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O Jogo da Imitação

por

7 de fevereiro de 2015

Cinema, Receituário

The Imitation Game

EUA, 2014

  • Dir: Morten Tyldum
  • Elenco: Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode, Charles Dance, Mark Strong, Matthew Beard, Allen Leech, Rory Kinnear

Avaliação: ★★★☆☆ 

“O Jogo da Imitação” é um belo exemplo dos jogos decodificados da própria arte cinematográfica: contar uma tragédia como ato heroico, deixando o espectador ir para casa após os textos finais com a sensação de que tudo deu certo. A tragédia, no caso, é a vida de Alan Turing, gênio da matemática que ajudou os ingleses a decifrarem a máquina criptografada de Hitler, tendo papel decisivo no fim da II Guerra Mundial.

Mas o filme não parece se decidir entre os esforços heroicos de Turing e sua equipe ou discutir sua biografia a partir de sua orientação sexual: Turing era gay, o que era crime na Inglaterra da época. Por esta perspectiva, a grande ideia do longa é que toda a capacidade do personagem em descriptografar mensagens esta ligada à sua própria necessidade de criptografar sua sexualidade. O título “Jogo da Imitação” já dá a dica em seu duplo sentido: para a sobrevivência é preciso não apenas aprender a imitar a máquina nazista, mas também aprender a imitar o comportamento hétero padrão.

Uma proposta riquíssima que o diretor Morten Tyldum desperdiça se entregando a todos os clichês deste tipo de drama de guerra, com direito ao time formado pelas personalidades conflitantes, o general que parece querer sabotar seu próprio trabalho e a Keira Knightley. Benedict Cumberbatch faz seu Turing como um Sherlock Holmes mais humano (dentro do possível), enquanto Knightley se entrega ao exagero para compor Joan Clarke, a única mulher presente no grupo de decodificadores em uma era, pra variar, machista. Mas as duas atuações combinam com o tom alto de todo o filme, em que tudo precisa ser grandioso demais.

“O Jogo da Imitação” envolve e consegue nos fazer se importar com seus personagens (muito graças à simpatia de Cumberbatch, que traz carisma para um personagem que poderia ser apenas chato e cansativo). Mas quando chega a hora de encontrar seu cerne e tocar de forma aberta no tema que perpassa toda a narrativa, Tyldun nos dá uma cena de diálogo de novela ao final, em uma tentativa de ser ao mesmo tempo o mais didático e o menos chocante possível. Faltou ao filme acreditar mais nos ideias de coragem e aceitação de identidade que sua própria história propõe.

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2 Comments For This Post

  1. Luciano Ferreira Says:

    Resenha muito boa, sucinta mas com uma leitura interessante do roteiro.

  2. Anonimo Says:

    Gostei muito do site. Aprecio o seu trabalho.
    Parabéns!

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