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Não Pare na Pista

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13 de agosto de 2014

Cinema, Receituário

Não Pare na Pista

Brasil, 2014

  • Dir: Daniel Augusto
  • Elenco: Júlio Andrade, Ravel Andrade, Fabiana Gugli, Fabiula Nascimento, Enrique Diaz, Lucci Ferreira

Avaliação: ★★☆☆☆ 

“Não Pare na Pista” poderia fazer por Paulo Coelho o que “2 Filhos de Francisco” fez por Zezé Di Camargo e Luciano: entregar uma história de vida apaixonante para ser admirada mesmo por quem não curte a obra do artista. Mas infelizmente não é isso que acontece. Não que a vida de Coelho não seja interessante o suficiente. Pelo contrário: passando de jovem tímido internado em um sanatório a parceiro nas músicas de Raul Seixas até se tornar o escritor vivo mais traduzido no mundo, sua história é por demais fascinante. O problema está é no filme mesmo.

O título das cinebiografias já entrega: “2 Filhos” era sobre personagens, “Não Pare” é sobre um trajeto. A diferença pode parecer sutil, mas é fundamental: na escolha de seu diretor e da roteirista, Paulo não é um personagem que move a história, mas é movido por ela. O universo é muito maior do que os seres humanos, e a vontade de mostrar o protagonista como este móbile solto na imensidão da existência está na narrativa fragmentada com idas e vindas no tempo. A estratégia esvazia o personagem e foca em seu caminho. Não seria a princípio um problema, mas o resultado é que não conseguimos nos conectar com aquele homem ao mesmo tempo em que não nos interessamos por seus mistérios.

Acompanhamos três Paulos que são como três personagens diferentes. Ravel Andrade faz o garoto inseguro que sofre com o pai castrador, enquanto seu irmão mais velho, Julio Andrade, faz o Paulo hippie e também, por trás de uma bisonha maquiagem, a figura conhecida como um dos maiores best sellers do mundo. As três fases da vida de Coelho se intercalam e se atravessam o tempo todo, o que seria válido se não fosse a falta de mão firme do diretor Daniel Augusto e do montador para manter nossa atenção. O problema é que quando começamos a nos interessar por um dos arcos dramáticos, este é interrompido por outro, quebrando nossa imersão e assim sucessivamente. Apesar do título, o que se vê é um caminho que é o tempo todo “parado” na pista, esperando uma outra época passar.

Não ajuda que a terceira fase da vida do escritor seja a mais sem graça, com ele já famoso “fugindo” de uma festa em sua homenagem. Os Andrade fazem a opção por uma atuação que não tenta nem mesmo imitar a voz de Paulo Coelho, o que funciona muito bem – de forma naturalista – quando se trata da figura no passado. Mas ao nos deparamos com o Paulo do nosso presente, com uma maquiagem horrível, temos sempre a impressão de que vemos um ator vestido de Paulo Coelho e não o personagem cuja jornada estamos acompanhando no filme.

Apesar de fazer uma ou outra brincadeirinha divertida (como a mosca na sopa), e ter alguns planos inspirados (o enquadramento que coloca o pai falando pra parede, ou seja, pro filho que não vai escutá-lo), o diretor se entrega ao feijão com arroz cinebiográfico, e faz um filme careta, não aproveitando as potencialidades de retratar um maluco beleza. Se visualmente não interessa, “Não Pare na Pista” também não vai a fundo na história, e momentos importantes como o racha com Raul Seixas não são bem explicados. É tudo fragmentado demais, jogado demais, como se os simples fatos da vida de Coelho fossem suficientes para tornar o filme interessante.

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