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As Idades de Harry

Pílula Potter 2007

por Rodrigo Campanella

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J. K. Rowling, a criadora de “Harry Potter”, teve no mínimo duas grandes sacadas. A primeira foi usar sua farta imaginação em modo capitalismo selvagem. Ela não só criou um universo em torno de Harry – ela deu ao mundo uma campanha de marketing em pó, na qual bastava acrescentar os consumidores e mexer.

Os alunos de Hogwarts, não importa a idade, usam vassouras voadoras Nimbus, comem sapos de chocolate e feijões mágicos de vários sabores, colecionam figurinhas de magos famosos, compram ingredientes, varinhas, livros e cia. no Beco Diagonal, criam animais enfeitiçados. É um mundo mágico onde comprar e gastar necessariamente faz parte do encantamento de cada dia – e isso deve ajudar bastante na hora de converter a história em venda de balas imitando feijões mágicos, capas de pano preto embaladas como fantasia de bruxo e guias de explicativos de Quadribol.

A outra sacada foi criar uma série de livros que fosse envelhecendo, aproximadamente, junto com sua geração de leitores. Quando o último livro estiver à venda na prateleira, ou o último longa for lançado, bastará tirar uma semana para conhecer toda a saga de Potter. Mas quem acompanhou tudo do início teve que envelhecer, esperar, e passar por seus próprios anos para saber como passavam as idades de Harry. No cinema, cinco já foram. Todas elas já tiveram seu momento no Pílula e voltam aqui.


11 anos: Harry vai à escola

e descobre que sua vida é um buraco tão grande, exatamente debaixo da escada, que até o sistema de ensino inglês é melhor.

O presente: a turminha do primeiro ano aprende que jogar xadrez pode render tanta adrenalina quanto escalar montanhas na unha.

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12 anos: Harry volta à escola

para ter certeza de que todo seu primeiro grau vai ser algo bem parecido com aquele treinamento você-contra-o-mundo que os guris espartanos recebiam em “300”. Escola é barra.

O presente: assistir uma Copa do Mundo com essa idade deve ser bacana. Participar de uma, um tanto melhor. Mesmo que seja de quadribol.

A resenha: Harry Potter e a Câmara Secreta

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13 anos: Cabelos que um pente desconhece

dão o toque da rebeldia pré-adolescente. Harry se aproxima do passado da família e recebe junto (mais) um baú de traumas. As coisas serão melhores no ano que vem.

O presente: Mr. Potter nunca esteve tão à vontade. É bom não ser criança para sempre. E nem adulto pagando de adolescente em crise.

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14 anos: Roupas de gala

para ser apresentado à sociedade. Bailes, corações lançados e partidos, amigos que se tornam a família que cada um escolheu para si. O quarto Potter é a aventura, inocente e com um travo amargo, de uma felicidade de passagem.

O presente: virar um lobisomem adolescente, sem a parte dos caninos saltados.

A resenha: Harry Potter e Cálice de Fogo


15 anos: Essa cara no espelho

já não é a de Harry Potter. A molecada cresceu, alguns demais. Esconder as marcas da idade no contorno do rosto pode até dar certo, mas nos olhos é tarefa difícil. O fascismo vestindo rosa aparece na sala da diretoria para mostrar porque tanta gente não suporta ir à aula.

O presente: é para os veteranos que encarnam a professorada de Hogwarts. Deve render um polpudo e merecido depósito na conta bancária no fim do ano letivo.

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