Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Pixar à Venda

Um breve balanço da mãe do Nemo

por Rodrigo Campanella

receite essa matéria para um amigo

A Pixar atravessou aquela ponte que separa empresas de grifes. A procedência “Pixar’s” em uma animação passou a valer como atestado de qualidade – e, em parte, é verdade. Para criar cenários e efeitos de movimento (água, pêlos, poeira...) cada vez mais atraentes e realistas, dê uma ligada para eles. Para arredondar roteiros com humor acima da média e que não expulsem nem crianças nem adultos da sala, disque o mesmo número. Mas para ver uma “animação totalmente inovadora”, melhor buscar outro telefone na lista.


PIXAR INC.


Entre a inovação e o culto aos caros valores americanos (pátria, família, vitória, tradição), a Pixar às vezes tende a parecer uma nova Disney, encarnada em bytes. Em “Procurando Nemo”, de 2003, a qualidade dos diálogos, o visual marítimo e o carisma dos neuróticos peixinhos sempre será mais forte que a moral-no-final. Mas em 2006, o mundo à moda norte-americana berra em “Carros”. A conquista do pódio, a condenação dos malvados, a formação da família, a cultura da rodovia. E o filme é isso. O que não dá para esquecer é: os curtas da Pixar não são comandados pela mesma pessoa. Não se pode descartar que o deslize esteja na batuta do diretor (John Lasseter, chefão da empresa).

Mas em paralelo a essa virada, que teve no meio o ótimo “Os Incríveis”, os curtas da Pixar também foram perdendo a mão. O velhinho jogando xadrez em “Geri’s Game”, de 1997, ou os passarinhos no fio de “For the Birds”, de 2000, grudam no imaginário de quem assiste. Já o carneiro saltador de “Boundin’” em 2003 e os músicos-orquestra de 2005 em “One Man Band” parecem apenas (bons) testes de animação para os filmes que viriam depois.

Leia o nosso DNA da Pixar.


O SONHO


Mas antes que a Pixar desse essa guinada ao mais-comum, a trajetória para o alto parecia não ter parada. “Os Incríveis” foi a coroa hiperativa de um estúdio de animação que sempre prometia algo surpreendente para o filme seguinte. Conseguiu isso somando qualidades. Por um lado, tira um considerável sarro de uma família classe-média com superpoderes. Ao mesmo tempo, aproveita que a animação é maleável para acelerar e movimentar imagens até perto do limite da percepção. E entre tudo isso insere uma aventura considerável, que até hoje me parece uma ode de amor ao cinema. Uma ode ano 2000.

Mas em janeiro de 2006 a Pixar fazia o negócio de sua história. Às vésperas de se desligar da Disney, que até então havia distribuído todos seus filmes, a Pixar virou a mesa e comprou a Disney. Uma parte, pelo menos. A Disney hoje controla a Pixar, mas pagou cedendo a ela uma parte da própria Disney, na forma de ações.

Leia a Resenha de “Os Incríveis”.


ACABOU?


Fatiando a “revolução Pixar” dá para entender tudo melhor. A empresa de Steve Jobs (o mesmo da Apple) talvez tenha “mudado a história da animação”, mas vamos com calma. O que ela mudou, em princípio, foi a faixa etária. E legiões de adolescentes, pós-adolescentes e adultos que não iriam nem sob mandado de prisão assistir “Pocahontas” começaram a buscar as boas sacadas, visuais e personagens pixarianos.

Em segundo, a Pixar balançou o terreno em um certo tipo de animação: a animação feita e distribuída em larga escala, clean, pensada para acertar na cabeça do maior e mais global público possível. E fez a sutil descoberta de que dvd’s, principalmente os duplos, vendem muito bem quando recheados de extras, mesmo que esses não sejam tão bons. Se bem que a Pixar costuma caprichar nos seus.

Na evolução suspensa temporariamente por “Carros” – que ainda assim dá para classificar facilmente como “simpático” – chegam “Ratatouille”, estréia desse mês, e notícias de “Wall*E”, o próximo lançamento, comandado pelo diretor de “Nemo”, Andrew Stanton. Especialmente para esse último, os primeiros comentários são boas promessas. E se a Pixar consegue vender cada vez mais, é de se esperar que suas idéias sejam as melhores da linha. Mesmo que ainda não seja assim que as coisas funcionem no mercado.

Leia a Resenha de “Carros”.

» leia/escreva comentários (0)