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Michael Mann

por Renné França

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Uma câmera na mão
Michael Mann gosta dos caras maus. De personagens que vivem sob suas próprias regras, à margem da lei. Homens obcecados com o trabalho a ponto de perder a própria identidade. No mundo do diretor, o rebelde e o bandido são infinitamente mais interessantes e simpáticos que o mocinho galante.

Nascido Michael Kenneth Mann na Chicago de 1943, onde gangsteres eram celebridades atraentes e glamourosas, Mann criou esse gosto pelo fora da lei. Estudou Inglês na Universidade de Winsconsin, com ênfase em História, Filosofia e Arquitetura. Até que assistiu a “Dr. Fantástico”, de Stanley Kubrick. O impacto o levou para Londres nos anos 60, onde se graduou na Escola de Cinema. Permaneceu lá sete anos, trabalhando com publicidade ao lado de Ridley Scott, Alan Parker e Adrian Lyne. Durante o maio de 68 em Paris, transformou suas filmagens da revolta estudantil no documentário “Insurrection” que, por sua vez, deu origem ao curta-metragem “Jaunpuri”, vencedor do prêmio do júri de Cannes, em 1970.

Retornou aos EUA no ano seguinte para fazer o documentário “17 days down the line”. Três anos depois, começou na televisão escrevendo os quatro primeiros episódios da popular série “Starsky and Hutch”. Seu primeiro filme para TV, “Condenado à vitória”, venceu o Emmy de 1979 e o DGA de Melhor Diretor e o ajudou a estrear no cinema em “Profissão Ladrão”.

Seu status cresceu em 1984 com a série “Miami Vice”. A dupla de policiais que se infiltrava em cartéis de drogas e burlava as próprias regras já trazia as marcas registradas do diretor. A abordagem realista de um estilo próximo ao documentário com a câmera na mão, aliada aos detalhes dos policiais que passavam a se vestir e falar como os traficantes que investigavam nos lugares proibidos do submundo do crime, fizeram da série um sucesso e abriram de vez as portas de Hollywood para Mann.

Em 1986, ele apresentou ao mundo a primeira versão de Hannibal Lecter em “Dragão Vermelho”, mas foram os anos 90 os melhores para o diretor. Em 1992, Mann adaptou o romance de James Fenimore Cooper no espetacular “O Último dos Moicanos” e, em 1995, juntou pela primeira vez na mesma cena Robert DeNiro e Al Pacino em “Fogo contra Fogo”. Mas seu maior reconhecimento artístico viria quatro anos depois, com as indicações ao Oscar de diretor e filme por “O Informante”.

A partir daí, envolveu-se com os grandiosos e inócuos como “Ali” e “Colateral”. “Miami Vice”, versão para o cinema do seriado que o deixou famoso, revelou sua nova obsessão artística: o digital a serviço da representação realista de personagens de virtudes duvidosas. O público não gostou, mas enquanto houver caras maus interessantes o suficiente, Michael Mann estará com sua câmera em cima deles.

E uma caroninha depois porque a idade não perdoa...
Filmografia
  • Inimigos públicos (2009)
  • Miami Vice (2006)
  • Colateral(2004)
  • Ali (2001)
  • O informante (1999)
  • Fogo contra fogo (1995)
  • O último dos moicanos (1992)
  • Os tiras de Los Angeles (1989) (TV)
  • Dragão vermelho (1986)
  • A fortaleza infernal (1983)
  • Ruas de violência (1981)
  • Condenado à vitória (1979) (TV)
  • 17 days down the line (1972)

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