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A Bruxa

por

2 de março de 2016

Cinema, Receituário

The VVitch: A New-England Folktale

EUA, 2015

  • Dir: Robert Eggers
  • Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie, Harvey Scrimshaw, Lucas Dawson, Ellie Grainger, Julian Richings, Bathsheba Garnett

Avaliação: ★★★★★ 

O que faz de “A Bruxa” uma produção tão assustadora é sua competência em reconhecer duas regras básicas do terror: 1. O poder da sugestão; 2. A reflexão sobre os temores e anseios contemporâneos. Assim, ao se basear no folclore colono da Nova Inglaterra do século XVII, o filme mergulha nos temas de imigração, fanatismo religioso e crise econômica de forma orgânica, usando a trama que se passa em 1630 para criar um clima de paranoia, desconfiança e ansiedade que é de hoje.

A família formada por um casal e cinco crianças espelha duplamente a questão dos imigrantes: foram da Inglaterra para os Estados Unidos e depois expulsos de sua comunidade na América, obrigados a uma segunda alteridade em duas etapas de migração. Dessa forma, o medo do desconhecido, do Outro e a situação de fragilidade em um ambiente diferente e hostil são bem aproveitados na situação de isolamento da família. O conforto e segurança trazidos pela religião e seu extremismo provocado por situações-limite aparecem na maneira como os pais William (Ineson) e Katherine (Dickie) lidam quando a jovem Thomasin (Taylor-Joy) perde o irmão recém nascido, roubado de maneira sobrenatural. Some-se a isso a crise de recursos que leva a decisões que irão trazer o mal à família (representado pela metáfora da maçã do pecado original) e temos a atualização de um conto puritano na forma de uma fábula moderna sobre o século XXI e sua economia falida, fanáticos e suspeitas por todos os lados.

Tudo em um clima de tensão crescente que se constrói a partir de uma série de sugestões que evitam a narrativa por demais expositiva: sugestão sexual, sugestão de violência, sugestão de sentimentos. O filme joga com nossa imaginação e o medo vai se construindo em nossa cabeça, alimentado por imagens que causam o estranhamento típico dos piores pesadelos.  Com a bela fotografia de Jarin Blaschke, o diretor Robert Eggers vai aos poucos deixando de lado a exuberante paisagem natural para ir cada vez mais fechando os quadros e trabalhando os interiores, criando um sufocante suspense que deixa claro a prisão daqueles personagens na situação em que se encontram.

O pequeno elenco é uniformemente bom, e todos os atores conseguem transmitir com poucas falas e gestos contidos a ideia de esconderem algo dos outros e do público, fundamental para o clima de horror e desconfiança que está sendo construído com cuidado. Com uma narrativa paciente, usando tempos mortos para criar ansiedade, “A Bruxa” é um filme eficiente ao representar nossos medos de hoje e do passado, apostando constantemente naquele misto de curiosidade e horror que o desconhecido sempre nos despertou.

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