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A grande drogaria gigantesca do pop : Os Destaques

Prognóstico 2007 Cinema - PARTE 1 DE 3

por Rodrigo Campanella

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“Até água em excesso faz mal”

Essa era a frase que arrematava, na minha infância, qualquer resposta negativa à pergunta: “Tal coisa faz mal?”. E alguém dizia do outro lado: “Não, só se comer/beber/assistir demais”. E vinha a tal frase

Açúcar em excesso faz tanto mal quanto um ego inflado ao ponto de estouro. Não importa a beleza do cartaz, o produto embalado por ele pode ser uma bomba-relógio programada para explodir durante duas horas.

Com o cinema e o pop, a questão é a mesma. O que no ponto certo pode ser a cura, em excesso pode se tornar veneno. A chave dessa idéia quem deu foi Platão, o filósofo grego, mas ela se encaixa muito bem aqui. Porque talvez o melhor pop seja exatamente a arte de transformar o que poderia ser excesso em algo interessante. 2007 ainda tem dez meses pela frente, esteja você procurando diversão ou um meio de abrir as tais portas da percepção um pouco mais. E esta é só a primeira parte do nosso prognóstico.



Promessas de uma dose certa

O que importa é o filme que se faz, não o filme que se pretendia fazer. Mas há filmes em que a gente arrisca colocar na prateleira da frente mesmo antes do lançamento. Apostar (e acreditar) é preciso.

O que cura: Um filme pode abrir fronteiras. Inclusive aquelas na cabeça da gente.

O que envenena: Às vezes uma ótima idéia/intenção vira apenas um prato frio de ego inflado à la carte.

Tarja azul: “O Ministério da Cultura adverte: o uso prolongado pode mudar sua visão de mundo. E não estamos falando de miopia.”

Exemplares recentes na prateleira: “O Homem Duplo”, “O Labirinto do Fauno”, “Filhos da Esperança”, Cachê

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Grind House: 50 galões de álcool para Tarantino e Rodriguez

Bee Movie – A História de uma Abelha: Jerry Seinfeld produz e dubla essa animação sobre uma abelha que processa os humanos por comerem mel. Os primeiros trailers contém boas risadas.

Inland Empire: David Lynch força os limites da imaginação e da identidade mais uma vez. O mundo (de) plástico do cinema e de Los Angeles é novamente a matéria do diretor, dirigindo Laura Dern.

Simpsons – O Filme: : O que vem em doses (nem tão) homeopáticas pela TV concentrado em uma dose bem na veia. Homer Simpson arma a maior hecatombe de todos os tempos comandada pelas besteiras de um homem só e tem que tentar resolver tudo. O pequeno Bush vai morrer de inveja.

I Served the King of England: Um hotel na antiga Checoslováquia serve como torre de observação para um mundo que vai do nazismo à queda da URSS, pelo olhar melancólico e suave de um homem que amava as mulheres. Vá atrás desse.

Baixio das Bestas: O homem de “Amarelo Manga”, Cláudio Assis, volta à sarjeta e aos degredados do Brasil para falar de um país que a Rede Globo nem imagina que existe. A maior promessa brasileira do ano, por enquanto.


Falsa Loura: 2 litros de tintura para Reichenbach

Eastern Promises: Viggo Mortensen, Naomi Watts e Vincent Cassel são o trio de ouro à frente do novo filme de David Cronenberg. Um discreto e violento mafioso cruza o caminho de uma enfermeira tentando desvendar uma rede de prostituição infantil. Cronenberg é sempre bem-vindo.

Sweeney Tood: Johnny Depp e Helena Bonham Carter na adaptação de Tim Burton para o musical sobre um barbeiro que assassina clientes na cadeira do salão para transformar em tortas.

A Casa de Alice: A classe média brasileira aparece sem as toalhas de linho e o baselight da novela das oito nesse primeiro longa de ficção do diretor Chico Teixeira. Muito bem recomendado.

Wasington:Lars Von Trier fecha a trilogia USA, iniciada com Dogville. Cruze os dedos e ponha uma almofada na frente do estômago.

Falsa Loura: Carlos Reichenbach, o diretor de “Garotas do ABC” e um dos poucos com um projeto para o cinema nacional, promete um drama (quase) musical operário que vai da realidade ao pesadelo total. Aposte seus ingressos nesse.

My Blueberry Nights: Wong Kar Wai dirige nos Estados Unidos a estréia de Norah Jones como atriz, ao lado de Rachel Weisz, Ed Harris, Jude Law e outras estrelas. Ansiedade é pouco.

I’m Not There: Christian Bale é Bob Dylan, Cate Blanchett é Bob Dylan, Richard Gere é Bob Dylan e Heath Ledger é Bob Dylan no novo filme do diretor de “Velvet Goldmine”. As várias facetas do bardo, num filme altamente promissor.


Sunshine: para Danny Boyle, um bom banho de sol

Insetos: Diretor d’“O Exorcista” original, William Friedkin entrega um paranóico filme sobre o que acontece quando o horror interno passa a escapar por todos os poros.

GrindHouse: A idéia original era unir um média-metragem de Quentin Tarantino (Death Proof) e um de Robert Rodriguez (Planet Terror) para formar um só filme-homenagem ao trash em geral, com direito a trailers falsos entre um e outro. Mas já se fala em dois lançamentos separados.

Um Beijo a Mais: Zach Braff, o J.D. de Scrubs e diretor de “Hora de Voltar”, volta suas lentes para a nebulosa da vida de recém-casados, numa versão do italiano “O Último Beijo”. Entre o riso e o travo na garganta, Braff costuma ter uma sensibilidade que falta aos Estados Unidos.

Sunshine: Danny Boyle, o homem por trás de “Trainspotting” e “Extermínio”, volta à ficção científica em uma expedição que tenta conter a morte do Sol, viajando até lá. Grandes esperanças.

Stardust: O Mistério da Estrela Cadente: Robert DeNiro, Sienna Miller, Claire Danes e Michelle Pfeifer na adaptação de um livro de Neil Gaiman, criador de “Sandman”. Esperanças maiores ainda.


I´m a cyborg...: novos circuitos para o cinema de Wook-Park

I’m a cyborg but that´s ok: O diretor de “Old Boy” e “Senhora Vingança” (ainda inédito aqui), Chan-Wook Park, cria uma fantasia onde uma garota que acredita ser um cyborg se apaixona por um psicótico em uma instituição psiquiátrica. Mas não espere um drama usual. Nem qualquer tipo de drama.

Saneamento Básico: O novo de Jorge Furtado (“O Homem que Copiava”) consegue unir uma comédia política a filme de monstro. Como gastar o dinheiro destinado pelo governo a um filme de ficção para conseguir tratamento de esgoto para uma cidade do interior? A ser conferido.

Fast Food Nation: As entranhas de um hamburguer são as mesmas de um país no novo filme de Richard Linklater. Ambas nada agradáveis.

No Country for Old Men: Os irmãos Coen adaptam um romance de Cormac McCarthy, lançado no Brasil com o título (ruim) de “Onde os velhos não tem vez”. Faroeste com gosto de bílis.

The Golden Age: O diretor do consagrado “Elizabeth” volta para a continuação da saga da rainha inglesa, junto de Cate Blanchett e agora ao lado do ótimo Clive Owen.



Medicamentos de outdoor

Bons ou ruins, mesmo que nem uma viva-alma comente sobre esses filmes, você vai ouvir falar muito deles. Publicidade e propaganda existe é para isso.

O que cura: Um bom espetáculo é sempre bom. Principalmente se vier alguma emoção no pacote.

O que envenena: Às vezes um bom cartaz de filme resume-se a um filme com um bom cartaz.

Tarja preta: “O Ministério da Saúde adverte: propaganda não é garantia que o negócio tem alma”

Exemplares recentes na prateleira: “Missão Impossível 3”, “Superman – O Retorno”, “007 – Cassino Royale”

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Simpsons - O Filme: Para Homer, o de sempre, por favor.

300: O diretor de “Madrugada dos Mortos” toma emprestada a técnica de ilusão de “Sin City” para adaptar outro sucesso do quadrinhista Frank Miller. A verificar.

A Família do Futuro: A Disney aposta em 3D para a história de um garoto que vai conhecer uma família do futuro quando, por engano, viaja para lá.

Transformers: Michael Bay, o cara que se acha um gênio transformando roteiros interessantes em explosões de grande e médio porte assume o filme com atores (e muitos efeitos) sobre os veículos que viram robôs. Expectativa e muito, muito medo.

I Am Legend: Will Smith, a lenda americana personificada, é o ultimo ser humano da Terra. Seu tempo é gasto se preparando para uma batalha contra o resto da humanidade, transformada em mutantes.


...e 300 dias de descanso para Zach Snyder.

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado: compre a lancheira, ganhe as figurinhas, veja o filme. O Surfista Prateado e Galactus aparecem na franquia que apresentou o Quarteto a uma nova geração, mas não conseguiu dar fôlego aos quadrinhos do grupo.

Harry Potter e a Ordem de Fênix: Potter e seus primeiros fios de barba estão de volta. Leia o livro, compre o caderno, veja o filme. A franquia Potter no cinema tem evoluído bem, mas já dá para imaginar Daniel Radcliffe com 36 anos interpretando os 18 de Harry.

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