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X-Men: Fênix Negra

por

5 de junho de 2019

Cinema, Receituário

Dark Phoenix

EUA, 2019

  • Dir.: Simon Kinberg
  • Elenco: Sophie Turner, Jessica Chastain, Jennifer Lawrence, James McAvoy, Nicholas Hoult, Michael Fassbender, Alexandra Shipp, Tye Sheridan

Avaliação: ★★★☆☆ 

O que sempre colocou os X-Men entre as produções cinematográficas mais interessantes do tsunami de filmes de super-heróis dos últimos 20 anos não foi o simples fato de que eles estiveram entre os pioneiros dessa febre. Mas sim a exploração política e social que suas histórias permitiram, com muito mais camadas e discursos (nem sempre sutis) que seus pares jamais se arriscaram a experimentar.

Este novo “X-Men: Fênix Negra” não é diferente. O curioso é que, com a saída do (literalmente) desgraçado Bryan Singer, a alegoria LGBTQ dos capítulos anteriores dá lugar a uma interessante reflexão sobre a atual onda feminista que atravessa o globo – e, especialmente, Hollywood. O filme do roteirista Simon Kinberg, estreando também na direção, fala de certa forma sobre a raiva explosiva de mulheres que se dão conta de como foram enganadas, abusadas, silenciadas, ignoradas e exploradas por homens em quem elas confiavam. E sobre as diversas formas – boas, ruins e cinzentas – como o poder quase incontrolável resultante dessa fúria pode ser usado.

Que essas diferentes maneiras sejam representadas pelas personagens femininas faz das mulheres o grande destaque de “Fênix Negra”. Mística (Jennifer Lawrence), a misteriosa alienígena Vuk (Jessica Chastain), Tempestade (Alexandra Shipp), cujos poderes finalmente alcançam todo seu potencial no clímax do filme e, especialmente, Jean Grey (Sophie Turner) – cujo corpo é “invadido” pela força cósmica que dá título à produção durante uma missão no espaço logo no início da trama – finalmente encontram sua voz para questionar os homens que sempre foram os tomadores de decisão da franquia, o que resulta nos melhores momentos do longa.  

Turner, que começou a carreira como o elo mais fraco de “Game of Thrones”, é sem dúvida a grande revelação. Assim como fez na última temporada da finada série da HBO, ela confirma em “Fênix Negra” sua boa evolução como atriz, carregando com competência e verdade o complexo arco de sua personagem, forçada a encarar difíceis verdades sobre sua história, enquanto vê seu corpo ser tomado por um poder e uma entidade que ela não sabe controlar.

Mas ela não está sozinha. O filme de Kinberg talvez seja aquele com as melhores atuações da saga dos mutantes na telona, e a explicação para isso é que seus atores ganham chaves diferentes de seus personagens para explorar. James McAvoy dá vida a um professor Xavier egocêntrico e arrogante, seduzido pelo poder político trazido pelo sucesso de sua escola e incapaz de enxergar e admitir os próprios erros. Isso resulta em boas cenas com Mística, com J-Law aproveitando o cansaço da personagem (e o seu) com essa vida de salvar o mundo para disparar algumas verdades feministas contra o antigo mentor; e com Fera (Nicholas Hoult) que, após sofre perdas bastante significativas, passa a questionar suas lealdades.   

Michael Fassbender, por sua vez, interpreta um Magneto menos radical e fundamentalista, mais maduro e humano. E Chastain salva a parte mais fraca da produção – a genérica vilã-extraterrestre-que-deseja-conquistar-um-poder-para-destruir-os-terráqueos-e-recolonizar-a-Terra-com-seu-povo – com uma performance monotônica e assustadora, sutil na sua frieza e na sua crueldade. A forma inexplicável como seus comparsas alienígenas se multiplicam no ato final do longa, porém, é o maior furo do roteiro.

Esse plano genérico da antagonista, por sinal, é o sintoma da maior falha de “Fênix Negra”: a constatação de como, com 12 filmes nas costas, a fórmula “X-Men” se tornou repetitiva e um tanto previsível. Assim como praticamente todos os capítulos anteriores (inclusive uma saga da Fênix bem mais novelesca e espetaculosa que a abordagem humana e intimista de Kinberg), a produção atual parte de uma tentativa de assimilação com os humanos, que causa uma briga interna entre os mutantes, até que eles finalmente se unem e vencem o mal maior.

Mesmo que não consiga extrapolar essa fôrma, o roteiro a executa com competência e ganha pontos por finalmente, permitir a seus personagens – e seus atores – evolução e mudança. “Fênix Negra” se sustenta totalmente nessa força de seu elenco – o estranho resultado de uma saga que, capitaneada pelo star power de Jennifer Lawrence, dobrou uma franquia ao talento de seus astros, fazendo com que seus personagens se tornem, ao menos na tela, mais propriedade e reflexo de seus intérpretes do que de suas origens nos quadrinhos.

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