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Ninfomaníaca – Vol. 1

por

8 de janeiro de 2014

Cinema, Receituário

Nymphomaniac - Vol. I

Dinamarca/Alemanha/França/Bélgica/Reino Unido, 2013

  • Dir: Lars von Trier
  • Elenco: Charlotte Gainsbourg, Stellan Skarsgård, Stacy Martin, Shia LaBeouf, Christian Slater, Jamie Bell, Uma Thurman, Mia Goth, Sophie Kennedy Clark, Connie Nielsen

Avaliação: ★★½☆☆ 

Era de se aceitar qualquer coisa de um filme do Lars von Trier sobre sexo. Menos que fosse entediante. Seu pretenso épico pornô acabou sendo dividido em duas partes, diminuindo a grandiosidade da saga de Joe (Gainsbourg), mas não a canseira da narrativa meio perdida do diretor. “Ninfomaníaca – Volume 1” chega aos cinemas brasileiros em sua versão com cortes (apesar de ainda ter muita nudez e algumas cenas mais explícitas) e von Trier entrega aquele que – curiosamente – talvez seja seu filme mais “leve”.

A ninfomaníaca do título é encontrada ferida na rua por Seligman (Skarsgård), que a leva para casa e escuta sua história de vida enquanto cuida da enferma. A partir daí acompanhamos a jovem Joe (Martin) e a descoberta dos prazeres do corpo que a levarão a uma compulsão pelo sexo, em um caminho que a narradora da própria história insiste em anunciar como destrutivo. Stacy Martin fez o tipo ninfeta sexy muito bem, enquanto se cerca de ótimos coadjuvantes, como um surpreendente Christian Slater e um Shia LaBeouf que aproveita seu carisma sem sal para um personagem sem graça . Mas é sintomático que o grande momento do longa seja um verdadeiro esquete humorístico nada sexual, em que Uma Thurman rouba não só a cena, como todo o filme, nos fazendo querer saber mais sobre sua Sra. H. do que sobre Joe.

Claro que a parte 2 da produção pode mudar a impressão dos acontecimentos vistos neste primeiro volume, mas até o momento, “Ninfomaníaca” é um produto que não sabe o que quer. O sexo, grande chamariz inicial, não é nem angustiante como em “Shame” e nem quente como em “Desejo e Perigo”. Poderia ser frio e distanciado, revelando que a obsessão da protagonista não se torna prazer. Mas também não é o que ocorre. É algo que vai além do impessoal, como o folhear desatento de uma revista pornográfica. Estas cenas vão se acumulando com os capítulos que parecem não levar a lugar algum, e as menos de duas horas causam a impressão de uma história de longa duração que deveria nos conectar cada vez mais com as pessoas na tela, mas apenas faz com que queiramos nos despedir logo delas.

História pra dormir...
História pra dormir...

No personagem de Skarsgård há uma verborragia tarantinesca cercada por uma série de referências visuais que, não apenas é exagerada, mas também forçada. Além disso, acaba por tirar o foco da história, dificultando o já complicado envolvimento emocional com uma personagem que sofre com um roteiro simplista e preguiçoso. A verdade é que passamos horas ao lado de Joe sem realmente conhecê-la, e mesmo que a não-compreensão de sua personalidade possa reforçar os mistérios envolvendo sua doença, o resultado é que simplesmente não ligamos para ela. E aí, seu drama pouco importa.

Von Trier enche a tela de metáforas nada sutis, desde líquidos escorrendo por todos os lados até histórias de pesca, sequência de Fibonacci, música clássica e biologia vegetal. As relações com fauna e flora são interessantes para sua defesa de que o instinto é natural, e que o prazer sexual segue a mesma lógica dos peixes que são fisgados pela boca ou das plantas que atraem insetos para sua reprodução e até dos números de Fibonacci que aparecem em configurações biológicas. É inteligente a escolha em apostar no estilo programa de tv documental da National Geographic, com suas inserções de imagens e narração científica, mas o jeitão de manual de pescaria resulta em algo desajeitado, com até os personagens criticando as coincidências exageradas da história.

Nada é orgânico (Joe questiona Seligman sobre objetos de cena que sempre servem de metáfora perfeita para a história que está contando naquele exato momento) e a mão pesada do diretor não funciona numa história em que as sutilezas de comportamento devem revelar mais sobre os personagens do que aquilo que eles dizem. E o tédio surge, mas não por opção de uma narrativa que tem seu próprio tempo. Vários acontecimentos se atropelam na tela e não dizem nada: muita coisa é mostrada, mas vemos pouco. Sobra uma pequena curiosidade em saber o restante da história de Joe, e alguns bons momentos hilários.

Ao final, a melodia formada pelos três diferentes amantes no momento em que a tela se divide quase salva “Ninfomaníaca – Vol. 1”. Mas é pouco. Que a sequência venha redimir este tratado pretensioso que pouco problematiza o que insiste em mostrar.

Até o momento, foi só masturbação. Mental.

Ninfomaníaca – Trailer legendado [HD] from Ninfomaníaca on Vimeo.

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