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Irmãos Dardenne

por Daniel Oliveira

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Luc e Jean Pierre
Duplas de irmãos bem sucedidos no cinema não são raridades: a sétima arte começou com dois deles – os Lumière. Então não seria de se estranhar que uma das grandes descobertas do cinema europeu dos anos 90 tenha sido os irmãos Jean Pierre e Luc Dardenne, se: 1-eles não fossem da Bélgica – país sem tradição cinematográfica; e 2- tivessem origem operária em uma nação rica e com alto padrão de vida.

Pois é, os Dardenne trabalharam por meses em uma fábrica de cimento para comprar seus primeiros equipamentos de vídeo. Os dois eram proibidos de assistir à TV e filmes, quando cresciam na cidade de Seraing, e sofreram com constantes greves enquanto estudavam, nos anos 60. Isso não impediu que Jean Pierre decidisse estudar Teatro em Bruxelas e Luc, Filosofia. Mais tarde, esse segundo ingressou na companhia de teatro do irmão, entrando em contato com as possibilidades políticas e criativas do vídeo e do cinema.

Regressando à cidade natal nos anos 70, eles começaram sua carreira de “um homem com quatro olhos”, fazendo “vídeos de intervenção” sobre as greves e o movimento operário. Em 1975, na produtora Dérives, fizeram documentários sobre temas diversos, como a resistência belga ao nazismo (Le chant du rossignol, de 1978), para a televisão.

Os irmãos se aventuraram na ficção somente na década de 80. O primeiro longa foi “Falsch”, de 1986, seguido de “Je pense à vous”, de 1992, ambos bem recebidos nos festivais europeus. Mas foram “A promessa” e “Rosetta”, de 1997 e 1999, respectivamente, que estabeleceram e consagraram o estilo dos irmãos belgas no cinema de arte mundial.

Os dois contavam com as principais características de Jean Pierre e Luc: a câmera na mão muito próxima aos atores; os roteiros simples, com um suspense que deriva de conflitos internos dos personagens, e não de reviravoltas na trama; o olhar crítico sobre uma Europa incomum, operária e cheia de dificuldades. “Rosetta”, descrito por eles como um filme de guerra – da protagonista desempregada contra um mundo em que ela não parece importar - iniciou o sucesso dos irmãos em Cannes, ganhando a Palma de Ouro e o prêmio de melhor atriz, para a estreante Emilie Dequenne.

Os Dardenne ainda dariam o prêmio de melhor ator para Olivier Gourmet (que trabalhava com eles desde “A promessa”) em 2002, por “O filho”. O feito foi considerado uma das maiores façanhas da história de Cannes, já que o personagem, um marceneiro com propósitos secretos, é filmado de costas durante quase metade do filme (!).

O festival francês declarou seu amor incondicional aos Dardenne em 2005, com outra Palma de Ouro por “A criança”; e em 2008, com o prêmio de melhor roteiro para “O silêncio de Lorna”.

Jean Pierre e Luc
Filmografia
  • O silêncio de Lorna (2008)
  • A Criança (2006)
  • O filho (2002)
  • Rosetta (1999)
  • A promessa (1997)
  • Je pense à vous (1992)
  • Falsch (1986)

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