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Ang Lee

por Daniel Oliveira

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Dirigindo caubóis apaixonados,
em “Brokeback mountain”...
Quem assiste aos longas de Ang Lee pode pensar que ele é alguém contra os padrões, que não se adequa a tradições familiares, ou em conflito com suas raízes. Como exemplo, seus três primeiros filmes são uma trilogia sobre conflitos de gerações em famílias de descendência chinesa. E até seu “Hulk” é, na verdade, alguém que tenta superar o histórico violento herdado do pai.

Mas o cineasta nascido aos 23 de outubro de 1954, em Pingtung, Taiwan, é um pacato chefe de família, casado há mais de 20 anos e pai de dois filhos – nada mais tradicional. Após se formar em 1975 no National College of Arts de Taiwan, Lee foi para os EUA, onde se graduou em Direção para Teatro, em Illinois. Em 1984, obteve Mestrado em Produção Cinematográfica pela New York University, realizando seu primeiro curta, “Fine line”.

Nessa última, o cineasta foi assistente de direção do trabalho final de outro Lee, o Spike, em “Joe’s Bed Stuy Barbershop: we cut heads”, de 1983. Sua estréia em longa, “Arte de viver”, veio só em 1992, através de um edital do governo de Taiwan para diretores residentes em outros países, iniciando a trilogia com o ator Sihung Lung. “Banquete de casamento” ganhou o Urso de Ouro do Festival de Berlim e foi o primeiro taiwanês indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Mesma indicação recebida pelo final da trilogia, “Comer, beber, viver”.

Seu primeiro trabalho em inglês foi “Razão e Sensibilidade”, de 1995. Seguido por “Tempestade de gelo”, visão ácida de um subúrbio americano dos anos 70, que deu o prêmio de melhor roteiro do Festival de Cannes a James Schamus, produtor de todos os filmes de Lee.

Em 2000, ele realizou o filme em língua estrangeira com maior público na história dos EUA: o aclamado “O Tigre o Dragão”. O espetáculo visual e intimista, falado em mandarim, recebeu quatro Oscar, incluindo melhor filme estrangeiro. Já a adaptação de Hulk contou com ótimo roteiro, elenco e direção, mas resolveram reclamar de quantos pixels havia no gigante verde digital do diretor.

O cineasta taiwanês finalmente dominou o mundo em 2005, com “O Segredo de Brokeback mountain”. Lee abandona o foco nas personagens femininas, que sempre o atraíram, mas aposta em seu maior talento: contar uma história de sentimentos não-ditos, com silêncios devastadores e carregados de significado. Topo da maioria das listas de melhores de 2005 nos EUA, a obra ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza, quatro Globos de ouro – inclusive direção – e oito indicações ao Oscar, sendo Lee o favorito na sua categoria. Nada mal para um pacato pai de família.

...e Nick Nolte, como um pai psicótico, em “Hulk”
Filmografia
  • Life of Pi (2011), anunciado
  • A little game without consequence (2010), anunciado
  • Aconteceu em Woodstock (2009)
  • Desejo e perigo (2007)
  • O segredo de Brokeback mountain (2005)
  • Hulk (2003)
  • The hire: chosen, curta (2001)
  • O tigre e o dragão (2000)
  • Cavalgada com o diabo (1999)
  • Tempestade de gelo (1997)
  • Razão e sensibilidade (1995)
  • Comer, beber, viver (1994)
  • O banquete de casamento (1993)
  • Arte de viver (1992)

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