido, aqui se trata de uma entrevista/perfil, um dos gêneros jornalísticos mais abertos à atividade interpretativa do jornalista. O foco no filme será dado na crítica, como deve ser. Abraço.

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