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Godzilla II: Rei dos Monstros

por

29 de maio de 2019

Cinema, Receituário

Godzilla: King of the Monsters

EUA/Japão, 2019

  • Dir.: Michael Dougherty
  • Elenco: Kyle Chandler, Vera Farmiga, Millie Bobby Brown, Ken Watanabe, Zhang Ziyi, Bradley Whitford

Avaliação: ★★½☆☆ 

“Godzilla II: Rei dos Monstros” é uma resposta à crítica mais comum feita ao seu antecessor, dirigido por Gareth Edwards (“Rogue One”) em 2014. Para saciar quem reclamou que o lagartão não aparecia o bastante no anterior, a Warner produziu uma sequência com mais monstros que uma reunião da Bancada da Bala. A continuação apresenta não apenas uma, mas duas ou três criaturas a cada dez minutos – e logo, logo, elas estão se atracando e destruindo e explodindo… E BOOM!

 Se essa descrição é tudo com que você sonha toda noite, compre logo o ingresso. Agora, se você é daqueles que também querem uma história para acompanhar… pense duas vezes. Até porque pensar não é o forte do filme do diretor Michael Dougherty (“Contos do Dia das Bruxas”).

O roteiro de “Rei dos Monstros” dá continuidade aos eventos de seu predecessor, mas ignora por completo seus protagonistas. No lugar dos personagens vividos por Aaron Taylor-Johnson e Elizabeth Olsen, entram o casal de cientistas Mark (Kyle Chandler) e Emma (Vera Farmiga), e sua filha Madison (Millie Bobby Brown) Russell. A perda de um dos filhos durante o ataque de Godzilla em 2014 provocou a separação da família, mas quando a ex-esposa e a filha são sequestradas por um grupo de ecoterroristas, junto com uma invenção capaz de atrair e domar os monstros da trama, Mark se une aos profissionais do grupo Monarch para resgatá-las.

Dougherty, porém, é um pupilo da escola Roland Emmerich de cinema. O que significa que a trama acima é mera desculpa para muitos efeitos especiais, muito quebra-quebra de proporções monstruosas e muita ação. O plano dos sequestradores é usar o tal equipamento para despertar os vários “titãs” adormecidos ao redor do globo. O que, por sua vez, é desculpa para a Warner promover uma devassa no catálogo de kaijus asiáticos e botá-los num mano a mano catastrófico a cada dez ou quinze minutos.

Isso é o que interessa à produção, já que o elemento humano não empolga muito. Chandler, Farmiga e Bobby Brown são bons atores, mas o roteiro não dá a eles muito com que trabalhar. Chandler é obrigado a interpretar uma mesma versão do “homem branco bravo” o filme quase todo, Farmiga é refém de uma personagem sem nenhum senso de humor, e Bobby Brown se resume a fazer as mesmas caras de choro e sofrimento de sua Eleven em “Stranger Things” – e os três fazem isso da melhor forma possível. O restante do elenco de peso – Zhang Ziyi, Bradley Whitford, Thomas Middleditch e Aisha Hinds se juntam a Ken Watanabe e Sally Hawkins, do filme anterior – está ali para proferir diálogos fracos e expositivos e fazer a trama seguir em frente.

E o grande problema dessa trama é que ela obedece a um dos piores hábitos dos filmes-catástrofe: a (i)lógica de que, diante de um ataque de vários monstros e de um cenário de destruição, a melhor solução é sempre libertar mais monstros e provocar ainda mais destruição. No início, Isso pode até parecer divertido, de um jeito meio descerebrado, mas com mais de 2h de duração, “Rei dos Monstros” vai cansar os sentidos (e principalmente os ouvidos) até dos mais devotos do gênero. Ainda assim, o filme existe para eles. Especialmente para sua porção asiática, leia-se China (um dos maiores mercados para esse tipo de blockbuster hoje) – o que a presença de Ziyi e Watanabe no elenco não deixa negar. Dougherty dá ao longa a paleta Michael Bay de cores – azulado nos momentos de “perigo”, e laranja nos de “explosão” – o que mostra como originalidade e autoria não são prioridades aqui. Com orçamento de US$ 200 milhões, “Rei dos Monstros” é uma produção de estúdio, feita a muitas mãos, de olho no atual pote de ouro no fim do arco-íris dos sonhos de Hollywood: um universo cinematográfico. “Godzilla vs. Kong” vem aí em 2020.

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