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300: A Ascensão do Império

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7 de março de 2014

Cinema, Receituário

300: A Ascensão do Império

300: Rise of an Empire, EUA, 2014

  • Dir.: Noam Murro
  • Elenco: Sullivan Stapleton, Eva Green, Rodrigo Santoro, Jack O’Connell, Hans Matheson, Lena Headey, Callan Mulvey, David Wenham

Avaliação: ★★½☆☆ 


Não é à toa que “300: A Ascensão do império” conta a história de uma mulher que, após ser maltratada por homens a vida toda, decide se vingar. E, quando tenta se reaproximar de um deles, é rejeitada novamente.

“A Ascensão do império” é um filme para homens, sobre homens. Homens que se olham nos olhos com ternura. Que encaram os belos peitorais e musculatura uns dos outros com admiração. Que se tocam sem vergonha. E que, declaradamente, gostam de estar na companhia um dos outros mais do que de suas famílias ou demais obrigações.

Na impossibilidade censurada de fazer o que realmente gostariam, esses homens se penetram no campo de batalha. Não por acaso, os golpes de espada causam esguichos nada realistas, que lembram bem mais ejaculações do que sangramentos – acompanhados (uma coincidência só para quem quiser achar que é) de urros orgásmicos. O fato de que todas as batalhas se dão no mar, com espirros de água complementando visual e sonoramente o cenário, só reforça a ideia do gozo reprimido.

“A Ascensão do império” junta um monte de historinhas para render um longa inteiro. Basicamente, ele começa com as origens de Xerxes (Santoro), cujo pai foi morto pelo ateniense Temístocles (Stapleton). A vingança se dá em uma batalha que acontece paralelamente às Termópilas do longa anterior, com Temístocles enfrentando a frota persa comandada pela deliciosamente canastrona Artemísia (Eva Green, que rouba o filme ao ousar se revoltar contra uma ditadura democracia homoerótica e chauvinista). A saga se encerra após a destruição de Atenas, na batalha de Somalina.

A penetração e o gozo.
A penetração e o gozo.

Além disso tudo, as origens – gregas – de Artemísia também são contadas. E só servem para mostrar como a galera de Aristóteles não era mesmo muito chegada no sexo oposto. Há ainda uma relação entre pai e filho, cuja mãe nunca aparece – porque ela é uma mulher. E para o cheiro de cueca tanguinha peluda não dominar totalmente, o filme é narrado pela rainha Gorgo (mas só porque Lena Headey virou musa nerd após “Game of Thrones”).

O diretor Noam Murro (do improvável “Vivendo e Aprendendo”) tem o mérito de filmar com menos câmera lenta que Zack Snyder. Mas não consegue fugir da (falta de) estilo criado por seu antecessor, com a fotografia em alto contraste, lembrando o cenário de um videogame ruim, com a luz, por causa do 3D mais escuro, estourando nos atores que ficam recortados do resto, impedindo qualquer profundidade de campo ou impressão de realismo.

Para os curiosos por “brasileiros em Hollywood!!!”, Rodrigo Santoro é menos que um coadjuvante, mal aparecendo após seu flashback. E Sullivan Stapleton não é nenhum Laurence Olivier, mas assim como Gerard Butler concentra todo o carisma necessário em seu abdômen. No mais, muita violência e declarações de amor entre marmanjos que, num mundo PG-13 onde não podem trepar uns com os outros, preferem morrer na guerra. Para quem não pode transar… é uma opção válida?

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