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David Fincher

por Daniel Oliveira

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Para manter a fama de mau,
Fincher esconde o rosto...
Filmagens de “Zodíaco”. Jake Gyllenhaal repete a mesma cena pela 90ª vez. David Fincher, filmando com tecnologia digital, deleta os últimos dez takes. E continua a filmar. A mesma cena. Pode parecer Transtorno obsessivo-compulsivo para alguns. O cineasta afirma que queria simplesmente “induzir lágrimas involuntárias de frustração no ator”.

O perfeccionismo de David Leo Fincher, nascido aos 28 de agosto de 1962 em Denver, já lhe rendeu comparações a Kubrick. Suas primeiras filmagens foram em 8mm, aos 8 anos, e aos 18, já havia conseguido um emprego na Industrial Light & Magic, onde trabalhou em “Retorno de Jedi” e “Indiana Jones e o templo da perdição”.

Individualista, ele não se adaptou à coletividade da IL&M e seguiu para a publicidade. Na primeira campanha, para a American Cancer Society, um feto fumava um cigarro, adiantando a visão pessimista e sarcástica de seus filmes. O destaque, porém, veio no videoclipe, especialmente na ironia pop de Vogue, da Madonna.

A liberdade de criação que ele teve aí encontrou seu extremo oposto já em seu primeiro longa. “Alien 3” foi um sonho tornado pesadelo: apavorados com um diretor estreante ousado demais, os executivos da Fox picotaram o filme e boicotaram seu lançamento. O trauma rendeu três anos de hiato no cinema só encerrados com um roteiro que conciliava sua visão de mundo com um gênero popular.

“Se7en” revitalizou o filme de serial killer. “Em 40 anos, ninguém vai lembrar de mim nem de Brad Pitt, mas vão falar do cara mau entregando a cabeça do mocinho em uma caixa”, resumiu Fincher. Escuro, com cenas iluminadas somente por lanternas como no seu clipe de Janie’s got a gun, e sério, o filme foi um sucesso de público.

Já o humor negro de “Vidas em jogo”, apesar de Michael Douglas e Sean Penn em cena, não foi tão bem assim. Nem o trabalho seguinte. Mas “Clube da luta” não precisou disso. A adaptação da obra de Chuck Palahniuk sintetizou o visual escuro, misturando texturas reais e computadorizadas, e a idéia (dos dois longas anteriores) da violência como catarse da experiência vazia do que é “ser humano” hoje.

O filme se tornou um cult e sucesso em DVD discutido ad nauseum por seus adoradores. O reconhecimento gerado aí cogitou o nome de Fincher para “Prenda-me se for capaz”, Dália negra”, “Missão Impossível: 3”, “Batman begins”, “Homem-aranha” e “Confissões de uma mente perigosa”. A fama de centralizador e gênio difícil o afastou de todos.

O diretor optou, então, por um thriller despretensioso para o qual desenvolveu ele mesmo a tecnologia dos movimentos de câmera por fechaduras e fiações elétricas. “O quarto do pânico” teve críticas divididas, mas boa bilheteria – o que provavelmente bancou as quase três horas de seu filme seguinte. Em “Zodíaco”, Fincher revisita o assassino que era discutido por seus colegas de escola primária e retrata, mais uma vez, sujeitos perdidos em uma sociedade complexa.

Perfeccionista, pessimista, individualista, obsessivo. Quem se importa se os filmes deles continuarem bons desse jeito?

...e sacaneia: “Tá vendo o final da avenida? Quero que você corra até lá e volte 150 vezes.”
Filmografia
  • Ness (2010), anunciado
  • Chef (2009), em pré-produção
  • O curioso caso de Benjamin Button (2008)
  • Zodíaco (2007)
  • O quarto do pânico (2002)
  • Clube da luta (1999)
  • Vidas em jogo (1997)
  • Se7en – Os sete crimes capitais (1995)
  • Alien 3

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