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Se a Rua Beale Falasse

por

6 de fevereiro de 2019

Cinema, Receituário

If Beale Street Could Talk

EUA, 2018

  • Dir. Barry Jenkins
  • Elenco: Kiki Layne, Stephan James, Regina King, Bryan Tyree Henry, Colman Domingo

Avaliação: ★★★★½ 

Existe uma oposição bem clara, entre vida e morte, na premissa de “Se a Rua Beale Falasse”. Uma vida está chegando, no ventre da jovem Tish (Kiki Layne). E outra, do namorado dela Alonzo “Fonny” Hunt (Stephan James, de “Homecoming”), está correndo o risco de se extinguir dentro de uma prisão, por um crime que ele não cometeu. A trama, nesse sentido, é uma corrida de vida contra a morte.

Mas, em sua essência, o filme de Barry Jenkins (“Moonlight”) – e o romance de James Baldwin – é um duelo entre outra oposição: amor e ódio. Ou, mais especificamente, um ensaio sobre o primeiro tentando prevalecer num mundo dominado pelo segundo. Os personagens da história são claramente divididos entre aqueles que decidem amar e os que escolhem odiar, ou serem consumidos pelo ódio. E no mundo em que vivemos hoje, no qual amar é um ato de subversão e insubordinação extremo, é isso que torna o longa e sua trama tão pertinentes.

Especialmente porque Jenkins deixa bem clara a sua opção: seu filme, a exemplo do “Me Chame pelo seu Nome” do ano passado, é uma materialização cinematográfica do amor. Todos os elementos da produção existem em função, e como uma expressão, do amor de Tish e Fonny – jovem casal negro do Harlem dos anos 60, separados quando ele é incriminado injustamente pelo estupro de uma mulher. Enquanto Tish e sua família lutam para tirá-lo da prisão, o romance dos dois é apresentado em flashbacks – mais uma vez, o contraponto entre o amor (no passado) e o ódio (que contamina o presente).

E não é difícil identificar qual desses dois momentos interessa mais ao cineasta. Os acordes da antológica trilha de Nicholas Britell são como uma essência e um aroma da mais pura paixão envolvendo Tish e Fonny, enquanto o figurino impecável de Caroline Eselin mostra como os dois são feitos um para o outro na complementaridade de suas cores, e a fotografia de James Laxton ilumina os rostos do casal como a mais tenra expressão da beleza negra.

Assim como em “Moonlight”, mesmo diante das adversidades e injustiças mais cruéis, Jenkins arrebata o espectador com a paixão que claramente sente por seus personagens e aquele universo. A trama de “Rua Beale” pode girar em torno de um crime, e uma injustiça tão revoltante quanto comum, mas o diretor não quer fazer mais um filme com personagens negros sobre a raiva, o sacrifício, a miséria ou a violência. Ele deseja, na verdade, mostrar o amor e a beleza que existe nessas pessoas, e nesse universo – e faz isso com o apuro e a elegância estética do cinema de Wong Kar-wai que, da paleta de cores ao design de produção, trilha e movimentos de câmera, é a grande inspiração do longa.

Uma das sequências que melhor representa esse retrato do amor é o jantar da família de Tish logo no início. Um momento que poderia ser marcado pela adversidade – o anúncio de uma gravidez fora do casamento, de um homem que está preso – mas que é dominado pelo amor contagiante entre aquelas pessoas, especialmente ao ser justaposto ao ódio fundamentalista da mãe e das irmãs de Fonny que surgem logo em seguida.

E é por encarnar a força e a fragilidade desse amor negro, em um mundo de ódio branco, especialmente no terço final, que a mãe de Tish, Sharon Rivers, deve render merecidamente o Oscar de atriz coadjuvante à excelente Regina King (“American Crime”, “The Leftovers”). Jenkins continua, como em seu longa anterior, com um interesse curioso e intrigante de filmar seus personagens olhando diretamente para a câmera. Tish e Fonny olham o tempo todo, nas sequências em que conversam pelo vidro da prisão, convidando o espectador a mergulhar no amor que sentem um pelo outro. Mas é num plano central e desafiador de “Rua Beale” que King olha direto para a câmera e parece dizer ao público “nos momentos mais difíceis, apoie-se no amor. Só resta o amor”. Em tempos obscuros, amar – e fazer um filme sobre amar – é o mais corajoso ato de resistência.

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1 Comments For This Post

  1. LidiaveM Says:

    Ну и кто он ей приходитс, как бы вы думали, что может вот так лапать доамочку?

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