Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Engenheiros do Hawaii

por Marina Maria

receite essa matéria para um amigo


Foco no resto da banda pra quê?
Quando eu tinha uns 8 anos, minha prima Luciana, super fã de Engenheiros de Hawaii, me explicava porque eu precisava gostar da banda: “as músicas são muito boas, as letras te fazem pensar. Ah, e o Humberto Gessinger é lindo”. As palavras dela resumiam o que milhares de adolescentes da época sentiam pelos Engenheiros, que sempre tiveram fãs e críticos igualmente fervorosos.

A primeira formação da banda gaúcha, que no futuro trocaria de integrantes como quem troca de celular, tinha os estudantes de Arquitetura Humberto Gessinger (vocal e guitarra), Carlos Maltz (bateria), Marcelo Pitz (baixo) e Carlos Stein (guitarra). O nome surgiu de uma rixa entre eles e o pessoal da Engenharia, e foi escolhido para provocar a turma “inimiga” que, segundo Humberto, andava sempre com bermudas de surfista.

O primeiro LP veio no mesmo ano de formação, 1985, e a banda começou a ser conhecida por suas letras (poéticas para alguns, “cheias de clichês” para outros). Até citação de Sartre tinha nas músicas: “a dúvida é o preço da pureza” aparece em A Revolta dos Dândis, de 1987. Nas palavras de Carlos Maltz: "Somos absolutamente fascinados por isso, frases de efeito ou sei lá como chamam”. A banda teve outros feitos curiosos, como lançar uma trilogia, no estilo rock progressivo, e gravar uma frase na música Ilusão de Ótica que só podia ser ouvida se o disco fosse tocado ao contrário.

Em 1990, os Engenheiros do Hawaii lançaram seu maior sucesso de vendagem: O Papa é Pop alcançou a marca de 400 mil cópias e emplacou vários sucessos radiofônicos. Se até o papa era pop, o que diria o grupo, que nessa época lotava estádios, incluindo o Maracanã, no Rock In Rio II.

A saída de Licks dos Engenheiros, em 1993, mexeu com os rumos da banda. Para minha prima, esse foi o fim dos tempos de fã. O som realmente mudou, juntamente com os integrantes do grupo: desde 1994, seis músicos passaram pelos Engenheiros. A última formação permanece desde o lançamento do Acústico II, com Gláucio Ayala, Bernardo Fonseca, Fernando Aranha e Pedro Augusto. Humberto Gessinger é o único remanescente da formação original.

Nos últimos anos, os Engenheiros entraram na onda dos acústicos (apesar de já terem lançado um disco no formato em 1993, Filmes de Guerra, Canções de Amor). Em 2004, para comemorar vinte anos de estrada, a banda gravou um Acústico MTV. Em agosto deste ano, saiu o último álbum do grupo, mais um acústico, com o nome de Novos Horizontes.

Se você ainda não decidiu se é legal ou não gostar de Engenheiros, não se preocupe: você vai encontrar grupos com as duas opiniões. De qualquer forma, Engenheiros hoje em dia é um pouco como o papa – não é mais pop como antigamente, mas tem seus fiéis garantidos.

Os Engenheiros no seu primeiro acústico-best-of-inédito
Discografia
  • Novos Horizontes (2007)
  • Acústico MTV (2004)
  • Dançando no Campo Minado (2003)
  • Surfando Karmas & Dna (2002)
  • 10.001 Destinos (Ao Vivo) (2001)
  • 10.000 Destinos (Ao Vivo) (2000)
  • !Tchau Radar! (1999)
  • Minuano (1997)
  • Humberto Gessinger Trio (1996)
  • Simples de Coração (1995)
  • Filmes de Guerra, Canções de Amor (1993)
  • Gessinger, Licks & Maltz (1992)
  • Várias Variáveis (1991)
  • O Papa é Pop (1990)
  • Alívio Imediato (1989)
  • Ouça O Que Eu Digo, Não Ouça Ninguém (1988)
  • A Revolta dos Dândis (1987)
  • Longe Demais das Capitais (1986)

» leia/escreva comentários (9)