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Edward Norton

por Paulo Henrique Silva*

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Na boa
Confirmado como o novo rosto do gigante esmeralda Hulk, Edward Norton fará o seu primeiro filme de grande apelo comercial - 11 anos depois de despontar no cinema em “As Duas Faces de um Crime”, com o qual foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Se Johnny Depp, que era o mais notório nome avesso às superproduções, capitulou e ainda assim deu um banho de interpretação com seu Jack Sparrow em “Piratas do Caribe”, por que Norton não poderia levar dignidade como o raivoso Doutor Banner?

O personagem criado por Stan Lee, por sinal, não está muito distante da persona que o ator exibiu na telona. Grande parte de seus papéis foi temperada com ingredientes como ódio, violência, esquizofrenia, experimentação e ousadia, geralmente promovendo uma transformação durante a narrativa. São os casos de Jack, de “Clube da Luta”, e Derek Vinyard, o protagonista de “A Outra História Americana”. Os dois encontram a pior maneira de extravasar seus sentimentos: arrebentando a cara alheia.

A fúria como Jack se entrega ao Clube da Luta e como Derek, um neonazista, agride negros não se restringe ao muque. Apesar de ter se preparado fisicamente para “A Outra História Americana”, Norton se empenha em expor um tipo de violência originada pela mente doentia, fruto de uma época globalizada em que as pessoas perderam a sua identidade. Jack é o maior exemplo: um investigador de seguros que, para suportar a pressão, cultua o hábito de participar de terapias em grupo com gente pior do que ele.

O jeito nervoso, perto da ebulição, também caracterizou o ex-viciado de “Cartas na Mesa”, o ladrão de “A Cartada Final” e o traficante de “A Última Noite”. Com exceção de “Dragão Vermelho”, Edward Norton parece se sentir mais à vontade na pele de criminosos e figuras marginalizadas. Também escolhe personagens que, de uma forma ou de outra, lutam contra o poder estabelecido. A grande batalha do mágico de “O Ilusionista” é diante da tirania de um soberano que impede a concretização de seu amor por uma mulher.

Por essas e outras, no que depender de Norton podemos esperar um Hulk bem mais fascinante do que aquele que foi encarnado por Eric Bana no filme de Ang Lee, há quatro anos. O ator australiano não conseguiu explorar totalmente a psique atormentada de Bruce Banner. Enquanto Hulk não chega, Norton deverá ser visto nas próximas semanas como um galã de romances nos moldes de Cary Grant e Robert Redford. Ele estrela “O Despertar de uma Paixão”, ao lado de Naomi Watts, em mais um passo inédito de sua carreira.

*Repórter e crítico de cinema do jornal Hoje em Dia

Nas sombras
Filmografia
  • Stone (2010)
  • Leaves of grass (2009)
  • Força policial
  • O Incrível Hulk (2008)
  • O despertar de uma paixão (2006)
  • O ilusionista (2006)
  • Vale proibido (2005)
  • Cruzada (2005)
  • Ladrão de diamantes (2004)
  • Uma saída de mestre (2003)
  • Frida (2002)
  • A última noite (2002)
  • Dragão vermelho (2002)
  • Morra, Smoochy, morra (2002)
  • A cartada final (2001)
  • Tenha fé (2000)
  • Clube da Luta (1999)
  • A outra história americana (1998)
  • Cartas na Mesa (1998)
  • O povo contra Larry Flynt (1996)
  • Todos dizem eu te amo (1996)
  • As duas faces de um crime (1996)
  • Only in América (1994)

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