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Detonautas Roque Game

por Rodrigo Ortega

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“Que as portas se abram para o novo som do Detonautas Roque Clube”. A frase no encarte do CD Psicodeliamorsexo&distorção leva a duas apostas: a banda carioca está um pouco hippie e muito confiante no seu novo disco. Apostas corretas. “É um disco que todo mundo está esperando que marque a nossa carreira”, garante o vocalista Tico Santa Cruz. Agora a vez de jogar é do Detonautas. Em três fases, o objetivo é convencer que eles estão “menos presos aos conceitos estabelecidos”, como define o guitarrista Rodrigo.


O Detonautas se aquece para o jogo (Foto: Marcos Hermes)

Primeira fase: o teste do convite.

A banda convidou os fãs e a imprensa para entrevistas e shows fechados no Sul e Sudeste do país. “Não fica aquela frieza de receber um release e um disco, estamos tocando quase todas as músicas do CD nestes shows,” justifica Tico. “Traz uma experiência que a gente com certeza vai usar no futuro na turnê”.

No dia 28 de março eles foram ao Hard Rock Café, em BH. A sala de entrevistas ficou cheia. Os músicos gravaram contentes para uma rádio o corinho de “Não reclame mais”, nome da primeira música de trabalho. Microfones, gravadores e bloquinhos não mentiram: a confiança da divulgação corpo-a-corpo funcionou. Os Detonautas mantiveram o life e passaram de fase.


A imoral capa do novo disco.

Segunda fase: o teste do sofá.

Este não é o mesmo teste que o executivo Tommy Mottola já fez com Mariah Carey e Thalia. A banda apenas se sentou para falar sobre o disco novo, produzido por Edu K, ex-De Falla. “A gente achou que o Edu ia nos ajudar a buscar uma liberdade, uma coisa menos presa aos conceitos estabelecidos do mainstream ou o que quer que seja,” tenta explicar o guitarrista Rodrigo Netto. “Tem música de dezoito minutos. Coisas em que a gente nunca pensou antes. Ele facilitou esse processo. O Edu é muito disciplinador. Ele falava: vocês são mais malucos que eu”.

“O Tico entrou em uma viagem bastante literária. Passou a ler três livros por mês,” contou Rodrigo. Antes da última fase, uma pergunta-chefão para a banda que só fala em mudança: como vocês ouvem hoje os primeiros sucessos da banda? “A gente gosta de tudo o que fez. Mas é natural que dois anos depois você encontre coisas que não teria feito,” conta o baixista Tchello. “Mas eu continuo impressionado com os quatro acordes de “Outro lugar” ainda emocionarem as pessoas”.


A foto ueba do Detonautas

Terceira fase: o teste do palco.

“Não reclame mais” é barulhenta, mas “Assim que tem que ser” e “Apague a luz” podem incomodar ainda mais os vizinhos. As levadas modernosas de “Dia Comum” e “Sonhos Verdes” confirmam a declaração de Tico à revista Laboratório Pop de que está pesquisando novidades musicais. Tocaram até a tal música de dezoito minutos, “Insone”, mas em uma edição menor. Tico quase esbarrou no reset quando pediu para o público cantar os “uh uh uh” de “Prosseguir” como se estivesse em um show de estádio. Apesar dos vocais serem acompanhados por barulhos legais disparados pelo DJ Cleston, pouca gente quis ser cobaia na “experiência para a turnê”.

Mas o saldo foi positivo. As dinâmicas, riffs e detalhes eletrônicos parecem feitos com o mesmo cuidado que os refrões radiofônicos. Eles já tinham pegado a chavinha para o fim da fase na passagem de som, quando discutiram calorosamente sobre um backing vocal e uma levada de bateria. Mostraram carinho com nossos ouvidos. “O único lugar no Brasil em que a gente não tocou foi o Acre”, revelou Rodrigo. É um bom desafio final. Se eles conseguirem levar Rio Branco para o coro de “Não reclame mais”, o “you won” aparece na tela.

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